JARDIM INFANTIL

A Futura Educação da Criança

(continuação)

O pão integral é fabricado com farinha completa, composto de farelo, glúten, sais minerais e todas as substâncias nutritivas contidas no grão. É uma fonte de energia, vigor, saúde e beleza.

Os açúcares, especialmente o melaço de cana, o mel e o suco sacarina das cenouras são muito nutritivos, produzem muitas calorias e não deixam resíduos no organismo.

Em resumo, na alimentação do jovem devem predominar as vitaminas, o fósforo, o cálcio e outros sais minerais necessários ao crescimento do corpo e formação do sistema cérebro-espinal, das fibras nervosas e do esqueleto.

A purificação do corpo físico comporta muitos outros factores suficientemente importantes para que não devam ser esquecidos.

Se a cultura física e ginástica respiratória são úteis ao Homem em qualquer idade, para o jovem tornam-se absolutamente imprescindíveis à manutenção da saúde. A higiene geral, a limpeza, os banhos e as abluções entraram já, felizmente, no uso corrente de quase toda a nossa gente. Para serem realmente benéficos, a ginástica, os banhos e as abluções devem praticar-se diariamente. O asseio não se limitará ao vestuário exterior, mas estender-se-á ao Homem integral, aos objectos de uso pessoal, à habitação, a tudo quanto o rodeia.

É deveras pernicioso trazer as crianças vestidas com exagerado luxo, talhando-lhes os fatos por figurinos da moda. Os fatinhos singelos e amplos, de cores claras, vivas, sem serem garridas, são o que mais lhes convém, pois casam-se harmoniosamente com a sua simplicidade e graça natural. O calçado convirá que seja folgado e bem feito para que não deforme os pés. Neste particular, a moda em nome da "elegância" causa um verdadeiro suplício a essa parte do nosso corpo.

Achamos reprovável estimular nas crianças o sentimento da vaidade. Quando mais tarde tiver que o extirpar, causar-lhe-á muito sofrimento desnecessário. Além de retardar o progresso espiritual, é uma porta aberta para a entrada de elementais na sua aura, que não deixarão de exercer influências nefastas. Para lhe neutralizarmos tanto quanto se possa esse natural sentimento da vaidade, convirá que, em todos os instantes possíveis, ela se banhe francamente em ar puro e sol, pondo-se em contacto directo com a Natureza, correndo e brincando descalça, e com fatos muito reduzidos, mas convenientes ao sexo de cada um. Estes factos assumem uma importância capital num organismo em formação. Não esqueçamos que a saúde e o vigor, a bondade e o optimismo, formam uma fortaleza inexpugnável que nos põe ao abrigo das investidas do mundo oculto.

Pureza de Costumes – Todos sabemos que os povos se diferenciam pelos seus costumes particulares, trajes e maneiras típicas que os tornam inconfundíveis com outros, mesmo seus vizinhos.

Esses costumes têm as suas raízes fundas na tradição e na história, e são regidos por um código moral e cívico elaborado ao longo dos séculos.

A diversidade dos costumes entre os povos é enorme; mas, para além das policromias e formas exteriores, existe em todos eles uma base única, reguladora do comportamento dos indivíduos: o pudor e os valores morais.

Muitos sociólogos entendem que este sentimento moral é variável de povo para povo; outros opinam que o pudor é um sentimento simples, inato e básico da alma humana, podendo apenas exteriorizar-se ou "localizar-se" por formas diversas, desde as mais rudimentares até às extravagantes e exóticas.

Seja como for, o pudor, na sua expressão comum, é o recatamento que uma pessoa manifesta perante si própria e para com outrem, familiar ou não, e baseia-se no respeito próprio.

Nos nossos dias, muitos encaram-no como um tabu da sociedade; mas esquecem-se de que a castidade e a honestidade são germinadas e alimentadas pelo sentimento do pudor. É em consequência de uma pseudo-liberdade sexual do indivíduo, a que chamaremos "decadência do pudor", que certamente o homem de hoje se tornou tão "honesto" e "puro", que os roubos, as falsificações, os "contos do vigário", os "desvios de dinheiro", os atentados contra a castidade, os adultérios, a prostituição, e outros actos catalogados no código moral e penal, deixaram de verificar-se nas nossas sociedades!...

Não restam dúvidas de que se assiste a um relaxamento geral dos costumes. A vida promíscua das praias, o anseio da liberdade individual, a igualdade dos sexos perante as instituições e a sociedade, a independência de núcleos raciais, o super-povoamento dos grandes centros, a frequência dos pontos de atracção mundana, o cinema, o luxo, as extravagâncias da moda no trajo, etc. parece constituírem factores aparentes de suma importância na desmoralização dos costumes. Mas, a verdade é que o Homem se desorientou neste fim de ciclo em consequência do extraordinário progresso científico, e esqueceu-se de acautelar os valores morais que o norteavam na vida. Isto deu origem que ele se afundasse ainda mais na matéria, perdendo-se.

A Terra entrou já na órbita de influência do Aquário, o que está causando certas perturbações, com tendência cada vez mais acentuadas para a decadência dos valores morais e das normas de conduta, por virtude de algumas desarmonias notadas entre os planetas que regem este "período negro". Naturalmente que a "época de Aquário" trará ao Homem novas condições de vida de harmonia com melhores estruturas sociais. Mas, urge salvaguardar o que de bom o Homem conquistou através de toda a sua longa evolução na Terra.

Ora, o pudor ou respeito próprio é um desses valores imperecíveis, pois insere-se simultaneamente no plano físico, moral, mental e espiritual. Daqui se depreende que o despertamento do pudor na criança resulta de uma necessidade natural, e é assaz delicado e complexo, não apenas quanto à sua extensão e intensidade ou rigidez, mas ainda quanto à sua natureza ou conteúdo. No futuro terá de desenvolver-se de modo natural, sem se manifestar com excessivos rigores, que originariam os complexos de Édipo, timidez, e outros, sempre prejudiciais, nem se expressar em atitudes ou comportamentos demasiado "livres", que a lançariam no campo da licenciosidade, como já se está a verificar.

Importa frisar, para que ela se torne púdica, que não interessa apenas o recatamento do seu corpo físico ante a presença de estranhos, mas sobretudo se mantenha recatada ainda quando se julgue só, quer se trate de rapariga ou rapaz.

Por um conceito errado da educação tradicional, consente-se, e advoga-se mesmo, que o rapaz exiba o seu corpo com mais sem-cerimónia que uma rapariga, justificando-se a diferença de comportamento na diversidade anatómica dos caracteres sexuais femininos e masculinos. Não vemos que vantagens na vida prática lhes dá essa "desenvoltura", a não ser a de maior facilidade e frequência nas práticas solitárias ou desonestas.

(Continua)

A. S. G.




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