participar    
         
HISTÓRIAS QUEM FOI ? PASSEAR INÍCIO NOTÍCIAS

 

  A raposa e o lobo

  (ilustração de  Rafael J. Tavares, 10 anos, Escola 1º CEB de Couto de Esteves)

Numa noite de luar, uma raposa e um lobo roubaram um carneiro do curral do tio Carlos lá no Pisão do Cabo e enterraram-no no Coucinho, combinando ir comê-lo nas noites seguintes. 

Para saberem onde ele estava deixaram-lhe o rabo de fora.

 

(ilustração de Tânia Sofia A. Tavares ,8 anos, Escola 1ºCEB da Lourizela)

  

À hora marcada o lobo bateu à porta da raposa e disse:

- Ó Comadre vamos lá hoje?!

-  Hoje não, Compadre. - Disse a raposa - Tenho de ir fazer um baptizado. Vamos lá amanhã.

O lobo respondeu:

-  Está bem, eu volto amanhã.- E na noite seguinte lá estava ele de novo:

- Ó Comadre vamos lá hoje?!- A raposa manhosa, nem veio à porta e respondeu de lá de dentro:

-  Peço desculpa Compadre, mas esta noite também não posso tenho que fazer outro baptizado.

-  Não faz mal. - Disse o lobo. - Eu volto amanhã. Então como se chama o afilhado de  ontem?

-  Comecei-te. - Respondeu a raposa

O lobo foi embora e voltou na noite seguinte mas a resposta da raposa foi a mesma, tinha outro baptizado para fazer. O lobo acreditou e perguntou:

-  Ó Comadre e o baptizado de ontem, correu bem? Como se chama o  afilhado?

A raposa disse:

-  Correu bem Compadre e o meu afilhado chama-se Mei Eite.

O lobo cheio de fome disse:

-  Ó Comadre com este andamento, nunca mais vamos comer o carneiro.- Mas a raposa garantiu-lhe:

-  Amanhã vamos de certeza.- E na noite seguinte, aquela hora, lá estava o lobo à porta da raposa:

-  Ó Comadre, vamos lá hoje?

-  Vamos embora - Disse a raposa.- De hoje não passa.- E puseram as pernas ao caminho.

O Lobo perguntou :

-  Ó Comadre come se chama o seu afilhado de ontem?

-  Findei-te.- Respondeu a raposa.

 

Enquanto caminhavam discutiam entre si qual dos dois devia  desenterrar o carneiro (carneiro que era só o rabo, pois a raposa já tinha comido todo o resto nas três noites anteriores).

 

Ao passar ao Bouço Velho o lobo disse:

- Vês aquele carro? O que não conseguir avança-lo tem que desenterrar o carneiro.

- Está bem disse a raposa. Mas então vira-te para aquele lado para não veres as minhas vergonhas. - E passou por baixo do carro sem o lobo dar por isso.

 

O pobre do lobo, não conseguiu avançar o carro, ficou enfiado num fugueiro e condenado a desenterrar o carneiro.

Quando chegaram ao sítio, o lobo tomou balanço, fincou os dentes no rabo do carneiro e puxou com tanta força que virou as pernas por cima da cabeça e deu duas cambalhotas no chão, pois do carneiro só restava o rabo.

A raposa fingindo que não sabia de nada pôs-se a gritar:

- Aí que fomos roubados.- E voltando-se para o lobo disse:

- Vamos por aí abaixo ver se encontramos alguma coisa para comer.- Mas o que ela queria realmente era beber pois estava empanturrada de ter comido tanta carne e foi por ali abaixo direitinha ao poço do Pego Negro.

Bebeu até estar satisfeita, depois vendo a lua reflectir na água do poço disse para o lobo:

- Ó Compadre está ali um queijo! Vamos beber até lá chegar.  

