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Seminário Maior Missão Apostólica da Graça de Deus Uma Visão Mundial Reitor: Doutor Miguel Ângelo da Silva Ferreira
Edição PORTAL GOSPEL Índice
Introdução ao Evangelho Capítulo 1 – O que é o Novo Testamento? Porque estudá-lo? Capítulo 2 – Como foi escrito o Novo Testamento? O que é criticismo? Capítulo 3 – Dados Históricos do Período interbíblico Capítulo 4 - A vida da Igreja no Primeiro Século Capítulo 5 – O Evangelho e a Vida de Jesus
Interpretação do Evangelho (Segundo os 4 Evangelistas)
Capítulo 6 - A Preexistência e Encarnação de Jesus Capítulo 7 – O Ministério de Jesus e de João Baptista
Interpretação das Epístolas Paulinas
Capítulo 08 – As Obras Literárias do Apóstolo Paulo Capítulo 09 – Romanos, I e II Coríntios e Gálatas Capítulo 10 – Efésios, Filipenses, Colossenses e I e II Tessalonicenses Capítulo 11 – I e II Timóteo e Tito Capítulo 12 – Filemon e Hebreus
Interpretação das Epístolas Universais e o Apocalipse Capítulo 13 – Epístolas Gerais: Tiago, I e II Pedro Capítulo 14 – I, II e III João, Judas e Apocalipse Guia de Estudo
QUE É O NOVO TESTAMENTO? POR QUE DEVEMOS ESTUDÁ-LO?
Antes de começar, propriamente o estudo dos livros do que tradicionalmente é conhecido como Novo Testamento, e, especialmente, os que registram a vida de Jesus Cristo e Actos, consideraremos, em primeiro lugar, alguns assuntos à guisa de introdução. Algumas perguntas de natureza introdutória podem ser apresentadas e consideradas com muita utilidade. Por exemplo: Que é Novo Testamento? Por que devemos estudá-lo? Como foi escrito o Novo Testamento? O que é criticismo do Novo Testamento? Também um resumo sobre o período interbíblico e a vida no primeiro século trarão mais entendimento acerca do fundo histórico do Novo Testamento, e assim, tornará o estudo mais inteligente e proveitoso. A natureza deste estudo não permite consideração de detalhe, apesar de sua importância, nos ocuparemos apenas com os aspectos mais significativos neste curso. 1 - QUE É NOVO TESTAMENTO? São dois os sentidos para expressão "Novo Testamento", o primeiro deles refere-se ao Novo Pacto que Deus consumou quando esteve na Sua manifestação de Filho, Jesus Cristo, e está revelado nas catorze Epístolas do Apóstolo Paulo. A palavra "pacto" significa "acordo" ou "contrato", entre dois ou mais partidos. Representa bem o acordo que Deus fez com os Seus filhos. O Velho Pacto foi estabelecido entre Deus e a nação israelita. Prometia a bênção aos fiéis e castigo aos infiéis (Ex24; Dt 5:24). Profetas se levantaram predizendo a necessidade de um Novo Pacto baseado na Graça e na relação individual com Deus (Jr 3.31-34). Este Novo Pacto foi o Pacto da Graça de Deus estabelecido por Jesus Cristo. Com este Novo Pacto, Deus faz acordo com indivíduos de todo o mundo, que Ele predestinou desde antes da fundação do mundo, criando um "novo Israel" ou "um povo escolhido" de todos que crêem em Seu Nome. Este "Novo Pacto" foi efectuado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. É, portanto, chamado "O NOVO TESTAMENTO". O segundo e mais conhecido sentido da expressão "Novo Testamento", usado pela tradição evangélica (lei), é o nome dado à colecção de vinte e sete livros que tem chegado a ser considerado como registro autêntico da revelação de Deus concernente ao Novo Pacto estabelecido por Jesus Cristo. Esta expressão era usada para distinguir as "Sagradas Escrituras" judaicas e as "Sagradas Escrituras" cristãs, conhecidas para nós hoje, como Velho Testamento e Novo Testamento. Os Livros do Novo Testamento O Novo Testamento, segundo a tradição (lei), é uma colecção de vinte e sete livros. O evento dinâmico da vida e ministério de Jesus resultou numa grande quantia de escritos na segunda parte do primeiro século d.C. Vários escritos sobre a vida e ministério de Cristo e o ministério de alguns dos primeiros discípulos estavam circulando e foram aceitos entre as igrejas cristãs. Logo, colecções de vários livros foram formadas e postas em circulação. Algumas consistem dos quatro Livros (Mateus, Marcos Lucas e João) e outras das cartas paulinas. Nos primeiros 50 anos do segundo século, essas colecções foram sendo juntadas e no final do segundo século, nos principais centros cristãos, todos os livros que agora compõem o Novo Testamento já estavam canonizados. O que a tradição evangélica chama de Evangelhos, segundo o original, são livros, estando o único e verdadeiro Evangelho revelado nas cartas de Paulo, conforme mostram Actos 20:24 e Romanos 2:16. Sobre a formação do Cânon do Novo Testamento, que não pode ser tratado aqui, basta-nos saber, por enquanto, que as escrituras do Novo Testamento foram escritas durante um período de 50 anos, mais ou menos, para chegarem a formar a colecção que se conhece actualmente como "NOVO TESTAMENTO".
Sua Autenticidade O Novo Testamento, no sentido geral (Epístolas e Livros), é um registro autêntico. É o único registro dos dias primitivos do cristianismo. Os livros do Novo Testamento foram escritos num período, em que outras escrituras, sobre esses assuntos também estavam sendo escritas. Outros estudos modernos têm sido concentrados nas formas literais do Novo Testamento, num esforço de ganhar novas compreensões sobre a formação e ensino. Nenhum desses estudos, porém, desenvolve necessariamente, qualquer alteração basilar na aceitação do Novo Testamento como um registro autêntico. A Revelação de Deus O Novo Testamento, as Epístolas de Paulo, e os demais Livros são um registro da revelação de Deus. Não é meramente uma cronologia de eventos, mas é um registro selectivo dos eventos que têm sentido especial, concernente ao tratamento de Deus com os Seus Filhos. O Novo Testamento registra e interpreta a revelação que Deus faz através de Sua manifestação de Filho, Jesus Cristo. Jesus Cristo é uma revelação de Deus (Hb 1:1). A revelação é a manifestação de Deus e envolve aqueles eventos que usou para se manifestar. O Novo Testamento é o meio pelo qual Deus se revela ao coração e à mente de quem Ele separou de antemão (II Co 5:19). Deste modo, a revelação de Deus através de uma escritura inspirada chega às mãos humanas. Basta reconhecer que desde os primeiros dias do Cristianismo, todos os 27 Livros do Novo Testamento têm sido considerados pelos cristãos como registro da inspiração divina da revelação de Deus, em Jesus Cristo. O Novo Pacto O Novo Testamento é o registro do Novo Pacto estabelecido por Jesus Cristo. É o Pacto da Graça de Deus, de melhores e superiores promessas, para os Seus eleitos. O Novo Testamento não relata somente a vida e ministério de Cristo, mas relata os eventos relacionados com o estabelecimento desse Novo Pacto. É o registro de feituras do Novo Pacto através de Jesus e o significado deste evento para os Seus discípulos. 2 - POR QUE DEVEMOS ESTUDÁ-LO? O impacto do cristianismo e de Jesus Cristo tem sido tão grande no mundo que todos os crentes devem ter um conhecimento profundo e acurado do Novo Testamento. Ser cristão sem um conhecimento profundo das Escrituras; e mais particularmente para nós os gentios; sem um conhecimento profundo do Novo Testamento é como tomar remédio sem ler a bula ou dirigir automóvel com carteira, mas sem nenhum conhecimento das leis do trânsito. Estudar para o seu próprio benefício e desenvolvimento espiritual. Quando o crente tomou conhecimento do Evangelho e confessou a Cristo como Senhor e Salvador, experimentou uma mudança de vida. Passou pelo "Novo Nascimento", começou a nova vida cristã, precisando agora de alimento espiritual para crescer e se desenvolver. O alimento espiritual do crente é a Palavra de Deus (I Pd 2:2-3), assim, cada crente deve estudar a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, para crescer na Graça e entendimento de nosso Senhor Jesus Cristo (II Pd 3:18). O cristão deve ler e estudar o Novo Testamento por motivos devocionais, isto é, para seu próprio benefício e desenvolvimento espiritual, principalmente as Epístolas paulinas, que particularmente são direccionadas aos gentios. Estudar para o Serviço e Testemunho Espiritual. Ao estudar com zelo, determinação e total submissão aos desígnios de Deus, o cristão estará apto para servir e evangelizar os outros. Com um conhecimento dos principais eventos do Novo Testamento, o crente se prepara para servir e ajudar os outros em suas necessidades espirituais. Por mais que o crente seja beneficiário do estudo do Novo Testamento e por mais entendimento que receba conduzindo-o em sabedoria divina, o melhor uso do preparo espiritual é trabalhar e testemunhar por Jesus Cristo entre aqueles que ainda não o confessaram como Senhor. Estudar para o entendimento espiritual da verdade e da vida. Muitas são as ondas de heresias que tentam enganar o verdadeiro crente. A menos que a sua confiança esteja ancorada na Palavra de Deus, o cristão não conseguirá lançar fora as tempestades das doutrinas falsas. Infelizmente, até pessoas boas e bem intencionadas têm caído no fracasso de aceitar e ensinar doutrinas que são contrárias ao Novo Testamento, por falta de conhecimento real da Palavra de Deus. Com um programa de estudos, o crente poderá melhorar seus conhecimentos e servir melhor o reino de Deus.
Capítulo II A Construção do Novo Testamento 1. COMO FOI ESCRITO O NOVO TESTAMENTO? O cristianismo tem o N.T. (considerando o sentido tradicional) como sua nova Escritura Sagrada. Os primeiros crentes, judeus que eram, aceitaram o Velho Testamento como Escritura Sagrada. Pode-se dizer verdadeiramente que o V.T. era a Bíblia de Jesus e dos primeiros apóstolos. Porém, antes do fim do primeiro século, alguns escritos foram produzidos e logo passaram a ser reconhecidos como tendo autoridade igual a do V.T. Aqui consideraremos alguns dos factores mais importantes que deram lugar ao corpo de escrituras cristãs que veio a ser chamado "O Novo Testamento". A dinâmica da vida e os ensinos de Jesus fornecem a base para o Novo Testamento. Por muitas gerações os próprios escritos hebraicos predisseram o evento de Cristo em suas escrituras. A realidade oficial do V.T. é a antecipação da era do Messias prometido. Jesus nasceu, e sua vida trouxe eventos que foram à base para uma nova colecção de Escrituras Sagradas. Jesus mesmo não deixou qualquer escrito, mas sua vida, seu ministério, sua morte e ressurreição produzem novas experiências e novo entendimento para os seus discípulos. Eles tornaram-se evidências de que Jesus era o Messias que viera estabelecer o Novo Pacto e iniciar o reino de Deus entre os homens. Os ensinos de Jesus sobre Deus, que, na realidade, eram sobre si mesmo, as curas maravilhosas e o seu próprio ministério, serviram de base para os novos escritos. 2. A DEMORA DE VINTE ANOS Mais ou menos vinte anos se passaram, depois da ascensão de Jesus, antes que fosse escrito qualquer livro das escrituras do Novo Testamento. Este facto pode vir como uma surpresa para muitos novos estudantes da Bíblia, mas são boas as razões para essa demora, a principal delas, mostra claramente a pureza dos discípulos ao escrever os livros do Novo Testamento. Não houve nenhuma intenção, da parte deles, de obter vantagens financeiras ou fama. O Velho Testamento Uma das principais razões da demora em escrever era a prática dos primeiros crentes de usar as velhas escrituras do V.T. como uma testemunha a respeito de Jesus Cristo. Jesus mesmo apropriara-se das escrituras hebraicas para explicar e interpretar a sua vida, seu ministério e sua morte. Os apóstolos fizeram o mesmo, para eles o V.T. eram as escrituras e nela acharam as provas dos direitos e das acções do Mestre (At 17.2,3). Um outro exemplo de como as escrituras do V.T. foram citadas como prova a respeito de Cristo é o Livro de Mateus. Só mais tarde surgiriam os primeiros indícios da necessidade de se construir uma literatura contendo a doutrina da Graça de Cristo Jesus. A Presença dos Apóstolos Outro factor responsável pela demora das escrituras era a presença viva dos apóstolos. Enquanto os apóstolos viviam, suas palavras e seus testemunhos eram mais poderosos e convincentes do que um registro escrito. Qualquer pergunta sobre a vida ou ensino de Jesus podia ser respondida simplesmente por consultar um dos apóstolos. O crescimento e expansão da igreja inviabilizaram a consulta pessoal e o falecimento de alguns incrementou o surgimento dos registros escritos. À volta de Jesus Ainda há outro factor importante: os primeiros discípulos esperavam a volta imediata de Jesus, sendo assim, eles estavam mais interessados na pregação do Evangelho do que em escrever livros que narrassem a história. Com o passar do tempo, sem à volta de Jesus e com a morte de alguns dos apóstolos, começaram então a fazer alguns registros dos acontecimentos. Assim, cerca de 20 anos depois do ministério de Jesus, as escrituras foram iniciadas. Os escritores foram inspirados a escrever por motivos puros, a fim de preservar a história de Jesus e de ajudar os novos convertidos em seus problemas. 3. FACTORES QUE INFLUENCIARAM A COMPOSIÇÃO DOS LIVROS Como já sugerimos, nenhuma das escrituras do N.T. foi composta por motivos literários. Dr. Carver diz: "Não houve ambição para a produção literária e não houve aperfeiçoamento em literatura" da parte dos apóstolos. Continua ele: "Eles acharam a si mesmos no curso da história com a chamada a registrar o que lhes foi dado". Com o cumprimento da missão de Jesus, os discípulos estavam preparados para escrever os registros sagrados. Consideremos agora, algumas das diversas condições que influenciaram a composição dos livros do N.T. Manuais Históricos A extensão do Evangelho por meio de activo esforço missionário resultou na necessidade de manuais históricos da vida e ministério de Jesus. Estas necessidades foram satisfeitas pelas composições dos Livros sinópticos - Mateus, Marcos e Lucas. Outros três livros que foram resultados do esforço missionário - Filipenses e III João que foram ocasionados por motivo de sustento financeiro para os missionários, e a carta a Filemon que teve em vista a reconciliação de dois adversários. A expansão Missionária O crescimento da igreja primitiva também foi motivo para que fossem escritos outros Livros. Enquanto a igreja cresceu e se estendeu por várias partes, surgiram muitos problemas, e alguns Livros do N.T. foram escritos para solucioná-los. O Livro de Tiago com o seu forte teor judaico, foi escrito aos cristãos judeus que vieram a pensar que, sendo salvos pela Graça, não havia necessidade de fazer boas obras. De maneira semelhante, I e II Tessalonicenses foram escritos às igrejas que conceberam a ideia errada sobre a Segunda vinda de Jesus. I e II Coríntios foram escritos por Paulo no esforço de resolver os muitos problemas daquela igreja em desenvolvimento. Alguns dos escritos do apóstolo são: Tito, I e II Timóteo, que tratam dos problemas de escolher líderes qualificados, isto é, pastores e diáconos. A Teologia Gálatas, Romanos e Efésios são os livros mais tecnológicos do N.T. e foram escritos para formular uma teologia propulsora às igrejas primitivas. A experiência cristã necessitava de formulação por meio de declaração teológica e, Paulo escreveu estes três livros para dar algumas formulações básicas sobre a experiência cristã de conversão, ou justificação da Graça pela fé. As Oposições Enquanto o movimento cristão crescia, houve oposições. "O judaísmo", outras religiões e filosofias o antagonizaram. No ambiente de oposição, alguns livros do N.T. foram escritos com a finalidade de combater as ideias hebraicas que tentaram penetrar na comunidade cristã. Deste tipo podem ser citados: Colossenses, Hebreus, Livro de João e sua primeira e segunda carta. As Perseguições Com a oposição, veio logo a perseguição. Para confortar e reanimar o povo de Deus os livros de Judas, I e II Pedro e Apocalipse foram escritos. Assim, a expansão missionária, o crescimento da igreja, o conhecimento teológico, a exposição perseguidora, contribuíram para a composição do N.T. 4. O PROCESSO DE COMPOSIÇÃO ENVOLVE DIVERSAS FONTES: Como, os Livros (evangelhos para a tradição - lei) foram produzidos, é assunto de muito estudo, mas aqui sugerimos apenas o processo provável, pelo que estas escrituras passaram a ser escritas até a composição final. Provavelmente, o primeiro passo foi o desenvolvimento de uma tradição oral. Enquanto os apóstolos pregavam e contavam suas experiências, as narrativas tenderam a tomar uma forma fixa. Alguns eruditos pensam que o Livro de Marcos segue a tradição de Simão Pedro. Sem dúvida, houve tradição oral de algum modo, e provavelmente algumas das narrativas orais foram anotadas e circuladas entre crentes primitivos. É natural pensar que algumas explicações logo foram acrescentadas às "testemunhas". Quando Marcos, Lucas e Mateus sentiram inspiração para escrever seus Livros, já existiam diversas fontes, como tradição oral, alguns documentos fragmentários, e muitas testemunhas oculares. Provavelmente Mateus, Marcos e Lucas usaram algumas ou todas estas diferentes fontes para composição de seus Livros. 5. A PRESERVAÇÃO DOS LIVROS DO N.T. RESULTOU DO VALOR DADO AOS ESCRITOS. Embora os manuscritos originais fossem escritos gerações atrás e tivessem todos perdidos, temos em mãos as escrituras do N.T. As primeiras escrituras foram de muita valia entre os crentes primitivos, e as igrejas que as recebessem, guardavam-nas como tesouro. Desta maneira, cópias foram feitas e circulavam entre as primitivas igrejas cristãs. As primeiras foram feitas em grego e depois traduzidas em outras línguas. As línguas mais comuns na época foram o latim, a siríaco e o egípcio. Em 1.456, a primeira impressão da Bíblia foi feita em alemão. Desde aquela data até hoje vem sendo impressa em diversos idiomas e distribuídas livremente entre o povo. Dos primórdios do cristianismo até agora temos mais ou menos 4.000 manuscritos descobertos, e com este número podemos estabelecer um texto autêntico do N.T. 6. QUE É CRITICISMO DO NOVO TESTAMENTO? Como já dissemos antes, não há em nossos dias manuscritos originais tanto quanto saibamos. Não temos as cartas originais de Paulo e nem os originais dos Livros, indicando que foram Paulo, Mateus, Marcos e Lucas seus respectivos autores; temos cópias das escrituras do Novo Testamento dos primeiros séculos cristãos. A palavra "criticismo" vem do vocábulo grego que quer dizer: "Pertencer ao Juízo", isto é, examinar as evidências. Logo, o estudo desta matéria tem por finalidade estabelecer um texto de confiança e jogar luz nos processos de composição e preservação dos livros neotestamentários. O criticismo, orientado por princípios sãos, não fere a verdade. Somente o erro e a falsidade têm algo a temer das suas conclusões. Há duas principais divisões no criticismo do N.T., são: Baixo criticismo textual e alto criticismo ou criticismo histórico. Criticismo Textual É o estudo para estabelecer um texto autêntico. Há manuscritos gregos, alguns em letras maiúsculas, e outros em letras cursivas. Também há tradução do velho latim em siríaco e em egípcio. Além desta tradução, há citações e alusões nos escritos patrísticos, isto é, nas escrituras dos líderes eclesiásticos, três ou quatro séculos depois dos apóstolos. O primeiro passo na preparação de um texto autêntico é coleccionar os velhos materiais. Por exemplo, em 1.930 novas descobertas de manuscritos antigos foram acrescentadas ao grande número de textos velhos. O segundo passo é comparar todos os manuscritos e submetê-los a uma censura textual. A maioria dos erros e diversidades de leitura nos manuscritos por parte dos copistas não são intencionais . Um certo estudioso disse; "Nenhum erro sério tem estado imperceptível em nosso Novo Testamento". Os iminentes Westcott e Hort disseram: “Se as trivialidades comparativas, como mudança de ordem, inserção ou omissão de um artigo como os nomes próprios, etc., são tiradas, as palavras em nossa opinião ainda sujeitas a dúvidas, são a milésima parte do N.T., isto envolve apenas meia página do Novo Testamento e nenhuma doutrina principal da fé cristã”. Criticismo Histórico É o que trata ou estuda historicamente o Novo Testamento. Esta disciplina dá atenção as circunstâncias que influenciaram a composição, a origem, o autor, a data, a autenticidade de cada escritura e ao processo de canonização de cada livro que compõe o N. T. Alguns problemas principais desta disciplina são: o problema cinético dos Livros, o problema do autor, da literatura joanina, o problema da data e do destino da carta aos Gálatas, o problema do autor de Hebreus e autenticidade de II Pedro. Dentro deste campo de estudo foi desenvolvida, nas últimas décadas, uma disciplina mais específica que se chama "criticismo literário". Este estudo focaliza o estilo, a língua, e a estrutura dos escritos com suas significações. Agora temos aqui o criticismo da fonte e criticismo da forma. O criticismo da fonte procura identificar as várias fontes que foram usadas na composição dos Livros cinéticos. Criticismo da forma é o que recebe mais atenção entre os teólogos neotestamentários, procura explicar a origem dos velhos escritos do oral. Os escritos da forma afirmam que as repetições das narrativas de Jesus têm uma forma fixa, afirmam eles, são realmente eventos que podem ser identificados e classificados. Por isso chegam até certo ponto, os críticos da forma, a dizer que as narrativas dos Livros entendidos, propriamente, nada revelam da história de Jesus, apenas o sentimento e o pensamento da igreja primitiva sobre ele. Também tem estabelecido fora de dúvida, que por mais fundo que se sonde o pensamento da igreja primitiva, aí está Jesus, adorando e proclamando como o Cristo, ao sobrenatural.
