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Intervenção de António Rodrigues Mendes Palitos na apresentação da sua
candidatura e programa às eleições de 9 de Abril de 2005 do Clube de
Futebol “Os Belenenses”.
Apresento hoje a minha lista para os
órgãos sociais do Clube de Futebol “Os Belenenses”, a cuja direcção
terei a honra de presidir, se os sócios nos derem maioritariamente o seu
voto, como espero, nas eleições do dia 9 de Abril.
A todos convido a reflectirem
serenamente sobre as nossas propostas e o programa eleitoral que agora
apresentamos aos sócios.
Candidato-me por imperativo ético e
porque sinto a obrigação irrecusável de dar luta e de oferecer uma
alternativa consistente àqueles que há longos anos dirigem o nosso clube
e que pretendem continuar para além do que seria normal e razoável.
A lista que constituí, em estreita
colaboração com o nosso candidato à presidência da Assembleia-Geral,
João Norberto da Palma Carlos, constitui no seu conjunto a melhor equipa
que nas últimas décadas foi por alguém apresentada ao sufrágio no nosso
clube.
Com um colaborador do gabarito de Palma Carlos não poderia aliás ser
outro o resultado.
Por isso, e pedindo desculpa por assim
estar a violentar a modéstia do seu carácter, aqui mesmo lhe reitero os
meus sinceros agradecimentos pela preciosa ajuda que me deu na selecção
dos melhores e dos mais capazes.
Integram esta equipa profissionais
altamente qualificados e prestigiados nas suas áreas de competência. São
quadros técnicos de grande valor e experiência, com provas dadas na vida
associativa, desportiva, económica e social.
Que fique, portanto, claro que esta não
é uma equipa constituída por amigos e pelos familiares deles…
É uma equipa exclusivamente estruturada
para corresponder às necessidades do Belenenses, às ambições dos nossos
associados, ao grande objectivo da alma azul que é o de erguer e
construir um Belenenses moderno, ganhador, que dê alegrias aos sócios e
que imponha o nome de Belém como uma grande marca do desporto português
e até - porque não sonhar? - do desporto europeu.
O que eu quero é um Belenenses com alma
e com emoções, um clube digno de Pepe, de Vicente, de Matateu e de todos
os nossos Maiores.
Um clube que dê um grande salto,
qualitativo e quantitativo, um clube que ouse ganhar em Portugal e que
assuma o objectivo de ir ao desafio europeu!
O que eu não quero é um clube povoado
de burocratas, de autistas, de pequenos chefes partidários e de outros
que não tratem os atletas e os sócios com a consideração e o respeito
que merecem!
É bem verdade que devemos estar unidos,
apesar da disputa eleitoral. Mas também é verdade que a democracia não
existe sem a pluralidade de opiniões. Recuso frontalmente as teses de
que - “quem não está connosco é porque não é bom Belenenses”.
Essa maneira de pensar já teve a sua
época e deixou uma herança muito pesada a Portugal…
Não tenhamos pois medo da democracia,
porque ela só se realiza na diversidade e no pluralismo das opiniões.
E não me tentem intimidar com
processos, nem com pressões de bastidor, porque eu não cedo, eu não
desisto, eu estou aqui para lutar e para ganhar!
E aproveito para lembrar aos meus
concorrentes que, nesta fase que decorre até à posse dos novos órgãos
sociais, devem abster-se de tomar decisões ou de assumir compromissos de
longo prazo, que vão além da gestão dos assuntos correntes do clube e
que possam condicionar a acção da próxima direcção.
A verdade é que, depois do acto
eleitoral, continuaremos todos a ser Belenenses; e teremos todos de
trabalhar em conjunto, ganhadores e perdedores, em benefício do nosso
clube.
Mas quero jogo limpo, porque apenas sei
jogar dessa maneira!
Ainda uma breve referência a um tema
que tem vindo à baila e que é importante para o futuro do Belenenses.
Refiro-me ao tão falado projecto
imobiliário para os terrenos do Restelo.
A esse respeito, quero frisar, uma vez
mais, que sou a favor desse projecto se ele for bom para o futuro do
Belenenses.