 

 

   (ilustração de Miguel Angelo Roque Soares ,8 anos, Escola 1ºCEB da Lourizela)

  

          

O lobo bebeu, bebeu até não poder mais, enquanto que a raposa fingia que bebia. O lobo já estava tão inchado que não conseguia beber mais. Mas a raposa pôs-lhe  uma rolha no rabo e insistiu com ele para beber mais e mais. Quando o lobo viu mesmo que não conseguia chegar ao “queijo” desistiu e decidiu voltar para casa, cansado, esfomeado e quase a rebentar com tanta água.

 

Ao chegar  de novo ao Bouço Velho ouviram uma malhada na Eira dos Duarte e a raposa pôs-se logo a pensar no que havia de fazer para distrair os malhadores e comer-lhe a merenda e disse para o lobo:

- Vamos passar na Eira?!

- Não!- Disse o lobo. – Eles ainda nos batem!

- Não batem nada.- Disse a raposa.- Eles até se vão arrumar para nós passarmos.

 

   (ilustração de Márcia Andreia Soares Pereira ,8 anos, Escola 1ºCEB da Parada)

  

E assim fizeram ao chegar à Eira, a raposa tirou a rolha  do rabo do lobo e escondeu-se debaixo de umas faixas de palha. Ora o lobo estava tão cheio, que mal a raposa  tirou a rolha, era ver água correr na eira e molhar o centeio todo. Todas as pessoas que andavam na malha foram atrás do lobo e bateram-lhe tanto que o deixaram quase morto.

A raposa mal se viu sozinha na eira, saiu de trás da palha foi à barraca e comeu a ceia dos malhadores, depois esfregou uma mão cheia de arroz na testa e foi ter com o lobo.

 

Quando o encontrou fingiu que estava muita mal e disse:

- Aí Compadre que eles deixaram-me quase morta, olha para a minha testa, racharam-me a cabeça até tenho os miolos à mostra.

O lobo disse à raposa:

- Ó Comadre realmente ainda está pior do que eu, salta para as minhas costas que eu levo-a a casa.

A raposa às costas do lobo ia resmungando:

- Anda burro, levas-te uma soba e ainda carregas comigo.

E o lobo perguntava:

- O que se passa Comadre, vais mal?

- Não Compadre, é cá com os meus botões.- Respondia a raposa e tornava a resmungar:

- Anda burro, levaste uma soba e ainda carregas comigo às costas.

E o pobre do lobo foi sempre enganado pela raposa, ficou enfiado no fogueiro do carro, não provou o carneiro, apanhou uma carga de porrada e ainda carregou com ela até casa, que fica lá para o  Curro da raposa.

                                 

História recolhida por: Conceição Almeida Silva (44 anos)

Ex- Formanda do curso EFA “Ecocidadania”

Couto de Esteves- Sever do Vouga

 

*Coucinho*- conjunto de pequenos terrenos.  

*Fugueiro-* pau que se coloca lateralmente e na vertical nas carroças das vacas para amparar as cargas 

"Malhador" - homem que malha os cereais 

   

"A raposa e o lobo" é uma história tradicional que já faz parte da cultura local do concelho de Sever do Vouga.

Foi recolhida no âmbito de uma actividade intitulada "Serão à lareira" e envolveu a participação das crianças das escolas do 1º CEB de Couto de Esteves, Parada, Lourizela e Mouta, formandas do Curso EFA "Jeito Biorural" assim como de ex-formandas de cursos de educação e formação de adultos da Casa da Fonte - Couto de Esteves e da comunidade local.

 

 

                                                        

     arquivo de participações- textos enviados  para  as histórias: "O escritório das ideias luminosas" e "O gafanhoto"

 ....................................

Participem na LETRINHA. Enviem para o nosso e-mail  ( letrinha.net@sapo.pt ) desenhos, histórias, contos, notícias da vossa escola...tudo o que quiserem. Ficamos à espera!

 

 

 

HISTÓRIAS QUEM FOI ? PASSEAR PARTICIPAR NOTÍCIAS