Capítulo III O PERÍODO INTERBÍBLICO Introdução No fim do V.T., os judeus estavam debaixo do reinado persa; no Novo Testamento estão debaixo do domínio romano. O V.T. nada fala sobre os partidos religiosos dos judeus, mas no N.T. há muitas referências aos fariseus, aos saduceus, aos essênios e aos escribas. Até o fim do V.T. não há influência grega sobre os judeus, mas a partir da primeira página do N.T. encontra-se uma grande influência grega. Há também mudanças nas doutrinas, especialmente nas doutrinas da imortalidade e da ressurreição. No V.T. há somente sombra destas doutrinas, mas no N.T. elas já estão em fase de maturidade. Podemos virar as últimas páginas do V.T. e num instante chegarmos as primeiras páginas do Novo Testamento, sem, entretanto, percebermos o grande período existente entre um e outro. Este período, do último profeta ao nascimento de Cristo, foi de quatrocentos anos, e se chama "período interbíblico", neste longo intervalo, houve muitos eventos na história que causaram as mudanças que encontramos nas páginas do N.T. e para melhores esclarecimentos, consideremos agora as principais divisões e os principais acontecimentos deste período fascinante. 1. PERÍODO PERSA (536 a 331 a.C.). A Babilónia era o grande poder mundial daquele tempo, conquistou Jerusalém, a capital dos judeus, que foram levados ao cativeiro. (II Rs.24:25, II Crôn.36). No ano 536 a.C. deu-se a conquista da Babilónia pela Pérsia, sob o reinado de Ciro, que decretou a volta dos judeus à Palestina. Durante este tempo, a Palestina pertenceu à Pérsia. Contudo, o governo dos judeus era semiteocrático, isto é, sob orientação sacerdotal. O sumo-sacerdote era realmente o regente dos judeus, que sob os reis persas, receberam tratamento justo e tolerante. Com isso os judeus puderam abandonar a idolatria, restaurar as Escrituras Sagradas, reconstruir o templo e estabelecer sinagogas em todo o país, usar a língua hebraica e um pouco do aramaico. Os reis persas durante este período foram:
2. PERÍODO GREGO (331-167 a.C.). Em 331 o domínio mundial da Pérsia passou à Grécia. Alexandre realizou vitórias fabulosas em seu breve reinado de doze anos, morrendo logo depois com 32 anos de idade. Das suas conquistas vieram duas contribuições importantes: a cultura grega e a língua grega, que se tornou universal, naquele tempo. Depois da morte de Alexandre, o império grego foi dividido entre os quatro generais de seu tempo; Tlemeu, Lisinachas, Gasander e Seleuco. E durante estes anos o V.T. foi traduzido para o grego pela chamada Septuagenta sob o domínio dos Tolomeus e em 198 a.C., ao siríaco, ficando sob este domínio até 167 a.C. Agora a coisa mudou, os judeus passaram a sofrer. Aticco colocou imagens nos lugares sagrados dos judeus e fez com que os judeus oferecessem sacrifícios aos deuses gregos, e por pouca coisa matou muitos deles e abominou o Templo de Jerusalém oferecendo sacrifício dum porco no altar. Aticco, em 169 a.C. destruiu o Templo, proibiu o culto a Deus Jeová e destruiu todas as cópias das escrituras que pôde achar. Neste tempo, obras apócrifas e pseudo gráficas foram escritas pelos judeus. Por causa da perseguição os judeus rebelaram-se contra os sírios na revolução chamada revolta dos Macabeus. 3. PERÍODO MACABEU (167 a 63 a.C.). A revolta dos judeus veio quando Etioco Epifânio mandou um comissário fiscal para forçar sacrifícios aos deuses gregos da aldeia de Medeina onde Matatias era sacerdote. Matatias era velho e sentindo renovadas as suas forças, derrubou o altar pagão e lançou a proclamação: "Independência! Independência!". Outros fiéis judeus ficaram ao lado de Matatias e um exército foi organizado. O filho mais velho de Matatias, Judas Macabeus, isto é, "Martelo", tornou-se um grande general, que na luta triunfou sobre os sírios. Matatias morreu em 166 a.C. e Judas, seu filho, retomou Jerusalém em 165 a.C. reedificando o Templo. Não podemos esquecer que Matatias era pai de cinco filhos, que após a sua morte o sucederam. Judas, no ano 166 a 161; Jónatas 161 a 144; Simão 144 a 135; João Erculano 135 a 106 a.C. que era filho de Jónatas. Os filhos de Matatias eram muito maus, foram mais políticos e menos espirituais, em certo ponto omitiram o poder e ofício do sumo-sacerdote. Em 63 a.C., Aristóbolo II e João Erculano II lutavam pelo ofício de Sumo-sacerdote com auxílio de Pompeu, general romano na região, que invadiu a terra para ajudar Erculano II. Com a chegada dos romanos ao solo dos judeus, a Palestina passou às mãos dos Romanos em 63 a.C. 4. O PERÍODO ROMANO (63 a 05 a.C.). Quando Pompeu conquistou Jerusalém em 63 a.C., Antipater, um itumeano foi designado regente da Judeia. Depois da sua morte, seu filho, Herodes o grande, ficou no seu lugar. Houve lutas pelo poder romano, Herodes ajudou Pompeu a lutar contra César, mas derrotado, Pompeu convenceu César a deixá-lo como regente, depois da morte de César, no ano 44 a.C., Herodes foi indicado pelos romanos, Rei dos Judeus. Sendo agora Herodes, rei dos judeus, casou-se com a neta de João Iracano II e nomeou seu cunhado Aristóbolo, Sumo-sacerdote. Por alguns anos reinou bem, contribuindo com algumas obras para agradar os judeus, construindo até mesmo o templo em Jerusalém, porém, nos anos de declínio de sua vida, Herodes o Grande, tornou-se cruel e brutal, matou três das suas esposas e muitos outros judeus, foram enquadrados na sua crueldade. Foi este rei terrível que estava reinando quando o Messias nasceu.
Capítulo IV A VIDA NO PRIMEIRO SÉCULO
Introdução Vamos considerar neste capítulo, alguns aspectos da vida, na era de Nosso Senhor Jesus Cristo. Consideraremos as condições políticas, morais e espirituais nos dias de Jesus, dando atenção às condições gerais do mundo, e depois as condições entre os judeus, no que se referia ao preparo para o advento do Messias. 1. AS CONDIÇÕES DO MUNDO EM GERAL. O mundo para o qual Cristo veio, trazia a marca do imperialismo grego, romano, e também a marca do pecado. O Governo. Cinquenta anos antes de Jesus nascer, a Palestina foi ocupada pelos romanos. Isso marcou a história do povo e de Jesus. Os romanos apoiavam uma política de latifúndio, com o objectivo de recolher trigo e vinho da Palestina, especialmente na Galileia, onde Jesus se criou. Os Romanos abriram muitas estradas para favorecer o seu comércio. A Palestina era um corredor especialmente importante para esse comércio. O templo frequentado por Jesus foi construído por Herodes, cerca de quinze anos antes do seu nascimento. No reinado da Palestina, Herodes o Grande foi indicado pelo imperador Romano e reinou até 04 d.C. Arquelau, filho de Herodes, escolhido pelos romanos, reinou até 06 d.C. e foi deposto; de 6 a 42 d.C., procuradores romanos (incluindo Poncio Pilatos 26 a 36 d.C.) governaram. De 42 a 44 d.C., Herodes Agripa I, foi rei, até a destruição de Jerusalém em 70 d.C. A cultura. A cultura do primeiro século era grega. A conquista romana do mundo serviu para espalhar mais a cultura grega. Os gregos deram muita atenção às belas artes, as pinturas e esculturas. Ainda no campo da educação estimaram a ginástica, corrida e desportos. Roma conquistou a Grécia com exércitos e a Grécia conquistou Roma com a sua cultura. Saturada pela cultura grega, a civilização Romana espalhou-se por todos os lugares por ela conquistados. A Sociedade. A sociedade do primeiro século estava composta de ricos, especialmente líderes políticos e generais de exército e de pobres, que na realidade era um povo comum, os escravos. Foi um tempo conturbado e violento. Muito desemprego e endividamento. Muitas revoltas e muita repressão policial, que culminou com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. A sociedade era montada no esquema de dominação: poucos com tudo e muitos sem nada. Os romanos mandavam, dominavam e exploravam. Houve também na época do império, grandes universidades e bibliotecas, mas a educação era limitada, pois somente os ricos e algumas pessoas da classe média tinham acesso à cultura. Grandes cidades como Roma, Corinto, Éfeso, Atenas, Alexandria e Filipos floresceram como centro de comércio e cultura. A Filosofia. As principais filosofias do século eram o epicurismo e o estoicismo, a filosofia primitiva grega na forma de Sócrates e Platão deu ênfase à metafísica. O epicurismo ensinou que o prazer e as diversões eram o principal alvo da vida e a pessoa devia procurá-los enquanto houvesse oportunidade. Zeno, o pai do estoicismo ensinou que o orgulho e o auto controle eram as qualidades preferidas. Quando os judeus encontraram a filosofia grega, tentaram explicar as filosofias de Sócrates e Platão, pelos ensinos de Moisés, segundo o Velho Testamento. O mais proeminente dos judeus foi Filo, durante esta era. A Moralidade. No mundo do primeiro século a moralidade era muito baixa. A razão disso é que houve a relação entre a religião e a moralidade. Os religiosos da época eram imorais; os deuses das religiões eram imorais e o povo se tornou imoral também, fazendo da prática imoral os ritos religiosos. Em tal ambiente, o divórcio, o infanticídio, tornaram-se comuns, como atesta os dizeres de Seneca, um líder romano, “o vício agora não esconde a si mesmo; ostenta-se diante dos olhos de todos. A inocência agora não é rara; cessou-se de existir”. A Religião. Não obstante aos muitos religiosos do primeiro século, a religião geral estava perdendo a sua influência. Os deuses dos gregos e dos romanos foram considerados como uma brincadeira, não satisfazendo assim as necessidades do coração romano. Foi quando muitos passaram a adorar a criatura. O imperador era louvado pelas suas vantagens materiais. Houve muitas religiões, mas poucas verdades. 2. AS CONDIÇÕES DO MUNDO JUDAICO. Jesus veio a este mundo e realizou seu ministério na terra da Palestina, o lar dos judeus. Por desinteresse do império romano, os judeus viveram separados da principal corrente da vida do primeiro século, deixando assim os aspectos que merecem a nossa consideração. A Vida Política. Neste período, a Palestina foi governada pelos romanos. Naquela nação de 280 quilómetros de comprimento e 176 de largura, houve seis divisões políticas, Judeia, contendo Jerusalém, o centro do judaísmo; Samaria, a região norte, onde moram os samaritanos; Galileia, norte de Samaria, onde moram muitos gentios; Pereia, a terra do oriente, do Jordão; Palestina, a região oriente da Galileia e norte da Pereia; Idecápolis, a região das dez cidades na secção norte leste do país. Em quase todas as cidades romanas houve colónia de judeus durante o império romano (At.2:6-11). Geralmente os judeus da dispersão moravam em bairros próprios e facilitavam muito a extensão do Evangelho por toda parte. A Vida Económica. O povo judaico estava carente de economia, devido à numerosa população dos impostos civis e religiosos. A pobreza e a fome espalhavam-se por todos os lados. As principais fontes de renda da época eram a cultura de uvas, criação de ovelhas e pesca. A Vida Doméstica, Familiar. As casas eram pequenas e pobres. O casamento era celebrado com grande festividade, só podia ser desfeito por divórcio. As crianças eram bem vindas nos lares, e havia boas relações entre pais e filhos. A Vida Religiosa. A parte mais importante da vida judaica era a vida religiosa. Os partidos religiosos, o templo, o sinédrio e as festas contribuíram para distinguir a religião dos judeus das demais no primeiro século. Havia sacrifício todos os dias e os sacerdotes realizavam, pelo menos, dois cultos diariamente. O sustento do templo era através da contribuição dos judeus, que entregavam a décima parte de suas vendas, isto é, os dízimos e outras ofertas. Havia naquela época sinagogas espalhadas por todas as partes. O templo era só para pregação e as sinagogas para ensino da palavra. O Templo era também para louvor a Deus. As festas religiosas foram a principal parte da vida religiosa dos judeus no primeiro século. Havia seis festas e três delas tiveram origem mosaica. A FESTA DE PURIM era celebrada no mês de Março, comemoravam a libertação dos judeus das mãos de Aman. A FESTA DA PÁSCOA era realizada em Abril e comemorava a libertação dos judeus dos egípcios. A FESTA DE PENTECOSTE comemorava a colheita do cereal, que era realizada cinquenta dias depois da Páscoa. O DIA DA EXPIAÇÃO, observado no fim do mês de Setembro, era um dia de jejum, não era festa. A FESTA DO TABERNÁCULO era uma celebração da experiência do povo hebraico na sua jornada do Egipto até a terra santa. A FESTA DA DEDICAÇÃO, era a última do ano, realizada em Dezembro, comemorava a purificação do templo por Judas Macabeus no ano 165 a.C. Os partidos religiosos. Os fariseus eram conservadores do judaísmo, rejeitando as ideias gregas e aceitando a tradição oral judaica e a doutrina da ressurreição do corpo. Os saduceus favoreciam as doutrinas gregas e as liberais. Os essênios, suas doutrinas tinham grande analogia, foi a dos primeiros cristãos. Dos partidos dos fariseus e saduceus, organizaram o sinédrio com 72 membros, que decidia todas as causas atinentes à Lei e dava sentenças, mas não teve autoridade para aplicar a pena de morte. 3. O MUNDO EM PREPARO PARA CRISTO E SEU EVANGELHO. Jesus Cristo veio na plenitude dos tempos (Gl. 4.4). Quando somente uma religião espiritual poderia encher o vazio coração dos homens, e satisfazer espiritualmente as suas necessidades. Jesus veio no tempo certo, preparado pelo próprio Deus. O império romano, as boas estradas, a educação, contribuíram para o grande acontecimento da história. Os judeus espalhados por todas as partes, organizados em colónia, serviram de ponto para propagação do Evangelho numa mesma língua; e foi por isso que se deu o rápido crescimento da igreja no princípio.