Mas não abdico do direito de saber toda
a verdade sobre esse negócio. E quero que me expliquem a forma como ele
se encontra desenhado em termos de engenharia financeira e da escolha de
parceiros.
Mas não se diga que está tudo nas actas
da Assembleia-Geral, porque o que mais me interessa não é o que lá está
escrito, e que muito bem conheço, mas sim o que lá não está, mas deveria
estar!
Pessoalmente, tenho a maior estima,
consideração e respeito pelos meus concorrentes.
Mas é justamente em benefício do Belenenses, e até deles próprios, que
entendo que este assunto deve ser estudado e aprofundado até aos mais
pequenos pormenores.
Porque o clube merece saber toda a
verdade, os sócios exigem toda a verdade!
Uma coisa é certa – e vem muito a
propósito. Comigo, vão acabar as reuniões pouco publicitadas e pouco
participadas da Assembleia-Geral.
Reuniões marcadas a dias e horas
difíceis, reuniões quase confidenciais, onde o uso da palavra é feito em
condições penosas, reuniões despachadas à pressa, onde qualquer opinião
diferente é ouvida com murmúrios de desaprovação vindos de trás, da mesa
onde se sentam os senhores dirigentes.
Não é nessas condições que se devem
aprovar projectos como a venda, pura e simples, irreversível, de um
terço do nosso precioso património aos espanhóis da construção civil e a
um grupo corticeiro e imobiliário com sede… no Porto!
Porque não se ouviram primeiro os
sócios?
Porque é que não se organizou primeiro
um referendo, ainda que de valor consultivo, para saber qual a opinião
dos sócios?
Porque é que se anda a dizer por aí que
já está tudo aprovado e que nenhuma correcção ou ajuste é possível,
quando isso não corresponde à realidade?
A razão é simples: há quem tenha medo
da opinião dos sócios.
Acima de tudo, há quem ache que os
sócios não estão habilitados a decidir o futuro do seu clube!
Eis aqui, nesta divergência, mais uma
importante linha de clivagem entre a minha candidatura e a dos nossos
concorrentes.
Nós queremos que o negócio imobiliário
seja efectivamente o melhor projecto para o futuro do Belenenses.
Que nos dê mais independência
financeira, mas também boas condições para a prática desportiva.
Que não comprometa o futuro da formação
dos nossos jovens, ao substituir áreas de treino por blocos de betão.
Que não entaipe o Restelo entre
mamarrachos de cimento.
Que não ponha a população da parte
ocidental de Lisboa contra o clube do seu coração, que é o Belenenses.
Por isso, daqui vos lanço um desafio
muito claro:
Que aceitem a designação de uma
Comissão de Avaliação deste projecto, constituída por pessoas
completamente independentes e tecnicamente qualificadas, que elaborem
rapidamente um relatório que esclareça todos este assunto e nos revele a
melhor forma de concretizar o projecto, no respeito pela Lei e pelos
Regulamentos, e em benefício do Belenenses!
Termino rapidamente, porque as senhoras
e os senhores jornalistas terão já a seguir a oportunidade de me pedirem
os esclarecimentos que entenderem sobre o programa eleitoral e as
diversas medidas que ele contém para mudar e para fazer crescer o
Belenenses.
Quem me conhece, sabe que estou aqui
com o propósito de exercer a legítima autoridade sem jamais ser
autoritário.
Que não hesitarei, dentro e fora do
Belenenses, onde já exerci cargos de natureza federativa e associativa
durante muito tempo, na defesa intransigente dos interesses do nosso
clube.
A desmotivação, o desleixo, a ausência
de objectivos e de projecto, a falta de ambições, as incompetências e as
prepotências vão acabar no dia da nossa posse, se os sócios assim
quiserem.
Porque o que os sócios me têm dito, com
o seu entusiasmo e o seu apoio, é que o futuro passa por esta equipa e
que o Belenenses não pode arriscar mais dois anos de estagnação e de
perda de influência.
Vamos pois às urnas, com convicção e
com vontade de mudar. Que ninguém deixe de exercer o seu direito, que
nenhum eleitor fique em casa no dia 9 de Abril.
Viva o Belenenses! Viva o Belenenses!
António Rodrigues Mendes Palitos
(Lisboa, 8 de Março de 2005) |