Os Voos





Os pombos necessitam de fazer exercício, o chamado "Treino".
É necessário, e é sobretudo indispensável, para os pombos que percorrem viagens de grande distância. Estes exercícios de treino diário chamam-se "voos".

Quando o atleta vai ao treino para aperfeiçoar o seu comportamento fisico é para eliminar alguns dos seus defeitos; mas o seu principal objectivo é treinar para preparar os seus músculos afim de o tornar capaz de alcançar o seu ponto de objectivo. Portanto, os  Voos servem aos pombos para preparar os seus músculos afim de voarem ainda mais depressa.

Os Voos diários fazem-se em princípio 2 a 3 vezes por dia. O primeiro voo do dia faz-se pela manhã entre as 6 h e as 8h e à tarde das 17h às 20h faz-se um outro Voo.

No regresso do seu exercício o pombo recebe a sua ração

Durante o voo, o pombo com Saúde está em boa forma e gosta de voar. Sente-se feliz no ar, brinca no espaço como a criança que brinca e exterioriza a sua vitalidade. Portanto, não devemos enxotá-los.

Ao sair do pombal, o pombo em forma eleva-se no ar. Toda a equipa parte por uma direcção e por vezes só volta 10 a 20 minutos mais tarde. Nesse momento, os pombos muitas vezes pousam no telhado. O columbófilo observador pode então notar com atenção o estado de saúde dos seus favoritos. Com efeito, alguns pombos demonstram a sua boa forma continuando o seu voo sem interrupção, outros, contudo, dirigem-se para um sitio no telhado e não permitem que qualquer outro ocupe esse lugar.
 

Como se comportam durante uma viagem ?
Segundo as observações de um Columbófilo francês, durante uma viagem a bordo de um avião, os pombos, quando eram largados, determinavam a sua orientação após um quarto de volta, ou uma meia volta ou também após várias voltas.

A forma como os pombos se agrupavam era caracterizada. Os pombos não voam uns atrás dos outros, nem como as aves migratórias que voam em forma de "V", ou ainda em linha oblíqua com o fim de aproveitar o rasto da ave precedente. Os pombos estavam todos à cabeça do bando, numa larga extensão com metros de frente em forma de um quarto de lua.

Os voos em grupo : Uma questão que muitas vezes é colocada pelos Columbófilos. Durante a viagem do Columbófilo francês, um ou vários pombos destacavam-se do bando até partirem sozinhos, deixando atrás deles todos os companheiros de Voo, como o fazem alguns raros campeões ciclistas ou os corredores a pé ou certos cavalos célebres. A resposta é que nunca  um pombo se destacou das extremidades direita ou esquerda do pelotão. Os pombos atrasavam-se por  serem incapazes de seguirem ao ritmo dos outros, talvez por estarem doentes.

As alturas de voo : São variáveis conforme a direcção e a força do vento. Com ventos fortes, de frente ou de lado, os voos são bastante baixos.

Com ventos de  frente, os pombos voam a rasar o solo. Cada obstáculo divide os bandos. Se o percurso for muito longo não tardam a ficar isolados. As chegadas fazem-se um a um.

Com ventos de lado, é a "curva do cão".

O que é uma curva do cão ? Um exemplo : quando os aviadores que voam de um ponto para outro, se cada um deles efectuar o percurso com um avião semelhante, à mesma velocidade, cada um levará um tempo diferente para efectuar o percurso, se
o vento estiver de lado, o aviador será muitas vezes empurrado pelo vento lateral.
O seu voo não é feito em linha recta, antes em linha curva. Essa linha curva chama-se a"curva do cão". Os Aviadores experimentados conhecem bem esse facto e evitam a curva rectificando a orientação do aparelho conforme a força do vento.

Com os pombos, logo à chegada do concurso, quando a maioria deles que estão do lado para onde o vento os empurrou, outros com mais experiência, se deixam-se empurrar menos pelo vento rectificando precisamente a sua orientação. Portanto, são os que não fazem aquela curva, a chamada "curva do cão", que são os melhores classificados à chegada e que ganham frequentemente os prémios...

Com ventos de cauda, as alturas de voo são as mais elevadas. Quando os pombos voam alto não encontram obstáculos que os dividam, por isso os grandes bandos mantêm-se bem agrupados; atingem o final da prova em grupos de muitos pombos.
Os pombos em bandos aproveitam sempre que possível o abrigo de um desnível de terreno, de um bosque ou de uma estrada.
 

De facto, os pombos não gostam de descer ou de subir durante o curso dos seus voos. Se um obstáculo, como os bosques ou as igrejas, lhes aparece, eles preferem dar a volta em vez de sobrevoar, mesmo se o trajecto for mais longo.  

Os desvios à chegada : Nunca ficam por muito tempo no mesmo bando de pombos. Um simples medo colectivo faria-os deslocarem-se, desunirem-se e formar alguns bandos mais pequenos.

Quando o columbófilo francês teve a oportunidade de seguir esses bandos desde o princípio da largada dos pombos até à chegada da corrida, a partida foi lenta, a orientação fez-se após várias voltas. Depois, tomaram uma direcção impecável, seguindo exactamente a linha de voo teórica que havia marcado na carta, numa altura de voo de 40 metros. Todo o grupo se manteve exactamente na linha teórica durante 40 kms. Porém, não se verificou nenhum abondono e nenhuma cisão. Perto da metade do percurso, um medo súbito e colectivo, devido a uma causa desconhecida, provocou uma deslocação. Formaram-se dois ou três grupos. Aqueles que foram seguidos, desviaram-se ligeiramente da linha recta teórica cerca de 2 a 3 Kms.

No fim do percurso havia já pombos entrados 5 minutos antes da nossa chegada.
 
 


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