Capítulo V O EVANGELHO E A VIDA DE JESUS Introdução Vamos considerar agora o cumprimento da lei, segundo a visão da Graça de Deus, de acordo com Mateus, Marcos, Lucas e João; lembrando que para a tradição evangélica os Livros desses apóstolos são considerados evangelhos. Nos livros encontramos alguns relatos sobre a vida de Jesus, não obstante as diferenças dos escritores sobre o mesmo assunto. Nenhum destes livros é uma biografia completa de Jesus, porque todos omitem um período longo da vida de Jesus. Os evangelistas não tiveram a pretensão de escrever uma biografia, mas sim, narrar os factos mais importantes da vida e ministério de Jesus.
1. O LIVRO DE MATEUS. É o que ocupa primeiro lugar no N.T. segundo a canonização. Como todos os Livros que relatam Jesus cumprindo a lei, o propósito de Mateus é o de transmitir os ensinamentos autorizados de Jesus e de sua pessoa, cuja vinda marca o cumprimento das promessas de Deus e a presença do reino de Deus. Mateus não faz nenhuma divisão entre história e teologia. Sua história é base de sua teologia, e a teologia dá o seu próprio significado à história. Autor. Na realidade o Livro não diz quem é o autor. Não se acha uma frase afirmando que foi escrito pelo apóstolo Mateus. Contudo, mesmo que não haja evidência interna no Livro, há muitas tradições antigas que afirmam ser ele o autor. Mateus era cobrador de impostos e como tal conhecia bem o grego, a língua do comércio. Mateus era judeu e escreveu principalmente para os judeus. Data. Alguns eruditos pensam que Mateus escreveu o Livro em aramaico e depois o reescreveu em grego; mas os manuscritos existentes sobre este livro são em grego. Contudo, Papias no ano 130 d.C. disse assim: “Mateus tinha escrito a logia em aramaico. Talvez Mateus tenha feito um rascunho em aramaico e depois passado para o grego nos anos 50 D.C”. Destinatário. Este Livro foi escrito principalmente para os judeus. Alguns dizem que foi escrito para os judeus crentes em Jerusalém, que estavam passando por perseguições. No livro há mais ou menos 65 referências aos versículos do V.T.. Propósito. Mateus escreveu para confirmar e provar que a mensagem de Jesus não era uma contradição do V.T., mas que confirmava a promessa de Deus feita a Abraão e David. Este Livro gira em torno do assunto, o rei dos judeus e o reino, e sem dúvida é o mais judaico de todos os Livros. 2. O LIVRO DE MARCOS. É o mais curto dos quatro Livros, e tem ocupado a atenção dos estudantes do N.T. por muito tempo. É pequeno em tamanho, mas grande em importância. Autor. O Livro não indica o nome do autor. A tradição primitiva outra vez menciona o nome do autor. A evidência é de Papias que disse que Marcos escreveu tudo o que ele podia lembrar a respeito de Cristo. Marcos, ou João Marcos, era filho de Maria e primo de Barnabé. A casa de sua mãe era lugar das reuniões dos discípulos de Jesus. Alguns dizem que Jesus celebrou a Páscoa e instituiu a ceia naquela casa. Marcos acompanhou Paulo e Barnabé numa parte da primeira viagem missionária. E por último, andou com Pedro, com quem teve maiores experiências. O autor não era apóstolo, mas escreveu do ponto de vista de um apóstolo, o apóstolo Pedro. Data. Todos os estudiosos colocam a data deste Livro antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C., alguns dizem, que este Livro foi escrito primeiro e se tornou a base para Mateus e Lucas, e há evidências que sugerem que Mateus e Lucas usaram o Livro de Marcos em suas obras. Provavelmente este Livro tenha sido escrito de 50 a 60 d.C. Destinatário. Algumas evidências mostram que Marcos escreveu seu Livro em Roma para atrair os romanos. Este Livro tem pouco sobre os discursos de Jesus, mas descreve 18 milagres e obras extraordinárias. Propósito. O Livro de Marcos foi escrito para apresentar Jesus Cristo à mentalidade romana. Seguindo a cronologia mais histórica, este Livro dá ênfase a Jesus como pessoa de poder extraordinário e assim demonstra sua divindade através dos milagres. 3. O LIVRO DE LUCAS. Colocado em terceiro na ordem dos Livros que relatam o Jesus nos dias em esteve em carne, Lucas também foi escrito em grego. O grego do Livro de Lucas é mais clássico do que encontramos na maioria dos escritos do N.T. Autor. O livro não diz expressamente quem é o autor, mas há algumas evidências fortes. Por exemplo: o livro foi escrito a Teófilo bem como o livro de Actos, de cujos livros o autor é um só. Em Actos 16, há referências do tipo, "nós", que somente Lucas pode satisfazer. E há também outras provas a respeito; Lucas era médico e companheiro de Paulo em algumas de suas viagens missionárias, e isso ficou bem narrado. Outra prova é a tradição primitiva que indica Lucas como autor deste Livro e do Livro de Actos. Lucas era o único gentio autor do que comumente é considerado Novo Testamento. Data. Todos os estudiosos concordam que o Livro de Lucas foi escrito antes do Livro de Actos. A prisão de Paulo foi em 61 d.C. e o livro de Actos foi escrito no mesmo tempo, assim sendo, concordamos que o Livro de Lucas tenha sido escrito primeiro, e a data provável é entre 55 e 60 d.C. Destinatários. O livro foi endereçado a Teófilo, que provavelmente era um crente de recursos que patrocinava as obras escritas por Lucas. Não obstante Lucas ter escrito pessoalmente a Teófilo, indirectamente escreveu para a mentalidade grega, que representava a cultura, filosofia, educação e beleza da época. Propósito. Lucas escreveu este Livro para dar aos gregos um registro sobre a pessoa de Jesus Cristo; especialmente, escreveu a Teófilo, apresentando Jesus como Redentor da humanidade. 4. O LIVRO DE JOÃO. O Livro mais conhecido e mais querido de todos é o de João. A simplicidade do Livro e a clareza o fazem favorito dos milhares de crentes. Por outro lado, a profundidade teológica tem fascinado muitos teólogos. Autor. Entre o círculo teológico há muitas questões sobre o autor deste Livro. Muitos pensam que João, o presbítero de Éfeso, foi o autor, outros argumentam em favor do apóstolo João. Em nosso ponto de vista, a evidência está do lado do apóstolo João. Em primeiro lugar, porque a tradição primitiva da igreja sempre acreditou que João, o apóstolo, fosse o autor. No capítulo 21:20-24, o Livro diz que o autor é o discípulo que Jesus amou e este tem que ser o apóstolo João. Ele era filho de Zebedeu e sua mãe era irmã de Maria, a mulher que concebeu Jesus. Era então primo de Jesus. Anteriormente João era discípulo de João Baptista. Viveu em Jerusalém por muito tempo e depois fez residência em Éfeso, onde o Livro foi escrito. O Livro está escrito segundo o ponto de vista de um apóstolo da Palestina e de uma testemunha ocular. O apóstolo João satisfaz plenamente estas exigências. Data. Não existem muitas questões sobre a data de escrita do Livro de João. Provavelmente a data é cerca de 85 d.C. ou 90 d.C. A tradição da Igreja Primitiva sugere que João escreveu o seu Livro beirando o fim de sua vida, em torno do ano 90 d.C. O próprio autor descreve seu propósito ao escrever: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). Destinatário. Também sobre os destinatários deste Livro, não há questão. Quase todos os estudiosos aceitam a igreja em Éfeso como os primeiros recipientes desta obra. Propósito. O autor presume um conhecimento dos outros livros, todavia, para iluminar o sentido mais profundo da pessoa e obra de Jesus Cristo. O propósito está bem declarado em João 20:31. "Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, para que crendo tenhais em seu nome". A tese do livro é a seguinte: "Jesus Cristo, o Filho de Deus" (para nós, manifestação de Filho). Todos os incidentes e ensinos de Jesus narrados no Livro foram escolhidos para provar essa tese. Confirmar a fé dos crentes e ganhar novos discípulos para o Mestre. Combate também algumas ideias sobre Jesus naquele tempo, ideias essas, que diziam que Jesus não era filho de Deus. Depois deste breve resumo sobre os quatro Livros que compõem tradicionalmente o N.T., torna-se claro, que nenhum deles foi escrito para dar uma biografia de Jesus Cristo, porque nenhum deles teve o objectivo de apresentar a vida completa de Jesus (vejam Jo. 20:31). Apresentam a obra principal de Jesus, cumprir a lei para estabelecer o Novo Pacto, mas cada um apresentou Jesus de acordo com seu próprio ponto de vista - Mateus mais para os judeus, Marcos mais para os romanos; Lucas mais para os gregos e João para todos. Ao invés de termos uma biografia da vida de Jesus, temos quatro testemunhas de um maravilhoso evento; a presença do próprio Deus entre os homens. 5 - AS PRINCIPAIS SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O LIVRO DE JOÃO E OS OUTROS. Os quatro primeiros livros do Novo Testamento são chamados de “evangelhos” pela tradição (lei), mas em essência tratam do cumprimento e o consequente término da lei. Vale lembrar mais uma vez que o único Evangelho é o da Graça de Deus. Todos estes livros tratam da vida e obra de Jesus Cristo e assim têm muita semelhança. Há também diferenças maiores entre os quatro primeiros livros do N.T.. Mateus, Marcos e Lucas são chamados "sinópticos", isto é, ver com visão de conjunto, resumo, síntese (com o mesmo ponto de vista). Estes Livros têm semelhança em ordem, assuntos e narração; entretanto o Livro de João não tem a ordem semelhante, nem os mesmos assuntos. Há semelhanças, mas as diferenças não são mais notáveis. Consideremos as semelhanças e diferenças principais. As diferenças entre João e os sinópticos são poucas. Há semelhança no assunto principal, nas doutrinas apresentadas e na ordem geral da cronologia. O assunto principal. O assunto principal é Jesus Cristo. Sem dúvida Ele é o carácter principal de todos os Livros. Também é apresentado como divino, a pessoa que faz milagres. No assunto principal, os quatro Livros são semelhantes. A Ordem Geral. Considerando os pontos principais no ministério de Jesus, há uma semelhança na ordem geral da cronologia. Todos relatam que o ministério de Jesus estava ligado ao ministério de João Baptista, e começam as narrativas do ministério de Jesus com sua experiência com João. Todos falam dos apóstolos e sobre a sua atenção especial ao treinamento que Jesus lhes deu. O crescente conflito entre Jesus e os líderes religiosos está bem representado nos quatro Livros. Finalmente, todos dão mais atenção aos últimos eventos da vida de Jesus, tal como: a prisão, o julgamento, a morte e a ressurreição. Então a ordem geral do ministério de Jesus é semelhante nas quatro obras. As doutrinas básicas. Todos os Livros apresentam algumas doutrinas básicas da fé cristã, por exemplo, a divindade de Jesus. A encarnação de Jesus é advogada por todos. O conceito de Deus como o Pai Celestial e a doutrina do Espírito Santo são mencionados nos quatro Livros. As diferenças Sendo os quatro Livros semelhantes. João é diferente dos outros no estilo, conteúdo e propósito. Diferenças no estilo. Os sinópticos relatam muitas parábolas de Jesus, e João não faz menção de qualquer parábola. Os sinópticos relatam discursos públicos como a discussão com Natanael, com Nicodemos e a Mulher Samaritana. João dá mais ênfase às palavras de Jesus do que aos seus milagres, quer dizer, a atenção de João está mais nas coisas que Jesus falou do que nos milagres feitos por Ele. A ideia chave dos sinópticos é "O Reino de Deus", no livro de João é a "Vida Eterna". Talvez a maior diferença do estilo entre João e os sinópticos seja a apresentação de Cristo. Os sinópticos apresentam mais o lado humano de Jesus, João não relata experiências, como a tentação, a agonia de Jesus no Jardim e o grito na cruz. João apresenta um quadro de Jesus mais desenvolvido, mais teológico e mais espiritual. A ênfase dele recai nos aspectos eternos da pessoa e da obra de Jesus Cristo. Explicando: os sinópticos são mais uma apresentação de Jesus Cristo e João, uma interpretação, por isso, João usa mais o tempo presente. Diferenças de conteúdo. Nos sinópticos o Ministério mais importante é o de Jesus na Galileia, no qual, percebemos a ideia de que o ministério público durou apenas um ano. Em João, o ministério com mais ênfase é o de Jesus na Judeia. Neste livro temos a certeza de que o ministério de Jesus durou pelo menos três anos, e além das quatro pessoas mencionadas no seu Livro, ele inclui algumas experiências como: a primeira purificação do Templo, a chamada de alguns discípulos na Judeia, a ressurreição de Lázaro, a lavagem dos pés dos discípulos e algumas aparições depois da ressurreição. Além das experiências, há vários discursos que João inclui no seu Livro, que não são encontrados nos sinópticos. Há também o discurso aos discípulos nos últimos dias de Jesus, que não é encontrado fora do Livro de João. Diferenças no propósito. Os sinópticos foram compostos cerca de trinta anos depois do ministério de Jesus e é uma obra de registros e histórias. Os sinópticos foram escritos para prover manuais missionários sobre a vida de Jesus. Todavia, o Livro de João é naturalmente mais reflexivo e interpretativo. Quanto às semelhanças e diferenças, alguns dizem que é impossível harmonizar o quadro de Jesus e Seu Ministério pintado pelos sinópticos, com aquele encontrado no livro de João. Outros, como o Dr. Robertsom, pensam que João se harmoniza perfeitamente com o Livro de Lucas. É importante observar que João escolheu muitos tópicos não relatados nos sinópticos. Nos aspectos históricos, o registro de João suplementa ou harmoniza-se muito com o Livro de Lucas. 6 - HARMONIA DOS LIVROS QUE TRATAM DA VIDA DE JESUS NO CUMPRIMENTO DA LEI Nenhum dos Livros dá todos os aspectos e detalhes desta maravilhosa pessoa (Jesus Cristo). Os evangelistas focalizam a pessoa de Jesus Cristo, mas de ângulos diferentes. Por isso temos nestes Livros detalhes frequentemente diferentes em foco. Por exemplo, em todos eles há experiências de Jesus que não se encontram nos outros. Só Mateus registra a cura de um mudo (Mt 9:31 a 33); Só Marcos registra a cura de um cego (Mar 8:22 a 26); Só Lucas registra a cura dos doze leprosos (Lc 17:11 a 19); e só João relata a ressurreição de Lázaro. Alguns estudantes do Novo Testamento têm se preocupado em encontrar meios para harmonizar os eventos a fim de que tenham um quadro mais detalhado. Harmonizar quer dizer identificar os mesmos eventos, na vida de Jesus, e colocá-los numa certa ordem. A primeira harmonização dos Livros foi feita cerca de 160 d.C. na língua Síria. Um certo Taciano combinou os quatro Livros num só, omitindo as repetições e fundindo as narrativas que tratavam do terceiro século cristão. Amônio dividiu os Livros em secções enumeradas, dispondo-as em colunas para facilitar o estudo comparativo. Este arranjo tem facilitado muito o estudo dos Livros que relatam os dias da carne de Cristo. A.T. Robertson disse que uma harmonia dos Livros é um dos livros essenciais para um estudo sério da vinda de Jesus. O Problema de uma Harmonia dos Livros. Como é difícil cortar partes dos quatro quadros e depois colar em um só, é difícil harmonizar completamente esses Livros. Para os harmonizarmos só temos que fazer uma cronologia. Como se explica a concordância e a divergência em certos eventos dos Livros sinópticos? A dificuldade de achar uma explicação satisfatória em todas as coincidências e em todas as variações nos três Livros chama-se, entre os críticos "o problema sinóptico". Como dois exemplos deste problema citamos os registros sobre João Baptista e sua pregação (Veja Marcos 1:12; Mateus 3:1 a 12; Lucas 3:1 a 18) e também os descritos da epígrafe, em cima da cabeça de Jesus, enquanto estava na cruz (Veja Marcos 15:26; Mateus 27:37; Lucas 23:38 e também João 19:19). Alguns pensam que as semelhanças e diferenças são mais bem explicadas através da hipótese da tradição oral. Dizem que a repetição da pregação dos eventos na vida de Jesus deu uma forma fixa às narrativas, mas com variação em certas palavras e detalhes. As outras hipóteses explicam o problema na base do documento escrito. Geralmente se diz que o livro de Marcos foi escrito primeiro. Mateus usou a obra de Marcos com outras, e Lucas usou as obras de Marcos e Mateus e de outros também. Dizem os experientes dessa hipótese que Mateus e Lucas, especialmente, eram interdependentes de Marcos. Geralmente os documentos são identificados com o Livro de Marcos e a logia, ou uma colecção suposta dos ditos de Jesus. Em último lugar, há estudantes que advogam o uso de muitos documentos como as fontes dos Livros sinópticos. A Conclusão dos Eruditos sobre o Problema Sinóptico. Os estudiosos da Bíblia, em sua maioria, aceitam a hipótese dos dois documentos principais. O Livro de Marcos é agora universalmente aceito como o mais antigo dos sinópticos. Então a primeira conclusão dos eruditos é a prioridade de Marcos, quer dizer que Mateus e Lucas usaram a obra de Marcos em seus Livros. Sugestões a serem consideradas. A harmonia dos Livros não é um arranjo feito pelos autores, mas pelos estudantes. Os propósitos de uma harmonia são indiferentes. Os Livros foram escritos para apresentar Jesus como o Cristo que veio cumprir o Velho Pacto para estabelecer o Novo. É exactamente isto que encontramos no problema sinóptico; nenhuma explicação pode resolver todas as questões das semelhanças e diferenças entre os três sinópticos. São realmente suplementos da história e aspectos verdadeiros duma perspectiva diferente.
Capítulo VI A PREEXISTÊNCIA DE JESUS Introdução Mateus começa com a genealogia de Jesus, e indica que Jesus na carne é descendente de Abraão. Porque Abraão é "Pai" dos judeus. Marcos iniciou o Livro com o ministério de João Baptista, porque era necessário ao seu propósito; Lucas começa com fundo histórico do nascimento de Cristo. João começa lá na eternidade, declarando que Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, o próprio Deus. 1. ESBOÇO DE JOÃO 1:1 a 8. Assunto geral, Jesus Cristo, o Verbo, é Deus. Subordinado a este tema trata a preexistência do Verbo na criação, a encarnação do Verbo e a missão do Verbo. A Preexistência de Jesus O Verbo existiu no princípio (Gn 1:1). O Verbo estava com Deus, o Verbo era Deus. Na primeira fase, há um artigo definido com termo "Deus" mas na segunda fase falta o artigo com aquele termo: O Verbo estava numa relação igual com a da divindade total, mas o Verbo era Deus. João queria ligar estas ideias ao Cristo. Verbo é raciocínio de Deus. Sendo assim, Cristo, sendo Deus, preexistiu antes da sua entrada no mundo como Jesus o Nazareno. Jesus e a Criação Este Verbo (Cristo, a palavra viva) teve papel importante na criação do mundo, todas as coisas foram feitas por Ele. De facto, o Verbo era agente directo, mentor e participativo da criação. Na realidade, Jesus, o Nome de Deus, era o Criador. Jesus Se Fez Carne O Verbo preexistiu na eternidade, e agora entra numa história humana. Em geral, o mundo não percebe a chegada do Verbo, especialmente, o Seu próprio povo, mas a todos quanto receberam o Verbo encarnado, experimentaram o poder de Deus e tornaram-se filhos de Deus. O Estabelecimento da Graça João indica a missão do Verbo no mundo: inaugurar uma nova era da Graça. A era da Lei foi estabelecida por Deus através de Moisés e permaneceu até a morte, ressurreição e glorificação de Cristo. Deus trata de todos os predestinados, não na base da Lei, mas da Graça. 2. ENSINOS PRINCIPAIS DE JOÃO 1:1 a 19. João está escrevendo para nós e afirma que Jesus é o Cristo, o próprio Deus. Claramente declara a preexistência de Jesus como o Verbo e a encarnação do verbo. O significado da experiência de Jesus. João indica que Jesus não era uma pessoa comum, mas divino. Introduz uma doutrina básica no cristianismo: A divindade de Jesus. Conceitos principais. Há um só Deus, o qual está manifestado em três formas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não há três Deuses, nem pessoas distintas de uma trindade celestial. Há, sim, uma Trindade. Nós existimos a partir do nosso nascimento, mas Jesus não, porque Ele é o próprio Deus, logo, eterno. A Dupla Natureza de Jesus Deus encarnado mostra o grande amor que Ele tem para com os predestinados. Jesus como Verbo encarnado era humano e divino ao mesmo tempo (Fil 2:5 a 11), ou seja, Ele era 100% homem e 100% Deus. 3. A GENEALOGIA DE JESUS E OS PRINCÍPIOS DO SEU NASCIMENTO. A vida terrena de Jesus. Ele como homem entrou no mundo pelo nascimento, mas não foi comum como os outros. Mateus e Lucas Estes evangelistas relatam a genealogia embora de formas diferentes, Mateus dá a linhagem geral e Lucas a real. Esta teoria sugere que Eli e Jacob na lista de Lucas fossem meio irmãos e Jacob casasse com a viúva de Eli e então era o pai verdadeiro de José. Mateus dá a descendência natural de José, de Lucas e de Maria. Na listagem de Mateus há quarenta e dois nomes porque ele inclui o de David para ser contado na primeira e segunda divisão, enquanto que o nome de Jaconias foi contado na terceira divisão. Mateus não se limitou simplesmente a copiar a genealogia histórica de José. Ele pretendeu mostrar que Jesus era um descendente de David. O Nascimento de Jesus O nascimento de Jesus e de Baptista são fora do comum, isto porque quebram o longo silêncio de quatrocentos anos e proclamam o próximo início da nova era. O primeiro anúncio, nascimento precursor do Messias. Durante o reinado de Herodes o Grande, um sacerdote piedoso, já velho, por nome Zacarias, recebeu a visita do Anjo Gabriel lhe anunciando que teria um filho que seria o precursor de Cristo. Por falta de fé, Zacarias ficou mudo até o nascimento do filho. Deus escolheu este casal piedoso para participar no preparo do Messias. A anunciação de Jesus à virgem Maria (Lucas 1:23-38). O anjo Gabriel apareceu à Maria, na cidade de Nazaré. Maria era jovem, virgem, e estava noiva de José. Quando o anjo anunciou que ela daria a luz ao MESSIAS, Maria ficou perplexa, porque era virgem. Ele explicou que o nascimento seria fora do comum, nascimento virginal. Ela aceitou humildemente. Depois do anunciado, ela foi a Judeia visitar Isabel, Maria experimentou grande alegria, até compôs um hino, "O Magnificat" - Este cântico revela a grande espiritualidade e fé. Três meses depois, quando Maria já havia voltado, aconteceu o nascimento de João Baptista. (Lucas 1:39-56) José percebeu que Maria estava prestes a ser mãe, então resolveu deixá-la secretamente. Este ato benigno que o carpinteiro ia realizar mostra, também, que era uma pessoa de fé. Pela terceira vez o anjo apareceu a José em sonho para falar do nascimento do Messias, convenceu José que o nascimento do menino de Maria era obra de Deus e que não devia abandoná-la. Depois José tomou Maria como esposa. Porém, a Bíblia diz claramente que eles não tiveram relações sexuais até o nascimento de Jesus. 4. NASCIMENTO E JUVENTUDE DE JESUS (Lucas 2:1 a 52; Mateus 2:1 a 23) É interessante que Cristo entrasse no mundo como bebé, depois um adolescente, jovem e finalmente passou a ser adulto, portanto não foi esta a parte mais importante de sua vida, mas sim o seu ministério e o estabelecimento do novo pacto. Os autores incluíram o suficiente sobre o nascimento para indicar que Jesus, além de ser humano, era pessoa sobrenatural. Data Lucas coloca o advento durante o reinado de César Augusto, quando Quirino era governador da Síria. Para satisfazer o decreto, José e Maria fizeram a longa jornada a Belém, conforme a profecia, Jesus nasceu. Quando Jesus nasceu o tempo era calculado no império romano pela data da fundação de Roma. Aquele calendário serviu até 526 d.C. quando o imperador mandou um monge chamado Dionísio Exíguo fazer o calendário cristão. Calculado a partir do nascimento de Cristo, para substituir o Romano. A circuncisão de Jesus. (Lucas 2:21). O Messias foi circuncidado. Era um costume judaico dar o nome ao menino na ocasião de circuncisão (Lc 1.59; 2.21). A redenção do primogénito obedecia à lei de Êxodo 13.1-6 e a purificação da mãe obedecia a Levítico 12.1-6. A apresentação no Templo. (Lucas 2:22 a 30). Cerca de quarenta dias após o seu nascimento Ele foi levado ao templo. A oferta das pombas indica que José e Maria eram pobres (Lev 12). Lá no templo encontraram o velho profeta Simeão, um homem idoso, justo, temente a Deus, vigilante, iluminado, instruído, esperançoso, guiado, satisfeito e profeta, que considera Jesus a própria salvação e não apenas quem nos traz a salvação. Simeão e Ana, ambos de idade avançada, são conservados até poderem, afinal, ver a salvação de Deus e testificar aos que esperavam a redenção de Israel. Foi na casa de oração que constantemente frequentavam, que isso se realizou. A Visita dos Magos do Oriente. (Mt 2:1 a 12). Mateus indica que o casal e o menino ficaram alguns dias em Belém e depois foram ao Egipto para escapar à ira de Herodes. Mostrou que alguns dos gentios o reconheceram como o Rei dos Judeus. Não sabemos quantos eram os magos que vieram da Pérsia, vieram porque talvez gostassem do estudo de astronomia. Eles foram guiados pela estrela que levava até a casa onde ficou o Cristo. A fuga e a matança dos meninos. (Mt 2:13 a 18). Quando Herodes percebeu que os magos não voltariam deu ordem para matar os meninos. Felizmente o casal avisado por um anjo do Senhor antes da má ordem fugiu para o Egipto com o menino. A volta do Egipto para Nazaré (Mat.2:19 a 23). Outra vez o anjo informou sobre o cuidado com o menino e sobre a morte de Herodes. Esta foi uma notícia boa, porém o casal ao invés de voltar para a Judeia foi para Nazaré, na Galileia. Nesta região que Jesus cresceu e se desenvolveu. A Juventude de Jesus. (Lucas 2:41 a 52). Há apenas um vislumbre sobre a juventude de Jesus. Ele cresceu normalmente em todos os aspectos da vida. Provavelmente Ele morou numa casa modesta e assistiu às aulas da sinagoga, teve pelo menos cinco irmãos, sem dúvida teve uma vida doméstica feliz. Ao chegar a idade de 12 anos, conforme o costume judaico, Jesus foi a Jerusalém para ser apresentado ao Rabi e participar do culto. A Visita a Jerusalém aos 12 anos. (Lucas 2:41 a 50). José e Maria queriam que Jesus participasse de todas as manifestações importantes da vida judaica, mas não entenderam bem sua missão. Jesus então disse, não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? Mais dezoito anos em Nazaré. (Lucas 2:51 a 52). Depois, Jesus voltou a Nazaré e ficou ali mais ou menos dezoito anos até o sacrifício do ministério público. Ele trabalhou como carpinteiro com José. Crescia em sabedoria. Jesus esperou muitos anos se preparando até o tempo próprio, quando realizaria sua missão de cumprir a lei, para que, depois de glorificado estabelecesse o Novo Pacto entre Ele e os gentios predestinados.
Capítulo VII OS MINISTÉRIOS DE JESUS E DE JOÃO BAPTISTA 1. O INÍCIO DO MINISTÉRIO DE JOÃO BAPTISTA Os ministérios de João Baptista e de Jesus estavam mutuamente ligados de acordo com os propósitos de Deus. João veio preparar os corações para a chegada do Messias. Jesus é o clímax da revelação da Graça de Deus. O Ministério de João Baptista João Baptista preparou o caminho para o Messias, pessoas de todas as classes foram ouvir o pregador esquisito no deserto, e ficaram impressionados que um profeta verdadeiro fora levantado. O Tempo do Ministério de Baptista. A data é 25 a.C. os Livros sinópticos ligaram o ministério de Baptista com a profecia de Isaías. Por seis meses mais ou menos realizou o seu ministério na região do Jordão. O Baptismo e a Pregação de João Baptista. Baptismo e sua mensagem. Expressão visível de arrependimento e preparo, porém, após a Graça de Deus, tornou-se um rudimento. A vinda do Messias é o ponto principal da pregação de João, e o baptismo, o preparo necessário para a vinda do Messias. A proclamação fiel desta mensagem pelo pregador despertou o país judaico. O povo começou a preparar-se para se encontrar com o Messias. A antecipação messiânica subiu ao ponto mais alto. 2. O INICIO DO MINISTÉRIO DE JESUS. (Mc 1:12-14; Mc 3:13 a 4:12; Lc 3:21 a 4;13 e Jo 1:19 a 4:42) Os autores sinópticos, não incluem em seus escritos o ministério inicial de Jesus. Contudo, sabemos sobre este ministério, no Livro de João. Este ministério durou oito meses a um ano, período chamado "obscuridade", realizado principalmente na Judeia. Os sinópticos comentam sobre o período de "popularidade". O Baptismo de Jesus. (Mc 1:9-11; Mt 3:13+17; Lc 3:21-22). O baptismo de Jesus marca o seu início no ministério público, João menciona que Jesus tinha 30 anos de idade quando foi baptizado por João Baptista no Rio Jordão. Depois deste acontecimento o Espírito Santo desceu em forma de pomba e na voz do céu falou: "Este é o meu Filho Amado, em quem me comprazo". A Tentação de Jesus. (Mc 1:12-13, Mt 4:1-11). O Espírito Santo levou Jesus ao deserto onde ficou na solidão durante 40 dias, a primeira pessoa que apareceu a Jesus foi o diabo para tentá-lo. O diabo tentou a Jesus para desviá-lo do caminho do sofrimento, pois sabia que este veio estabelecer o Novo Pacto e prever a salvação para os predestinados, através do seu sofrimento e morte. Tentou a Jesus para usar suas forças divinas, para satisfazer suas necessidades físicas ao induzi-lo a transformar pedras em pão. O Testemunho de João perante uma comissão vinda de Jerusalém. (Jo 1:19-28). João omite muitos acontecimentos da vida de Jesus, e começa a narrativa do ministério público de Jesus com o testemunho de João diante da comissão do Sinédrio. A comissão foi a João para saber se era ele o Cristo ou não, pois acreditavam que João fosse o Cristo. Jesus identificado como o Cordeiro de Deus. (João 1:29-34). Depois da entrevista do sinédrio, João viu a Jesus e clamou: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", deu o testemunho que Jesus era o Messias. Os Primeiros Discípulos de Jesus. (João 1:35-51). Depois da declaração, dois discípulos seguiram a Jesus, provavelmente tenham sido André e João (Jo 1:39). André foi usado para ganhar seu irmão Pedro, João e Tiago, Jesus mudou o nome de Simão para Pedro porque Ele viu naquele homem um potencial de firmeza e solidariedade. Logo depois Jesus encontrou Felipe, depois Felipe evangelizou seu irmão Natanael. Este primeiro grupo era composto de seis discípulos. O Primeiro Milagre de Jesus. (João 2:1-11). Jesus retornou a Galileia onde foi convidado para um casamento em Canaã. O casamento era um ritual muito alegre e a falta de vinho era uma situação muito embaraçosa para o casal. Maria informou a Jesus sobre o problema, e orientou os servos que fizessem o que lhes ordenasse. Cada talha (ao todo seis) de trinta e dois litros foram cheias de água, e depois o líquido levado ao mestre-sala. Quando os servos fizeram isto a água tornou-se vinho, este milagre mostrou o poder de Jesus de trazer felicidade aos seus. A primeira estada de Jesus em Cafarnaum. (João 2:12). Cafarnaum fica ao norte - leste da Galileia, Jesus faria desta a base de seu grande ministério em Galileia. 3. O MINISTÉRIO INICIAL DE JESUS NA JUDÉIA (Jo 2:13-36). Era época de Páscoa. Parecia natural para o Messias ir ao centro da vida religiosa e apresentar a si mesmo, mas a capital não estava pronta para recebê-lo. E chegando ao templo, Jesus deparou com uma situação deplorável. A primeira purificação do templo por Jesus. (João 2:13-22). Estavam os judeus comerciantes na Casa de Deus, repugnado com aquela cena, Jesus fez um azorrague (açoite feito de cordas entrelaçadas) e expulsou os animais e cambistas do templo. A situação de Jesus durante a primeira Páscoa (João 2:23-25). Jesus não deixou se enganar pelo entusiasmo da multidão sobre os milagres, porque sabia dos corações dos homens e que o povo esperava o Messias político. Nicodemos em entrevista com Jesus. (João 3:1-21). Nicodemos foi ter com Jesus à noite, homem de cultura, de sociedade, rico e religioso e Jesus lhe ensinou a lição do novo nascimento e a necessidade da experiência com Deus, mostrando que religião não é suficiente para a salvação. Com esta lição Jesus deu ênfase ao lado espiritual e não político. Os ministérios de Jesus em paralelo. (João 3:22-36). Jesus voltou para as margens do rio Jordão e junto com João pregava o Evangelho. Mas João não fazia milagres e talvez os milagres de Jesus atraísse mais. Após 8 meses João foi preso por Herodes e Jesus retirou-se para a Galileia. Dois dias numa aldeia dos samaritanos. (Marcos 3:14; Mt. 4:12; Lc. 3:19-20; João 4:1-42). Em Jerusalém Jesus não foi muito bem aceito. Nesta ocasião deixou a Judeia e foi para a Galileia. Razão porque Jesus deixou a Judeia. (Mc. 1:14; Mt. 4:12; Luc. 3:19-20; Jo. 4:1-4). Uma das razões foi a prisão de João. Jesus percebeu a dificuldade de continuar seu ministério. A Samaritana da cidade de Sinar. (João 4:4-42). Jesus passou por Samaria quebrando a barreira do ódio, animosidade e orgulho nacional. Jesus mostrou seu interesse por todos os tipos de pessoas. Era proibido um homem falar com uma mulher em público, mas Jesus falou. Depois do acontecimento, Jesus foi bem recebido em Sinar. Por dois dias Ele realizou uma grande obra e todos creram nele. A Chegada de Jesus na Galileia. (João 4:43-45). Jesus tinha realizado um ministério de sucesso no interior da Judeia e Samaria e agora voltava à terra de sua juventude onde iniciaria seu maior ministério. 3. O GRANDE MINISTÉRIO NA GALILÉIA (Mc 1:14--10:1; Mt 4:12-19:1; Lc 4:14-9:51; Jo 4:46-54) Durante três viagens Jesus ganhou muita atenção devido a seus milagres e sua dinâmica pregação, mas também entrou em choque com os líderes religiosos. O povo habituou-se às mensagens de Jesus, as quais, não tinham o peso da tradição, como a dos judeus em Jerusalém. Por causa da sensação que Jesus criava na Galileia, os líderes religiosos da Judeia começaram a observá-lo com inveja e o ciúme dominou seus corações. O Começo do ministério Galileu. Provavelmente no Outono, Jesus tenha visitado Canaã de Nazaré. Começou seu ministério em Cafarnaum com dois pescadores. Os Evangelistas. Marcos 1;14-15; Mat. 4:17; Lucas 4:14-15. Marcos fala bem claro que Jesus pregou a mesma mensagem que João pregava. Mateus concorda com Marcos em relação à proximidade do reino de Deus e do arrependimento. Lucas menciona a sinagoga, podemos concluir, que foram as principais do ministério Galileu. A cura do filho de um oficial do rei. (João 4:46-54). Em Canaã, na época do milagre da água e do vinho, um certo rei sabendo da chegada de Jesus foi ter com Ele e falou que seu filho estava morrendo e Jesus ressuscitou-o sem vê-lo. O seu poder atravessou a distância e efectuou a cura. Rejeição de Jesus pelo povo de Nazaré. (Lc 4:16-30). Jesus foi durante o Sábado à sinagoga e como visitante foi convidado a pregar. Jesus começou a declarar o cumprimento das escrituras em Isaías. O povo ficou chocado porque Jesus, filho de José e Maria, se declarava o Messias, por isso o rejeitaram. A nova residência de Jesus em Cafarnaum. (Mc 4:13-16; Lc 4:31). Deixando Nazaré, Jesus foi a Cafarnaum, cidade de comércio no centro de uma região bem povoada com mais outras cidades. Lá Ele encontrou parentes e amigos. Pescadores foram chamados para serem pescadores de homens. (Mc 1:16-20; Mt 4:18-22 e Lc 5:1-11). Passando pelas margens do mar da "Galileia", Jesus achou e chamou primeiro Pedro e André e depois Tiago e João, esta chamada era definitiva e os quatro deixaram tudo para acompanhar Jesus. Ensinos e cura de Jesus em Cafarnaum. (Mc 1:21-28; Lc 4:31-37). Jesus continuou com seu costume de visitar as sinagogas aos sábados. Todos se maravilhavam com a autoridade que Jesus pregava. Jesus ordenou que o espírito imundo saísse e ele obedeceu. Aquele milagre provou o poder divino de Jesus sobre o mundo dos espíritos, e também aumentou sua fama por toda aquela região. A Cura da sogra de Pedro. (Mc 1:29-34). No mesmo dia Jesus deixou a sinagoga e foi à casa de Simão Pedro, onde encontrou a sua sogra com febre. Ele a tomou pela mão e a levantou e ela imediatamente ficou curada. A notícia percorreu toda a cidade e muitos enfermos e endemoninhados reuniram-se à porta da casa para serem curados. As Hostilidades Juntamente com sua fama crescente, cresce também a hostilidade contra Jesus. Jesus procurou um lugar solitário para curar. Resolveu visitar outras cidades, foi então que Jesus realizou sua primeira viagem evangelística pela Galileia (Mc 4:23). Na volta desta viagem Jesus chamou Mateus para segui-lo. Muitos se entusiasmaram com estes milagres, mas causaram hostilidades contra Jesus entre os filisteus. Primeira Viagem pela Galileia. (Mc 1:35-39). Sabemos que Jesus visitou a sinagoga pregando, curando e fazendo milagres. O resultado foi uma fama crescente pela Galileia, com multidões seguindo o nazareno. A Cura de um Leproso. (Mc 1:10-45). Os milagres de cura têm três valores: comprovam a vocação divina de Jesus; revelam o coração de Deus em sua compaixão pelos homens; são parábolas no mundo físico de sua Graça e poder na esfera espiritual. Esta cura é especial por causa do tipo de doença, doença comum, mas considerada como uma das mais terríveis. A cura do leproso resultou em mais publicidade para Jesus. Mas ele se afastou das multidões que o procuravam porque sua missão no mundo não é apenas curar. Jesus chama a Mateus Mateus oferece um banquete a Jesus, ocasião em que Jesus o chama para o díscipulado. (Mt 9:9-13). Levi é outro nome de Mateus, o apóstolo, era cobrador de impostos do governo Romano, mas era judeu, por isso os concidadãos o odiaram e o consideraram como traidor, mas Jesus viu um carácter bom nele e chamou-o para ser seu discípulo e Mateus o chamou para um banquete para comemorar a ocasião. O Jejum Jesus profere três palavras em defesa dos discípulos, quando criticados por não jejuarem (Mc 2:18-22). Primeiro os fariseus reclamaram da associação de Jesus aos pecadores, depois criticaram os discípulos por não jejuarem. Jesus defendeu a acção com três parábolas: A presença do Messias; A diferença essencial de Jesus e seus predecessores, foram motivos suficientes para os discípulos não jejuarem. O Sábado Jesus defende a cura num sábado de um enfermo em Jerusalém (João 5:1-47). Em Jerusalém Ele curou num sábado um paralítico junto ao tanque de Betesda. Este milagre aumenta a ira dos fariseus por causa das suas tradições relacionadas aos sábados. Jesus defende os discípulos da crítica da colheita das espigas num sábado (Mc 2:23-29; Mt 12:1-8). Voltando para Jerusalém passando por alguns campos de trigo no Sábado, sentindo fome, os discípulos arrancaram espigas de trigo. Uma prática permitida pela lei mosaica, mas proibida pela tradição dos judeus. Também defende a cura no Sábado, da mão mirrada do homem (Mc 3:1-6; Mt 12:1-8). Mais uma vez desafiando seus críticos, Jesus cura um homem da mão mirrada. Este milagre revelou a hipocrisia das tradições dos fariseus, em conselho com seus inimigos políticos, os heroditas, para planejar a morte de Jesus. Jesus dá um Novo Passo. Funda uma organização e proclama um código. Sabendo da conspiração dos líderes religiosos contra ele. Assim sentiu necessidade de um tipo de organização para realizar a obra do estabelecimento do reino de Deus, mas a atenção seria dada ao treinamento dos doze discípulos ao invés do ministério para as multidões. Jesus a beira do mar da Galileia acompanhado de hostes volúveis que atestam a sua larga fama. (Mc 6:7-12; Mt 12:15-21). Depois de passar uma noite em oração Jesus escolhe os doze apóstolos (Mc 3:12-19; Lc 6:12-16). Depois de uma noite de oração Jesus determinou definitivamente a organizar um grupo de doze homens para treinar e preparar a fim de que pudessem continuar a sua obra depois de sua volta para o céu. O Sermão do Monte. Jesus proclama o código messiânico (Mt 5:1-8:1; Lc 6:17-49). Chamou os doze e seguiu-se o sermão do monte, no qual Jesus proclamou os padrões e normas para seu reino. Jesus usou os seguintes temas: "Justiça, ética, e verdade versus justiça farisaica e justiça materialística", somente Mateus e Lucas registraram o sermão do monte. Ao concluir este discurso, a multidão se maravilhou com a sua doutrina porque ensinava como tendo autoridade e não como os escritores. Quando Jesus desceu do monte, grande multidão o seguiu. 4. O Grande Ministério da Galileia ( Mc 1:14-10:1; Mt 4:12-19:1; Lc 4:14-5:51; Jo 4:46-54). Tradição. Jesus age ainda sozinho. Embora tenha chamado os 12, continuou a ministrar as necessidades dos indivíduos e da multidão. A Cura de um certo centurião em Cafarnaum. (Mt 6:5-13). Pediram a Jesus que curasse um certo servo de um comandante romano. O entendimento e autoridade e expressão de fé de um comandante, fizeram com que Jesus ficasse admirado e provesse uma grande aceitação do Evangelho pelos gentios e a rejeição do Evangelho pelos judeus. A ressurreição do filho de uma viúva na cidade de Naim. (Lucas 7:11-17). O único filho de uma viúva morrera e o seu corpo estava sendo levado para a sepultura. Enchendo-se de compaixão, Jesus ressuscitou o moço e apresentou-o vivo à sua mãe. A última comunicação entre João e Jesus (Mt 11:12-19). O cárcere onde João estava guardado ficava na região do mar. Ouvindo que Jesus estava trabalhando no sul da Galileia. João mandou uma comissão para perguntá-lo: "Tu és o Messias?" Ao encontrar a comissão Jesus repreendeu a João, mas mandou que os discípulos dele lhe contassem as obras messiânicas que ele estava realizando. Tal relatório seria o suficiente para sanar as dúvidas de Baptista. A Pecadora Jesus aceitou o convite para comer com Simão, o fariseu (Lc 7:36-50). Entretanto, na casa, uma mulher pecadora ungiu os seus pés com expressão de fé e gratidão. Conhecendo os pensamentos maus do hospedeiro Jesus usou a ocasião para ensinar uma lição de perdão. A Primeira Viagem Jesus intensificou a propagação do reino, viajando, curando e instruindo por meio de parábolas. A Segunda viagem pela Galileia Jesus leva os doze discípulos com Ele, a fim de treiná-los para o futuro ministério, depois de sua ascensão. Jesus é acusado Jesus acusado pelos fariseus de estar em aliança com Belzebu rebate esta blasfémia, classificando-a como pecado imperdoável. (Mc. 3:20-30; Mt. 12:22-37). Esta experiência começa no dia chamado "Dia culpado", Jesus mostrou a obscuridade das acusações com uma parábola que advertiu os fariseus sobre o pecado imperdoável. O pecado de falar com a mente fechada que as obras de Deus são do diabo. Os escribas e os fariseus, repugnando os ensinos de Jesus, exigem-lhe o sinal (Mt. 12:38-45). Solicitaram o sinal da sua autoridade, mesmo sendo testemunhas oculares de vários de Seus milagres. Jesus recusou, mas deu uma profecia da ressurreição dos mortos; como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de uma baleia, Jesus estaria três dias e três noites no seio da terra e cumpriu literalmente esta profecia. A família de Jesus (Mc. 3:31-35). Maria e alguns irmãos de Jesus foram ter com ele, talvez para persuadi-lo a voltar para casa. Jesus não foi descortês com seus parentes, mas deixou bem claro que ia continuar seu ministério, porque as relações espirituais têm precedência sobre as relações humanas. As Parábolas. O primeiro grande grupo de parábolas, em que Jesus faz frente à opinião dos fariseus e instrui os discípulos quanto à natureza e o crescimento do reino messiânico (Mc.4:1-34; Mt.13:1-53). Jesus ensinava seus discípulos por parábolas para estimular e atrair a atenção dos ouvintes. Também para estimular os pensamentos dos apóstolos e para declarar verdades espirituais. Jesus e a tempestade Enquanto atravessavam o mar da Galileia em um barco Jesus descansava. A noite uma tempestade súbita levantou e ameaçou afundar o barco. Quando os discípulos o acordaram, Jesus repreendeu-os e acalmou a tempestade com palavras: "Cala-te, Aquieta-te" (Mc. 4:35-41; Mt. 8:18, 23-27; Lc. 8:22-25). Cura de dois endemoninhados gadarenos. (Mc.5:1-20; Mt.8:28-34; Lc.8:25-39). Chegando da outra banda do mar, Jesus não teve a oportunidade de descansar porque encontrou dois endemoninhados, a condição deles era tão má que Jesus se moveu de íntima compaixão e os curou. Jesus ressuscita a filha de Jairo e cura a menor. (Mc. 5:21). Voltando a Cafarnaum, um chefe da sinagoga convidou Jesus para ir a sua casa e curar sua filha que estava nas últimas. Quando Jesus ia seguindo com Jairo, uma mulher tocou-lhe o manto. Esta mulher que sofria com hemorragia há muitos anos foi curada num instante. Ao demorar-se Jesus para falar com a mulher, chegou a notícia de que a menina estava morta. Mesmo assim Jesus foi à casa de Jairo e ressuscitou a menina, mostrando novamente ter poder sobre a morte.
Cura de dois cegos e de um mudo, (Mt. 9:28-24). Jesus curou dois cegos e um mudo, a partir daí percebe-se que o ataque dos fariseus degenera-se num ataque pessoal. Jesus, todavia, prossegue na sua intensa actividade de ensino e evangelização das suas ovelhas. Mesmo com a hostilidade dos líderes religiosos aumentando. Jesus rejeitado pela Segunda vez em Nazaré (Mc. 16:1-6; Mt.13:54-58). Jesus voltou novamente a Nazaré e foi rejeitado. Parecia que Ele queria dar outra oportunidade àquela cidade, mas o povo não quis aceitá-lo. A terceira viagem pela Galileia. (Mc.6:6-13; Mt.9:35-11:1; Luc.9:1-6). Nesta viagem Jesus mudou a táctica, mandou seus discípulos irem à frente onde planejava visitar, esta nova experiência foi uma prova para os apóstolos. 7 - A ÉPOCA DAS RETIRADAS (Mc 6:30-9:50; Mt 14:13-18:35; Lc 9:10-62; Jo 6:1-7:10) Tendo realizado dois anos de ministério público, principalmente na Galileia, Jesus começou a mudar o modo de agir ao iniciar o terceiro e último ano. Em vez de atender a multidão, Jesus dava mais atenção aos seus discípulos, sabendo que o último ano seria mais hostil. Jesus teve cinco motivos para fazer retiradas: 1) Para retirar-se da inveja de Herodes Antipas; 2) Pelo fanatismo das multidões da Galileia; 3) Pela hostilidade dos líderes judeus; 4) Pelo clima quente a beira do lago da Galileia e para descansar nos montes ao redor; 5) Para instruir os doze discípulos. Certamente o mais importante era instruir. Primeira retirada em Betsaida. Jesus retirou-se com os seus discípulos para ouvir suas reportagens e descansar. Subiram ao mar, chegando a Betsaida, vendo a necessidade da multidão, Jesus parou para ministrar a multidão, ao invés de atender a sua própria necessidade de descanso. Primeira tentativa de retirada e a primeira multiplicação dos pães e peixes. (Marcos 6:30-44) Movido de compaixão Jesus curou muitos ensinando sobre o reino de Deus. Depois do dia activo, Jesus observou a fome do povo. Os discípulos queriam despedir a multidão, mas Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes para alimentar mais de cinco mil pessoas. Jesus desvia as multidões do propósito de o fazerem rei, isto é, o Messias político. (Mc. 6:45-46; Mt. 14:22-23). Jesus despediu e foi ao monte orar sozinho. A tentação de ouvir a multidão foi confrontada pela oração. Foi uma tentação com a mesma intensidade quando foi tentado por satanás no deserto e mais uma vez Jesus foi vitorioso. Jesus andando sobre o mar revolto, aparece aos discípulos. (Mt 14:24-35). Os discípulos estão num barco e um vento faz com que passem por dificuldades, mas Jesus surgiu em meio à escuridão, indo ter com eles andando sobre o mar. A chegada a Genesaré. (Mt 14:34-35). Tendo chegado a Genesaré, continuou fazendo muitas curas. Jesus novamente adiou seus planos para atender o povo. Crise em Cafarnaum. (Jo 6:22-71). O desejo da multidão era fazer Jesus rei. Ele sabia disso e fez um discurso sobre a natureza espiritual e sobre o reino de Deus. Jesus faz um discurso sobre o pão da vida. Somente os discípulos ficaram fiéis a Jesus, como foi expresso nas palavras: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens a palavra da vida eterna, nós temos crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus". Os discípulos são acusados de transgredir as leis cerimoniais (Mt. 15:1-20). Antes de saírem de Cafarnaum encontraram-se com fariseus e escribas vindos de Jerusalém que repreenderam os discípulos por violarem as leis cerimoniais. O mestre aproveitou para ensinar sobre a fonte de impureza. Viagem ao norte pela Fenícia e Volta a Decápolis. Esta região não estava sob a autoridade de Herodes e ali era um bom lugar para o descanso no frescor dos montes. Não sabemos quanto tempo Jesus ficou ali. A Segunda retirada, a cura da filha da sirofenícia. (Mt. 15:25-28). A reputação de Jesus era grande e mal podia ocultar-se nesta região. Veio uma mulher grega com sua filha possuída por um espírito imundo. Jesus lhe explicou que o seu ministério era particularmente aos judeus e não aos gentios, mas a mulher mostrou tão grande confiança na fé que Jesus curou sua filha. Jesus prossegue viagem. Rodeando para o norte, o leste e o sul até Decápolis, curando muitos e multiplicando por fim os pães para cinco mil pessoas, aproximadamente (Mt.15:29-38). Forte oposição da parte dos fariseus e saduceus em Galileia (Mt 15:39-16:4). Pela primeira vez os fariseus e saduceus estão juntos para atacar Jesus. Tratava-se de três classes que representavam o princípio do mal: Fariseus – o formalismo; saduceus – o racionalismo e herodianos, o secularismo. Essas seitas não existem mais, porém, ainda há o que elas representaram. A resposta prediz a sua morte e ressurreição. Retirada para a região da Cesaréia de Filipe. Jesus isolou-se nesta ocasião, nos montes, na região da Cesaréia de Filipe. Finalmente realizou uma retirada com seus discípulos sem interrupção. A terceira retirada A terceira retirada e o aviso aos discípulos contra o fermento dos fariseus e a cura de um cego em Batsaida Julia (Mt.16:5-12). Jesus deixou bem claro que feria aos ensinos dos fariseus e saduceus. A grande confissão dos discípulos Sendo Pedro seu intérprete (Mt. 16:13-20). Em Cesaréia de Filipe, Jesus submeteu os discípulos a uma prova sobre a sua pessoa e pergunta: "Quem dizem os homens que eu sou?" Pedro respondeu por todos. "Tu és o Cristo, o Filho de Deus". Esta resposta agrada a Jesus, que elogiou a Pedro por ela. Outrossim, disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades (inferno) não prevalecerão contra ela". Jesus Anuncia a Sua Morte. (Mt. 16:21-28) Jesus prediz a sua morte e ressurreição e exorta todos à renúncia própria e promete a Segunda vinda. A revelação de que Cristo ia sofrer não se adaptou bem nos pensamentos messiânicos dos discípulos e de Pedro. A transfiguração. (Mt. 17:1-3). A transfiguração de Jesus suscita duas questões fundamentais. Depois da confissão, Jesus levou Pedro, Tiago e João ao monte, provavelmente Hermon, para orar. Os outros ficaram atrás para velarem enquanto Jesus orava. Neste instante, Jesus foi transfigurado e seu rosto brilhava. Moisés e Elias estiveram com Jesus. Pedro ficou tão impressionado que queria ficar no monte em tendas com Moisés, Elias e Jesus. Jesus foi designado preeminente pela voz divina: "Este é o Meu Filho Amado; A Ele ouvi". O Endemoninhado. (Mt. 17:14-20). Quando Jesus encontrou-se com os 9, estavam discutindo sobre o poder de curar um jovem endemoninhado. E Jesus curou o jovem. Os discípulos não expulsaram o demónio pela falta de exercitarem a fé. Jesus Prediz a sua morte. (Mt. 17:22-23). Voltando secretamente pela Galileia, Jesus prediz novamente sua morte e ressurreição. Os discípulos não entendiam sobre a morte e ressurreição de Cristo. De volta à terceira retirada Jesus passa alguns dias em Cafarnaum, com os 12 antes de subir à festa dos Tabernáculos. Ali Jesus ficou poucos dias com os discípulos. O período da retirada estava esgotado. Jesus Paga Tributo Jesus paga o sagrado tributo do templo, com o um estater encontrado na boca de um peixe (Mt.17:24-27). Pedro foi interrogado: "O vosso mestre não pagou as diagramas?". As didracmas não eram tributos políticos, mas religiosos, que todo mundo pagava para sustentar os serviços do templo. Novamente Jesus indica sua relação forte com o templo pelo direito de Filho não pagar o tributo, mas para evitar ofensa às autoridades, paga de uma maneira que mostra a Pedro claramente o direito. A Lição. (Mt.18:1-5) Os 12 entendem pela preeminência no reino, que Jesus lhes dá uma lição de humildade. Aqui os discípulos mostram uma grande falta de compreensão. Jesus provavelmente triste ensinou que o maior, no reino do céu será o menor. O Zelo de João. (Mt. 18:6-14). O zelo imprudente de João, suscita do Mestre, lições sobre tropeços. Como Tratar o Faltoso. (Mt. 18:15-36) O espírito de conciliação e perdão com que se deve tratar um irmão ofensor. Jesus falou da importância do perdão. Os discípulos devem perdoar seus ofensores, porque o Pai do céu perdoou suas ofensas. Esta lição foi apresentada por parábolas. A Renuncia. (Mt. 8:19-22). Jesus requer renúncia própria de seus seguidores Um conselho Rejeitado. (João 7:2-9). Jesus rejeita o conselho de seus irmãos incrédulos quanto à publicidade de sua obra. Setembro, período de festa no Tabernáculo. Seus irmãos incrédulos aconselharam-no a manifestar a si mesmo em Jerusalém nesta festa. Contudo Jesus rejeitou. Jesus vai a Jerusalém. (Lucas 9:51-56). Jesus indo a Jerusalém, passa secretamente por Samaria, onde a oposição dos habitantes irrita os discípulos. Sendo rejeitado pelos samaritanos, os discípulos queriam vingar-se, destruindo as vilas pelo fogo dos céus, Jesus não consentiu. 8. O MINISTÉRIO NA JUDÉIA (Lc 10:1-13:21; Jo.7:11-10:39) Depois de dois anos e meio em Ministério Público, Jesus deixou a Galileia pela última vez e passou os últimos seis meses de seu ministério na Judeia e na Peréia. A ocasião de sua partida da Galileia coincidiu com a Festa dos Tabernáculos, comemorada como sempre em Jerusalém. O Ensino de Jesus na Festa dos Tabernáculos. Era a festa para expressar gratidão a Deus pelas obras recebidas durante o passado e para comemorar a liderança de Deus na história de Israel. No meio da semana da Festa, apareceu Jesus no templo. No Templo. (João 7:11-52). Estando a festa já no meio, chega Jesus e se põe a ensinar no templo. Quando Jesus afirmou a autoridade delegada da sua doutrina, alguns o criticaram e desprezaram. Os guardas mandados a prender Jesus voltaram ao Sinédrio sem Ele, dizendo que ninguém falou como aquele homem. Desmascarando a hipocrisia dos líderes, a única resposta deles era baseada não na justiça, mas no preconceito. O caso da mulher adultera. (João 7:53-8:11). Com inveja, os judeus apanharam um casal em adultério e levaram a mulher diante de Jesus para tentá-lo com o julgamento do caso. Jesus disse: "Aquele dentre vós, que está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra". Jesus se declara a luz do mundo. Os fariseus travam com Ele forte controvérsia e acabam procurando matá-lo (João 8:12-59). Jesus em sua relação com o Pai disse que os fariseus não o aceitaram porque não entendiam o Pai. Eles desafiavam as afirmações de Jesus e contradiziam tudo, mas Jesus os respondeu apontando o triste e perigoso estado espiritual deles. Não vêem, são cegos. Não são livres, são escravos. Não são filhos de Deus, mas do diabo. Eles jogavam pedras em Jesus. “Mas Jesus ocultou-se e saiu do templo”. A Cura de um Cego. (João 9:1-10:21). A sensacional cura do cego de nascença. Saindo do templo Jesus viu um cego e o curou. A parábola do bom pastor. (João 10:1-21). Jesus mesmo é o Bom Pastor porque Ele morreria para salvar as suas ovelhas. Ministério na Judeia fora de Jerusalém. Os comentaristas acham que realmente Jesus Cristo realizou um ministério na Judeia fora de Jerusalém antes de sua crucificação. A missão dos setenta. (Lucas 10:1-24). Aconselhou que setenta discípulos fossem na frente, às aldeias e cidades da Judeia. Mandou de dois em dois. "Voltaram, pois, os setenta com alegria dizendo: Senhor, em seu nome expulsamos demónios", Jesus também se regozijou. Pela parábola do bom samaritano Jesus interpreta a lei do amor ao próximo para o doutor da lei que tentava. (Lucas 10:25-37). Eles queriam que Jesus tropeçasse diante do povo, então veio a pergunta: "Quem é o teu próximo?" Jesus respondeu com a parábola Jesus ensina aos discípulos a orar Pela Segunda vez, Jesus ensina aos discípulos a orar. Percebendo eles que a oração é uma arte muito importante, pediram que Jesus lhes ensinasse a orar. E Jesus ensinou a oração do Pai-nosso. A Queixa de Marta. (Lucas 10:38-42). Diante da queixa de Marta, Jesus defende Maria por ter sido a boa parte. Estando Jesus na casa de Maria e Marta, e estando Marta muito preocupada com as coisas culturais e sociais, e Maria escolheu as coisas espirituais, quando Marta queixou-se, Jesus defendeu Maria, que tinha escolhido a melhor parte, a espiritual. Uma cura sensacional e uma acusação de blasfémia (Lucas 11:14-36). Jesus expulsou um demónio de um mudo, e ele falou. Alguns criam em Jesus, mas outros criticavam, dizendo que Jesus fazia parte com o demónio. Eles queriam um sinal e Jesus apontou o de Jonas. Profecia da morte e da ressurreição. Ninguém entendeu este sinal, nem os fariseus nem os discípulos de Jesus. O Aviso de Jesus. (Lucas 12:1-59). Tendo ajuntado milhares de pessoas, Jesus pronunciou um profeta no discurso. Com coragem denunciou a hipocrisia dos líderes religiosos e avisou aos seus seguidores sobre os perigos que enfrentariam como discípulos dele. Mostrou claramente que o reino de Deus é confiança em todas as coisas, e não por coisas materiais. "Pois a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário". A Parábola de Jesus. (Lucas 13:1-9). Jesus aproveita dois acontecimentos contemporâneos e a parábola da figueira para ensinar a urgente necessidade de arrependimento. Explicou o seguinte: todos os eleitos necessitam de arrependerem-se dos seus pecados, e todos se arrependerão, porque a ira divina está próxima a cair. Sem arrependimento, e só os filhos da perdição não se arrependem, ninguém escapará da ira de Deus, mas certamente perecerá. Jesus o Senhor do Sábado. (Lucas 13:10-21). Jesus, num sábado, cura uma mulher encurvada e defende o ato da crítica do prisioneiro da sinagoga. Jesus já era acusado de ser profanador do sábado e com esta experiência aumenta sua fama nesse sentido. Jesus defendeu a sua cura com base nas próprias acções dos fariseus, que cuidavam de seus animais no sábado e desprezavam as pessoas. Para Jesus as pessoas merecem mais consideração do que os animais. A Festa da Dedicação. (Jo. 10:22-39). Jesus na Festa da Dedicação é acusado pelos judeus e retira-se de Jerusalém. A festa era para comemorar a dedicação do templo nos dias de Judas Macabeu, em 165 a.C. No templo, os judeus ajuntaram-se ao redor e perguntaram: "Até quando nos deixará perplexos? Se tu és o Cristo, diz-no-lo abertamente". Jesus respondeu que já falara nesse assunto, mas não creram nas palavras dele. Jesus declarou-se ser Filho de Deus e com esta declaração muito ofendeu os fariseus, que com raiva quiseram apedrejá-lo, recusando aceitar o enviado do Pai. Jesus passou por eles e escapou das suas mãos sem marca nenhuma. 9. O MINISTÉRIO DE JESUS NA PERÉIA (Jo.10:40-11:54; Lc.13:22-19:28; Mc.10:1-52; Mt.19:1-20:34) Introdução: Tendo Jesus deixado Jerusalém e indo a Betânia, gastou mais ou menos três meses e meio na região oriental do Rio Jordão, que se chama Peréia. A narrativa do trabalho de Jesus nesta região se acha nos livros de Lucas e João. Assim sendo, há várias diferenças de opinião entre os eruditos quanto à ordem e os eventos deste ministério na Peréia. Os eventos principais na ordem cronológica são os seguintes: O Ministério no Interior da Peréia; Uma Viagem Perto de Jerusalém; Uma Viagem a Efraim, na Judeia; Uma Viagem pela Samaria: Galileia; e finalmente a Volta da Galileia até Jerusalém para observar a Páscoa. O trabalho de Jesus na Peréia até a morte de Lázaro. Jesus realizou um ministério de pregação, de cura e de ensino, no interior da Peréia até a morte de Lázaro. A hostilidade dos fariseus continuou fortemente, assim Jesus realizou um grande ministério na Peréia. Jesus retira-se de Jerusalém para Betânia, Além - Jordão (João 10:40-42). Jesus retira-se para este lugar não para descansar, mas para realizar uma obra. Ali muitos creram nele. Depois de algum tempo em Betânia, Jesus percorreu as cidades e aldeias da Peréia (Lucas 16:22-30). Jesus percorria as cidades fazendo suas obras maravilhosas. Na viagem alguém perguntou se muito poucos seriam salvos. Jesus respondeu: “O homem deve entrar pela porta estreita porque muitos procurariam entrar, mas não poderiam”. Avisado sobre Herodes Antipas, responde com santa altivez e conhecimento de causa (Lucas 13:31-35). Avisaram a Jesus que Herodes queria matá-lo. Jesus respondeu que tinha medo de Herodes, mas tinha que cumprir sua missão. Jesus cura no Sábado um hidrópico, e se defende prosseguindo com vários ensinos (Lucas 14:1-24). Estando Jesus jantando na casa de certo fariseu, apareceu-lhe um homem hidrópico, Jesus perguntou aos fariseus: “É lícito curar no Sábado ou não?”. Evitaram responder a Jesus e Ele curou o homem. Aproveitando os costumes formais, Jesus ensinou três parábolas: de humildade, de hospitalidade, e a terceira sobre a grande festa que um homem preparou e convidou a muitos.
Capítulo VIII AS OBRAS LITERÁRIAS DO APÓSTOLO PAULO “É impossível por ênfase demais na vida e na obra de Paulo como o grande intérprete de Cristo”. Como as viagens missionárias de Paulo o forçavam a estar separado das igrejas que ele fundou, era natural que ele escolhesse escrever cartas para manter seu relacionamento com as congregações. Suas cartas, contudo, não era simplesmente do tipo “estar em contacto”; cada uma delas era motivada por cuidados e situações específicas dentro das igrejas, que requeriam sua atenção. O Significado da Conversão de Saulo de Tarso “Há homens cuja vida é impossível estudar sem ter a impressão de que foram enviados ao mundo expressamente para fazer uma obra que a conjuntura da história lhes exigia... Mais do que a vida de qualquer outro vulto da história, a do Apóstolo Paulo produz esta impressão. Ele foi dado ao cristianismo quando este se achava nos seus princípios rudimentares. Não era impotente o reino de Cristo, nem se pode dizer que qualquer homem mortal lhe fosse indispensável. Se Deus se aproveita de meios adaptados para os seus fins, segundo o nosso modo de entender, deve-se dizer então que o movimento cristão, no momento em que Paulo apareceu no palco da história, necessitava urgentemente de um homem de dons extraordinários, um homem que podia apoderar-se do génio do cristianismo e incorporá-lo na história geral do mundo; e em Paulo, Jesus achou o homem que necessitava”. O Carácter de Paulo Assim o cristianismo se exibiu na conquista do intelecto gigantesco, e no espírito poderoso de Saulo de Tarso. A personalidade de Paulo, transformada pela Graça de Deus, é um eterno exemplo do valor insuperável do carácter cristão. I Tm. 1:16. A Missão de Paulo Havendo sido chefe dos perseguidores dos cristãos, a conversão do tarsiano assinalou uma nova época, não somente do cristianismo mas também da história do mundo. O seu grande intelecto, a sua vasta cultura, o seu treinamento teológico, juntamente com a sua maravilhosa regeneração, constituíram justamente o preparo necessário do poderoso pregador para interpretar ao mundo os princípios do Evangelho e despertar as nações para compreender e receber as verdades dinâmicas do reino de Cristo. Tornou-se Paulo o maior intérprete da nova religião e o maior missionário de todos os séculos. Encarnou-se no espírito vibrante do impávido missionário o amor compassivo de Jesus para com os homens sem Deus e sem esperança no mundo. Os primeiros anos do Trabalho de Paulo Por uns dez anos depois da sua conversão Paulo limitou o campo de seu labor. Depois de uma breve visita à Arábia voltou a Damasco e ali trabalhou por três anos. Fez então uma visita a Jerusalém e passou 15 dias com Céfas e encontrou-se com Tiago, irmão do Senhor. Depois foi trabalhar nas regiões da Síria e da Cilícia por alguns anos. Quando o Evangelho chegou à cidade de Antioquia e muitas pessoas, incluindo gentios, foram ali convertidas, a igreja de Jerusalém enviou a Barnabé, homem bom e usado pelo Espírito Santo, para dar uma orientação segura aos trabalhos do Senhor naquela cidade. Pouco tempo depois Barnabé partiu para Tarso em busca de Saulo, o qual já vinha servindo na Causa de Cristo há 10 anos, e levou-o a Antioquia para ali ajudar no serviço de Cristo. Depois de um ano de trabalhos abençoados, o Espírito Santo designou a Barnabé e a Paulo para a evangelização de regiões mais afastadas. Isto se deu entre 46-48 d.C.. Por quase 20 anos, daí em diante, Paulo se entregou abnegadamente a Cristo Jesus, como o apóstolo aos gentios. A Origem das Epístolas Paulinas Acompanhado por Barnabé na sua primeira viagem, e depois por Silas, Timóteo, Lucas e outros, Paulo visitou a Ásia Menor, Macedónia e Grécia, evangelizando e organizando igrejas em lugares estratégicos. Deixava as igrejas com o seu governo próprio, mas esforçava-se para ficar em contacto com elas, enviando-lhes, de vez em quando, um de seus auxiliares para visitá-las, animá-las e ajudá-las na solução de seus problemas. Ao surgir no seio de uma delas um problema especialmente difícil, o apóstolo lhe fazia uma visita ou escrevia-lhe uma carta de instruções e conselhos para orientá-la em todas as lutas com o paganismo, ou com o pecado no seu próprio meio. Foi este zelo e amor de Paulo às igrejas que deu origem à literatura cristã. A primeira Epístola aos Tessalonicenses é um dos mais antigos livros do Novo Testamento. Quase todas as obras de Paulo foram escritas antes dos Livros e dos outros livros do Novo Testamento, com a provável excepção do Livro de Marcos e a Epístola de Tiago. São antigos documentos da nossa religião e de imenso valor intrínseco, porque vem directamente a nós da mão do maior dos apóstolos. Acham-se entre os livros mais poderosos e mais sugestivos da literatura humana. II Cor. 10:10. A Ordem de Composição das Epístolas Todas as obras sobreviventes de Paulo pertencem ao período da sua carreira missionária, iniciado com a chegada na Europa. Todas foram escritas sendo ele já homem maduro, missionário experimentado, teólogo formado, de convicções poderosas, baseadas em 20 anos de serviço consagrados ao reino de Cristo. II Cor. 11:20. Há razões para crer, porém, que Paulo foi libertado e depois de mais dois anos de trabalho foi preso novamente e executado no fim do ano 67d.C. ou no princípio de 68d.C. Concluímos que as obras de Paulo foram produzidas na seguinte ordem: I e II Tessalonicenses foram escritos de Corinto; Gálatas e I Coríntios de Éfeso; II Coríntios depois da partida de Éfeso; Romanos, de Corinto, na última visita de três meses à cidade; Filipenses, Colossenses, Filemom e Efésios da prisão em Roma. As Epístolas pastorais, I Timóteo, Tito e II Timóteo, foram escritas depois da libertação da primeira prisão em Roma; I Timóteo e Tito no breve período de liberdade; e II Timóteo durante o segundo encarceramento em Roma nas vésperas da execução do destemido missionário aos gentios.
Capítulo IX ROMANOS, I e II CORÍNTIOS e GÁLATAS I. ROMANOS Tanto judeus como gentios eram membros da igreja em Roma, e Rm.1:13 indica predominância de gentios, como também a advertência aos cristãos gentios para que não fossem orgulhosos (Rm.11:13-24). O conflito entre fraco e forte, em Rm.14:1e Rm.15:13, pode ter surgido num contexto como este. É até possível que as várias igrejas localizadas nas casas, nas quais os cristãos se reuniam, reflectissem estas divisões (cf. Rm. 16.5,14-15). Histórico A fé que tinham os cristãos de Roma era bem conhecida (1.8) e o facto de Paulo desejar visitá-los há um bom tempo (1.13) indicam que a fé cristã tinha sido estabelecida na capital do império há bastante tempo. Estes factos são apoiados pelas palavras do historiador romano Suetónio, que diz que Cláudio já tinha expulsado os judeus (em 49 d.C.) por terem criado tumulto "por causa de um tal Cristo" (evidentemente uma referência a Cristo). Visitantes de Roma estavam presentes no Dia de Pentecostes (At 2.10-11) e podem ter sido os primeiros a levarem as boas novas à cidade. A mensagem do Evangelho deve ter chegado a Roma como que atraída por um imã. Apesar da tradição que retrocede até Irineu, é certo que a igreja não foi fundada por Pedro. É claro que Paulo nunca tinha visitado a igreja (1.8-13), e a ausência de qualquer referência a Pedro ou aos outros apóstolos indica que a igreja romana não viveu um ministério apostólico directo. Autenticidade Tanto a abertura da carta (1.1) como os detalhes biográficos registrados nos caps. 1; 15—16 mostram que a Epístola aos Romanos foi escrita pelo apóstolo Paulo. A carta já era citada e catalogada como sendo de Paulo durante o século II. Sua autenticidade raramente tem sido disputada. Ocasião e Data Paulo escreveu aos Romanos pouco antes de sua visita a Jerusalém, quando levou as ofertas das congregações gentias (15.25; At 24.17). Várias indicações internas sugerem que, durante este tempo, Paulo residia em Corinto; isso se deduz da referência a Febe, membro da igreja em Cencréia, o porto de Corinto (16.1-2); a Gaio, como sendo o seu anfitrião (1Co 1.14); e a Erasto (At 19.22; 2Tm 4.20). Foi escrita provavelmente durante os três meses que passou na Grécia, descritos em At 20.2-3. Ainda que não seja possível fixar uma data, sabe-se que Gálio (perante o qual Paulo apareceu em At 18.12) era o procônsul (normalmente um cargo ocupado por um ano) de Acaia em 52 d.C. Paulo ficou em Corinto "muitos dias" (At 18.18), provavelmente durante o período de 51-53 d.C. A data mais recuada possível para a fixação do tempo de produção da carta aos Romanos seria, então, ao redor do final do ano 54 d.C A Construção da Epístola Quando escreveu Romanos, Paulo analisava o seu ministério e via que se encontrava em um ponto crucial. Acreditava que tinha concluído o seu ministério no Leste do Mediterrâneo (15.17-23) e que o tempo era apropriado para a sua jornada ao Oeste para a evangelização da Espanha (15.24). Esperava visitar os cristãos romanos no caminho, realizando um projecto de longa data e, talvez, ganhando a ajuda deles como igreja de apoio (15.24). Sob esta luz, era essencial que apresentasse as suas credenciais apostólicas (note o "meu evangelho" em 2.16; 16.25), para que eles pudessem reconhecer a autenticidade do seu ministério. Paulo pode também ter pensado que era necessário defender o seu ministério das falsas acusações dos boateiros (3.8). Ao escrever Romanos, Paulo também estava profundamente atento ao facto de que a igreja cristã deveria ser uma comunhão entre judeus e gentios. Juntos na unidade do corpo de Cristo isto se torna claro pela importância que dá à oferta gentia para a igreja de Jerusalém. Também vem à tona em todo o livro o tema da unificação do judeu e do gentio — unidos no pecado, por causa de Adão, e na Graça, por meio de Jesus. A justiça salvadora do Evangelho é uma necessidade de ambos, já que todos pecaram; pode ser recebida pelos dois, já que vem pela Graça por meio da fé. A operação desta justiça salvadora na história é a pista para os propósitos finais de Deus para ambos — judeus e gentios; e essa justiça salvadora deve ser expressa na vida dos dois — pessoal, comunitária e socialmente — no corpo de Cristo, como o novo povo de Deus. O Valor da Epístola Romanos é a maior, a mais rica e mais abrangente declaração da parte de Paulo sobre o Evangelho. Suas declarações condensadas sobre verdades imensas são como molas retraídas — quando são liberadas, elas voam pela mente e pelo coração até encherem o horizonte do indivíduo e moldarem a sua vida, João Crisóstomo, o maior pregador do século V, pedia que Romanos lhe fosse lida em voz alta uma vez por semana. Agostinho, Lutero e Wesley, três figuras extremamente importantes para nossa herança cristã, tiveram à firmeza da fé através do impacto de Romanos em suas vidas. Todos os reformadores viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de toda a Escrituras Sagrada, já que nesta Epístola aqui Paulo une todos os grandes temas da Bíblia — pecado, lei, julgamento, destino humano, fé, obras, Graça, justificação, santificação, eleição, o plano da salvação, a obra de Cristo e do Espírito, a esperança cristã, a natureza e vida da Igreja, o lugar do judeu e do não-judeu nos propósitos de Deus, a filosofia da Igreja e a história do mundo, o significado e a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da cidadania cristã e os princípios de rectidão e moralidade pessoal. A Carta aos Romanos nos abre uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara. O estudo de Romanos é vitalmente necessário para a saúde e entendimento espiritual do cristão. Assim como todas as Epístolas de Paulo. II. I CORÍNTIOS A fundação da igreja em Corinto foi a obra principal da segunda excursão missionária de Paulo e um dos maiores trabalhos de todo o seu ministério. Seguindo fielmente a orientação do Espírito Santo, Paulo se sentira constrangido a passar da Ásia para o continente da Europa via Macedónia. Forçado pela perseguição, o apóstolo fugiu da Macedónia para Acaia (I Ts 2.14 seg. e Actos 17.5-15). Chegou à Grécia e pregou o Evangelho na cidade famosa de Atenas. Triste e desapontado, pelos poucos resultados da pregação naquele lugar, seguiram para a cidade de Corinto desanimado e enfraquecido (I Co 2.3 e I Ts 3.7) física e emocionalmente não se achava em condições de enfrentar a tarefa da evangelização de Corinto com entusiasmo e esperança. As fraquezas, o temor do invencível missionário, nesta ocasião, aumentaram-se pela falta de companheiros e pelo sentimento de solidão. Histórico O destemido embaixador de Cristo, teve a felicidade de encontrar-se com Áquila e Priscila, cuja amizade e cooperação no trabalho do Senhor lhe serviram como tónico (Actos 18:2 e seg. 16:3 e seg.). Quando vieram os companheiros, Silas e Timóteo, com boas notícias da Macedónia ele ficou consolado e mais vigoroso na evangelização (Actos 18:5; I Tes. 3:6-9). Livre então das preocupações que dispersavam as suas forças, “Paulo foi constrangido pela Palavra, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo”. A força e a clareza da pregação da doutrina de Cristo crucificado ofendeu os judeus e levantou contra o pregador uma forte oposição, porém, não revelou nenhum vestígio da fraqueza e temor que sentira na ocasião da chegada em Corinto. Sacudiu das vestes o pó da sinagoga e conseguiu o privilégio de realizar as suas pregações na casa de um romano, Tito o Justo, contígua à sinagoga. Tito era prosélito, ou temente a Deus e como romano, podia oferecer segurança ao grupo de cristãos. Crispo, chefe da sinagoga e muitos Coríntios criam e eram baptizados. Na noite seguinte, Paulo numa visão, recebeu a promessa de protecção divina e felicidade no ensino do Evangelho. A mão firme do oficial romano, o procônsul Gálio, impediram a violência da oposição que seria capaz de esmagar a igreja. Sabemos em Actos 20:3 que o ódio dos judeus da Grécia tornou-se muito forte e, mais tarde, estes armaram uma cilada contra Paulo, até mesmo a oposição dos inimigos e suas vizinhanças em toda Acaia (II Cor. 1:1). Quando partiu de Corinto o apóstolo deixou uma igreja forte em número e poderosa no talento e na actividade de seus membros (I Cor. 1:4-8; 14:26 e seg.). Constava a igreja de gentios principalmente, com um número avultado de judeus. Autenticidade Todos os críticos modernos, que merecem qualquer consideração, reconhecem a genuinidade de I e II Coríntios, Gálatas e Romanos. É definitivamente atestada por Clemente de Roma antes do fim do primeiro século. É quase certo que a Epístola foi conhecida e usada por Inácio e Policarpo e talvez por Hermes. Ocasião e Data É claramente exposta a ocasião da Epístola por suas várias alusões e pelos diversos problemas discutidos nela. Fora Paulo de Antioquia a Éfeso, chegando pouco depois da partida de Apolo daquela cidade para Corinto (Actos 18:28 a 19:1). Não se sabe por quanto tempo Apolo ficou em Corinto. Já estava com Paulo em Éfeso quando este escreveu a Epístola; e sabemos em I Co.16:12 que recusara decididamente voltar a Corinto, apesar do convite insistente de Paulo. Aparentemente Apolo tinha deixado a igreja de Corinto por causa das facções que surgiram sobre ele e Paulo. Cloé trouxera notícias dos distúrbios e dissensões na igreja (1:10-12) e Paulo enviara a Timóteo para resolver o problema das contendas (4:17). A desordem significava que o espírito de mundanismo estava entrando na igreja, ameaçando a sua edificação. A igreja então lhe escrevera uma carta, pedindo conselhos e orientação nas suas dificuldades. Paulo amou muito aquela igreja, não obstante todas as suas faltas (I Cor. 4:15). Empregou todo o seu poder intelectual e espiritual, nas suas cartas e visitas, para ajudá-la na solução dos problemas e orientá-la no caminho do Senhor. A Epístola foi escrita em 54 ou 55 d.C. de Éfeso. A Construção da Epístola A mensagem é simples e directa. Depois de uma saudação apostólica, cuidadosamente elaborada e uma fervorosa acção de graças pela igreja, o apóstolo discute seriamente os problemas que surgiram das relações sociais e cívicas da nova igreja. Condena severamente as dissensões e contendas, exortando os crentes à união. Não deve haver facções entre eles, porque Cristo não pode ser dividido. Foi a pregação simples que converteu o povo para uma vida de fé. A verdadeira sabedoria não é deste mundo, mas vem de Deus, revelado pelo Espírito Santo. Os irmãos devem sentir-se humilhados e envergonhados pela entrada do espírito e prática do paganismo no seio da igreja. Os fornicadores, avarentos, idólatras, maldizentes, bêbados e roubadores não podem entrar no reino de Deus. Ai da igreja se o espírito do mundo apoderar-se dela! Censura o litígio entre irmãos perante tribunais pagãos, porque os santos conhecem a verdadeira justiça e julgarão o mundo. A sensualidade é condenada porque o corpo é o santuário do Espírito Santo. Responde o apóstolo então às perguntas da igreja sobre o casamento e seus problemas, e também acerca das coisas sacrificadas aos ídolos. Na sua própria defesa Paulo discute a liberdade e os direitos apostólicos. Os cultos públicos devem ser realizados em boa ordem. Todos devem comportar-se de modo digno do Evangelho. Discute então a administração da Ceia do Senhor e a significação dos dons espirituais recebidos de Deus por irmãos de Corinto. Finalmente Paulo responde às dúvidas levantadas por alguns membros da igreja de Corinto sobre a ressurreição dos mortos. O repúdio da ressurreição corporal pelos santos, importa na negação também da ressurreição de Cristo. Este grande facto histórico é bem atestado, é a fonte e âmago da pregação apostólica, o fundamento e o poder da igreja e a base da esperança cristã. Inclui, então, um breve parágrafo sobre a colecta para os santos de Jerusalém e termina com exortações e saudações. Valor da Epístola Corinto, a cidade comercial mais importante da Grécia, ficava no estreito que liga o norte e o sul do país. Muito do comércio entre o oeste e o leste passava pelos dois portos de Corinto. Era um centro da cultura grega e perto do lugar onde se realizavam os jogos atléticos numa festa anual de grande interesse para todos os gregos. A cidade contava uma população de 600.000 habitantes, mais ou menos, com grande número de escravos e representantes de muitas nacionalidades e raças. Sendo um lugar de encontro para o oeste e o leste, a rica cidade de Corinto, com seus complicados problemas sociais, constituiu um grande desafio para o poder dinâmico do Evangelho de Cristo. Com a sua larga cultura, e sua experiência pessoal com Cristo Jesus, o Apóstolo Paulo compreendeu claramente a grande oportunidade para o Evangelho demonstrar o seu poder espiritual na transformação da vida social naquela corrupta cidade. Em contraste com a sua grandeza no passado, Corinto estava, pelo menos, acordada e cheia de vida e actividade. Não obstante a poderosa oposição da iniquidade pagã, o Evangelho prosperou em Corinto desde o princípio. Com a sua curiosidade intelectual e amor à vida, os Coríntios reconheceram as virtudes da nova religião e responderam mais cordialmente à mensagem de esperança do que os atenienses. Paulo, devido talvez à experiência com a frieza e arrogância dos atenienses, começou o seu ministério em Corinto “com temor e tremor”, mas encorajado pelos resultados imediatos, trabalhou com seus auxiliares na cidade por quase dois anos. Os missionários enfrentavam muitos problemas peculiares no treinamento espiritual dos evangelizados. Estes manifestavam profundo interesse nas doutrinas filosóficas do Evangelho, mas revelavam fraquezas assustadoras na prática dos seus ideais. Mostrava também a tendência de se dividirem em facções, fraqueza característica da vida política do povo. I Coríntios é uma das mais importantes das Escrituras no Novo Testamento. Do ponto de vista histórico, é de grande valor para o estudo do conflito dos ensinos e da prática do Novo Testamento com o paganismo. Na discussão dos problemas da igreja Paulo nos oferece um retrato fiel da vida cristã daquela época. Nesta carta ele nos fornece muitas ilustrações preciosas da interpretação e prática da ética cristã em contraste com os ensinos do paganismo. Com a sua profunda compreensão dos princípios do Evangelho, o escritor nos mostra como estes se aplicam igualmente a todas as classes sociais na civilização complicada de uma grande cidade. Teologicamente, o apóstolo expõe neste documento as doutrinas fundamentais do Evangelho. Pela primeira vez na história, um poderoso intelecto demonstra a possibilidade de resolver todos os problemas religiosos da humanidade à luz do Evangelho de Cristo Jesus. São inseparáveis a vida e a teologia. Todas as doutrinas teológicas têm a sua aplicação prática aos problemas da vida e todas as dificuldades se resolvem à luz dos propósitos de Deus, revelado em Cristo Jesus. A doutrina profunda da ressurreição trouxe para o mundo uma nova esperança que modificou toda a filosofia da vida. Como nenhum outro livro do Novo Testamento, I Coríntios mostra como o Evangelho está enraizado, profundamente na história. Na famosa passagem de I Co. 15:3-9, escrita 25 anos depois do evento e antes das narrativas paralelas dos escritos do Evangelho, Paulo nos declara que ele concorda com os apóstolos de Jesus no seu testemunho da ressurreição. Este é, então, o fundamento mais antigo que apresenta as provas irrefutáveis da ressurreição de Jesus. A análise do amor cristão, no capítulo 13, mostra claramente que um novo poder, desconhecido até a sua revelação em Cristo Jesus, tinha entrado no mundo. III. II CORÍNTIOS Muito largo é o escopo dos sentimentos de Paulo nesta obra. Revela acima de tudo o amor e a solicitude pelos Coríntios, Descreve o alívio e a alegria que sentiu quando recebeu a notícia do feliz êxito da missão de Tito na sua visita a Corinto. Apresenta em 2:12-6:10 a mais gloriosa exposição do ministério da Palavra de Deus que se encontra em toda a literatura, respondendo às acusações e críticas dos sacerdotes. Paulo aproveita o ensejo para defender o seu apostolado no trecho autobiográfico que revela o génio e a nobreza do grande apóstolo aos gentios. Autenticidade Clemente de Roma, Inácio e Policarpo conheceram a Epístola. Clemente conhecia os versículos 12, 14 e 21 do capítulo 12 de I Coríntios, porque usou frequentemente a mesma figura do corpo. Ele também se refere directamente ao autor de II Coríntios como o “abençoado Paulo”. O uso da obra por Inácio é ainda mais copioso. Moffatt repete a seguinte citação sem mencionar o autor: “Inácio deveria ter conhecido de cor esta Epístola”. Como Clemente e Policarpo também cita o livro e frequentemente reflecte nos seus escritos a linguagem dele. A obra é copiosamente citada pelos escritores subsequentes, como Justino, Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano. Foi escrita de Macedónia em 54 ou 55d.C. Todos os críticos atribuem a obra, na sua inteireza, ao apóstolo Paulo, e todos notam um contraste no sentido e na atitude do autor nos primeiros nove capítulos, de um lado e nos capítulos 10-13, do outro. Qualquer leitor casual pode notar a mudança no teor da mensagem quando passa do capítulo 9 para o capítulo 10. Valor de II Coríntios Nos primeiros nove capítulos o Apóstolo descreve a sua alegria com a solução dos problemas e dificuldades que ameaçaram a destruição da igreja em Corinto, refere-se à tristeza que experimentou quando, por necessidade, escreveu-lhes uma carta severa. Descreve a satisfação que sentiu quando Tito lhe trouxe as boas notícias da reconciliação da igreja. Revela o seu ardoroso afecto para os seus filhos na fé e no espírito conciliatório estimula os irmãos a ajudar na colecta para os cristãos pobres da Judeia. Nos primeiros capítulos 10-13 o autor não somente defende a sua autoridade apostólica, mas gloria-se também nos seus dons, nas suas actividades e no êxito do seu grande ministério. Com ousadia ameaça punir os desobedientes. Declara que em nada fora inferior aos maiores entre os apóstolos como “insensato” ele se gloria dos seus sofrimentos por amor do Evangelho. Certamente os primeiros leitores desta obra não compreenderam a grandeza da mensagem do escritor; e os caluniadores não sabiam que a sua oposição contra Paulo estava contribuindo para a produção de uma peça imortal da literatura cristã. A Epístola aos Gálatas, com a sua doutrina de salvação pela Graça de Deus sem obras da lei é o manifesto da independência do cristianismo e Romanos o desenvolvimento lógico deste Evangelho. II Coríntios serve de suplemento no aperfeiçoamento das grandes doutrinas de Paulo. Consta na primeira parte da Epístola uma discussão da glória do ministério cristão. Felizmente o autor discute o assunto do ponto de vista de sua própria experiência, e, portanto revela os seus sentimentos pessoais. IV. GÁLATAS O apóstolo Paulo é o autor da carta aos Gálatas (1.1). Ele menciona um grupo de colaboradores que teve alguma participação no envio da carta (1.2), mas o estilo e a teologia da mesma demonstram que Paulo foi o autor imediato. A questão da data da carta está ligada ao problema dos seus destinatários. Paulo os chama de "gálatas" (3.1; cf. 1.2), mas a que "gálatas" estava escrevendo? Pode ter escrito especificamente ao povo celta que vivia no Norte da Galácia e que era amplamente conhecido como "gálatas", ou pode ter se dirigido ao povo que vivia em toda a província da Galácia. Histórico da Epístola Quando seguimos o curso das primeiras duas viagens missionárias do apóstolo (At 13-14; 15.36-18.22) descobrimos que esta questão traz implicações para a data da Epístola e para o seu relacionamento com as outras cartas de Paulo. Ele visitou Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, e Derbe (todas cidades do Sul da Galácia) no decorrer de suas duas primeiras viagens missionárias. Se Paulo escreveu ao sul da Galácia, provavelmente tenha escrito àquelas igrejas nos primeiros anos de sua carreira, logo depois de sua primeira viagem missionária, ou aproximadamente na época do Concílio de Jerusalém (At 5; cf. Gl 2.11 -14). A data que é geralmente apresentada por aqueles que mantêm este ponto de vista é 49 d.C. Se isso for correcto, a Epístola aos Gálatas pode ser a mais antiga em existência nos dias de hoje. Autenticidade: Esta Epístola, como já dissemos, faz parte da lista dos escritos reconhecida por todos os críticos modernos, que merecem toda consideração em relação a sua genuinidade. É definitivamente atestada por Clemente e Roma antes do fim do primeiro século. É quase certo que a Epístola foi conhecida e usada por Inácio e Policarpo e talvez por Hermes. Ocasião e Data: Muitos estudiosos acreditam que a carta foi escrita para os Gálatas étnicos do Norte. Se este ponto de vista estiver correcto, Paulo deve ter escrito a carta depois de passar pela "Galácia e Frigia" (At 18.23), na sua terceira viagem missionária. Muitos que seguem a "teoria do Norte da Galácia" acreditam que Paulo escreveu a carta, ou durante sua estadia de dois anos em Éfeso (At 19) ou quando estava viajando através da Macedónia, indo à Grécia, no final da sua terceira viagem missionária (At 20.1 -6; cf. 2Co 2.13). Se essa teoria for correcta, a Epístola aos Gálatas foi escrita, provavelmente, em 54 ou 55 d.C. Teorias que datam a carta durante a parte final do ministério de Paulo têm o mérito de colocar Gálatas no mesmo período de II Coríntios, Romanos e talvez Filipenses. Estas cartas têm alguns pontos em comum com Gálatas. A Construção da Epístola Esta Epístola foi escrita para responder a problemas específicos em determinadas igrejas. Para entender a Epístola, é essencial ter algum conhecimento sobre a situação que levou Paulo a escrevê-la. Não muito depois dos gálatas terem crido no Evangelho, surgiram agitadores entre eles, os quais atacaram Paulo pessoalmente (14.17) e pregaram uma forma distorcida de cristianismo (1.6-7). O "evangelho" dos agitadores requeria a circuncisão para a salvação (6.12). Já que os gálatas eram gentios incircuncisos, os agitadores insistiram que os gálatas não só acreditassem em Cristo para sua salvação, mas também aceitassem a circuncisão (2.3-5; 5.2,6 11; 6.12-13,15). O zelo desses agitadores provavelmente reflectia a pressão judaica, assim como o seu próprio orgulho. É provável que estivessem tentando converter os gálatas gentios para o judaísmo sob pressão de grupos judeus nacionalistas da Judeia, que, conforme o historiador judeu Josefo, estavam se tornando cada vez mais intolerantes no contacto entre judeus e gentios durante a segunda metade do século I. Os agitadores não estavam satisfeitos somente em pregar o seu tipo de evangelho. Também tentaram desacreditar a Paulo, que havia fundado as igrejas da Galácia (4.17). Os seus ataques vinham de três frentes: Primeiro alegavam que Paulo era um rebelde que tinha desafiado os seus superiores, os apóstolos de Jerusalém. Paulo responde a este ataque em 1.11-2.10. Segundo, diziam que Paulo havia recentemente discutido com Pedro se o evangelho requeria que os gentios se tornassem judeus para que pudessem se tornar cristãos. Paulo dá a sua versão do encontro com Pedro em 2.11-14. Terceiro, os agitadores espalharam a noção de que Paulo havia originalmente pregado a circuncisão antes da salvação (5.11), mas que tinha recentemente mudado o seu Evangelho para que pudesse acomodar com maior facilidade os gentios (1.10). Os gálatas, por sua parte, estavam demonstrando interesse tanto pelos rumores sobre Paulo, como pela nova forma de evangelho dos agitadores. Na época em que Paulo escreveu, estavam no processo de abandonar o Verdadeiro Evangelho e consequentemente, ao próprio Deus (1.6-7). Queriam agora estar "sob a lei" (4.21; cf. 5.1) e, especificamente, ser circuncidados (5.2). Esta transição para um "outro evangelho" (1.6) não foi tranquila. A comunidade parece ter ficado dividida (5.15; 6.3-5). Nota-se que em todas as épocas a Mensagem da Graça é recebida com uma certa reserva. O Valor da Epístola O propósito de Paulo em escrever, era o de persuadir os gálatas de que nenhum gentio precisava aceitar a circuncisão para pertencer ao povo da aliança divina. A "verdade do Evangelho" (2.5,14) é que o acesso à comunhão para o povo de Deus vem através da fé em Jesus Cristo. Qualquer um que busque violar esta esfera sagrada de fé, adicionando novas exigências, estará adulterando o Evangelho e deve ser resistido a todo custo (1.8-9). Para tornar o seu argumento persuasivo, Paulo tinha que demonstrar que os rumores sobre ele eram falsos, e que tanto o seu Evangelho como a sua autoridade para pregá-lo vinham do próprio Deus. 11.11-2.14; cf.5.11; 6.17). A carta aos Gálatas permanece como sentinela da verdade de que a salvação é uma dádiva da Graça de Deus, que não é ganha nem é merecida, mas recebida somente pela fé (2.15-16). De facto, a própria fé é dom gratuito de Deus (1.3,6, 15; 2.19,21; 6.18). Esta é, simplesmente, "a verdade do Evangelho" (2.5,14). Paulo mostra uma ira profunda contra a negação desta verdade pelos agitadores (3.1; 5.12). Fé somente é a chave, porque somente Cristo é o Salvador. Ele suportou a maldição da lei no nosso lugar na cruz (3.13; 6.14), feitos um com ele, estamos revestidos com a sua justiça (3.26-27), que é a nossa esperança (5.5). Por estarmos unidos a Cristo, por nossa eleição, chamado e predestinação, recebemos o direito de sermos filhos de Deus (4.4-5) capacitando-nos a viver no Espírito, em comunhão com Ele (2.20; 4.6-7; 5.16-18,25). O dom do Espírito é a bênção completa prometida há muito tempo a Abraão (3.6-9,14). Contra a especulação orgulhosa dos pecadores que dizem poder ganhar a sua própria salvação cumprindo a lei de Deus, Paulo se gloria somente na Graça (6.14), que é a afirmação real e a verdade axiomática.
Capítulo X EFÉSIOS, FILIPENSES, COLOSSENSES
I. EFÉSIOS A Epístola aos Efésios leva-nos às maiores alturas da posição cristã. É, como bem se entende, a Epístola dos lugares celestiais. Cristo está assentado ali, e nós estamos sentados com Ele. A própria cena do nosso conflito espiritual são os lugares celestiais. A altura da perspectiva aqui, dá-nos uma visão mais ampla da verdade do que aquela que temos gozado anteriormente, de facto, a mais larga possível. Histórico O monumento cívico mais proeminente de Éfeso era uma das sete maravilhas do mundo antigo, o templo da deusa Diana. Em uma inscrição, a cidade descreve a si própria como sendo a "alimentadora" da deusa, que por sua vez faz de Éfeso a "mais gloriosa" das cidades asiáticas. Pessoas daquela área apreciariam a ironia nas palavras de Paulo sobre como Cristo alimenta ao seu próprio corpo, que é a igreja (5.29). Compreenderiam o contraste que Paulo estabelece ao descrever a igreja de Cristo como uma noiva "gloriosa" ou radiante (5.27). É também em Éfeso, que a pregação de Paulo a respeito de Cristo, entra num conflito dramático com uma indústria importante, que dependia do culto pagão (At 19.23-41), e o Evangelho inspira uma grande conversão dos que praticavam o ocultismo (At 19.17-20). O clamor de Paulo para que se expusessem as obras das trevas (5.8-14) e para que se preparassem para a guerra contra "as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (6.12) afectaria aos leitores originais com uma força toda especial. Autenticidade A linguagem e o estilo de Efésios são certamente diferentes em alguns aspectos quando comparadas com outras cartas de Paulo. Ainda assim, parece-se tanto com Paulo que mesmo se a carta não tivesse o seu nome, seria difícil imaginar que a igreja a creditasse a qualquer outra pessoa. As cartas aos Efésios e aos Colossenses são muito parecidas. Mas aqueles que duvidam da autoria paulina, ainda não reflectiram sobre como é constrangedor imaginar, uma pessoa que esteja tão ansiosa por imitar o seu mestre, a ponto de transcrever alguns versículos de Colossenses palavra por palavra e, ainda assim, de maneira tão criativa a ponto de transformar o estilo doutrinário e persuasivo típicos de Paulo em estilo de doxologia e oração e, desta maneira, ousar ultrapassar corajosamente as fronteiras da teologia paulina do Cristo exaltado e reinante para uma teologia que fala de uma igreja universal. As semelhanças verbais com Colossenses são mais facilmente explicadas quando se admite que Paulo escreveu Efésios, pouco depois de completar a carta aos Colossenses. Paulo adoptou uma abordagem devocional e de oração à medida que contemplava o significado eterno e universal da igreja de Cristo, continuando assim as suas reflexões sobre o assunto que dominou a sua correspondência com os Colossenses — o significado eterno e universal do próprio Cristo. Esta carta reclama a autoria paulina de forma explícita (1.1; 3.1). Muitos temas e expressões que são comuns em suas cartas anteriores são encontrados com frequência em Efésios. As semelhanças verbais com Colossenses são surpreendentes. Ocasião e Data A prisão mencionada em 3.1 e 6.20 é a mesma referida em Cl 4.3,10, 18, e foi, provavelmente, a prisão domiciliar de dois anos de Paulo em Roma (60-62 d.C.), descrita em At 28. Éfeso era a capital da província romana da Ásia, na costa oeste da Ásia Menor. Situava-se entre as duas metades (ocidental e oriental) do Império Romano e estava entre as cinco maiores cidades do império durante o século l. Foi importante para a expansão do cristianismo. Durante a estadia (mais longa que de costume) de Paulo em Éfeso, esta cidade tornou-se o centro da evangelização da parte ocidental da Ásia Menor (At 19.10). Os laços afectivos entre Paulo e esta igreja são revelados no seu discurso de despedida aos seus presbíteros (At 20.16-38). A Construção da Epístola É provável que a carta tivesse uma audiência maior do que somente a cidade de Éfeso. Alguns dos manuscritos gregos mais antigos não incluem "em Éfeso" no endereço da carta (1.1), tendo, em vez disso, "aos santos que são fiéis em Cristo Jesus". Vários escritores cristãos primitivos parecem ignorar que os efésios eram os destinatários específicos. A carta não tem as referências e saudações pessoais que Paulo quase sempre inclui em sua correspondência. Ao mesmo tempo, nenhum manuscrito nomeia qualquer outra cidade como destinatária da Epístola. Muitos estudiosos acreditam que Efésios tenha sido escrita como uma carta geral às igrejas da região. Isto seria coerente com o conteúdo abrangente da carta como um todo. É provável que originalmente Paulo tenha mandado a carta para Éfeso, mas à medida que a carta foi enviada de igreja em igreja, o endereço foi omitido porque o conteúdo tinha pouco a ver com Éfeso em particular. Pode ser também que a carta tenha existido originalmente em duas formas, uma para os efésios e outra para circulação geral. Assim como a carta aos Romanos, a Epístola aos Efésios nos fornece uma visão privilegiada do pensamento de Paulo, já que ele podia dar-se ao luxo de abordar uma questão importante sem a distracção de ter de resolver uma controvérsia local. O foco de Efésios é o mistério da igreja. Valor A igreja é a nova humanidade de Deus, uma colónia onde o Senhor da história estabeleceu uma amostra da unidade e dignidade renovada da raça humana (1.10-14; 2.11-22; 3.6,9-11; 4.1—6.9). A igreja é uma comunidade onde o poder de Deus de reconciliar as pessoas a si próprio é experimentado e compartilhado através de relacionamentos transformados (2.1-10; 4.1-16; 4.32—5.2; 5.22—6.9). É um novo templo, uma construção feita de pessoas, fundada na revelação segura do que Deus tem feito na história (2.19-22; 3.17-19). A igreja é um organismo onde o poder e a autoridade são exercidos segundo o padrão de Cristo (1.22; 5.25-27), e a sua mordomia é uma maneira de servi-lo (4.11-16; 5.22-6.9). A Igreja é um posto avançado num mundo tenebroso (5. 3-17), buscando o dia da redenção final. Acima de tudo, a igreja é a noiva que se prepara para a chegada do seu amado esposo (5.22-32) II. FILIPENSES A cidade de Filipos foi assim denominada em honra a Filipe da Macedónia, o pai de Alexandre, o Grande. Uma das razões para sua importância, é que ela ficava na estrada principal entre as províncias orientais e Roma. Sendo uma colónia romana habitada parcialmente por soldados romanos aposentados, os seus habitantes desfrutavam dos privilégios da cidadania romana. A ausência de citações do Antigo Testamento e de nomes judeus na carta indica que a igreja de Filipos era, em sua maior parte, gentílica. Histórico O começo do envolvimento de Paulo com a igreja de Filipos está registrado em At 16. Impelido por uma visão (At 16.6-10), Paulo e seus companheiros viajaram a Filipos (At 16.12). Durante a sua breve visita, Deus fez grandes obras e uma igreja foi estabelecida (At 16.40), a primeira de Paulo em solo europeu. O próprio Paulo retornou em pelo menos duas ocasiões para fortalecer os crentes (At 20.1-6; 2Co 2.13). Autenticidade O autor se identifica como sendo Paulo (1.1), e a igreja primitiva unanimemente atribuiu esta carta ao apóstolo. A primeira visita de Paulo a Filipos foi em 52 d.C., e suas experiências ali são detalhadas no Livro de Actos. Foi uma visita frutífera, e quando o apóstolo seguiu para Tessalônica deixou atrás o núcleo de uma robusta igreja. A Epístola foi escrita uns dez anos após a primeira visita. Estes factos, em conjunto, eliminam qualquer dúvida de que Paulo seja o autor. Ocasião e Data Paulo escreve da prisão (1.12-30), mas o local dessa prisão é uma questão debatida. Alguns acham que ele escreveu de Éfeso, ainda que At 19 não faça menção de nenhum aprisionamento durante o seu longo ministério entre os efésios. Um argumento mais forte pode ser construído no sentido de que ele teria escrito a carta durante a sua prisão em Cesaréia (At 23.23—26.32). Mas é provável, de acordo com a tradição antiga, que Paulo tenha escrito Filipenses durante a sua prisão em Roma, descrita em At 28, e que ele o fez perto do fim deste período, em torno de 61 d.C. As suas referências à "guarda pretoriana" (1.13) e à "casa de César" (4.22) se encaixam melhor em um cenário romano, e a linguagem de 1.7-26 sugere procedimentos legais do mais alto nível. Finalmente, o êxito continuado do ministério de Paulo durante a sua prisão (1.12-14) está em concordância com a sua liberdade de pregar durante o seu encarceramento em Roma (At 28.16-31). Filipenses está cheia de alegria e gratidão pela maneira como Deus está levando à frente a sua obra de salvação entre os filipenses e pelo laço especial que existe entre Paulo e os seus leitores. Ao mesmo tempo, existe um tom de gravidade na carta. Os filipenses estão enfrentando perseguição (1.27-30) e sentem as pressões exercidas pêlos falsos ensinamentos (3.2-21). Os conflitos na igreja puseram em risco o testemunho dos crentes ao mundo e a sua capacidade de suportar seus ataques (1.27—2.18; 4.2-3). A construção da Epístola Esta Epístola atesta amplamente o laço especial de amor que havia entre Paulo e os filipenses (1.3-8:4.10-19). A igreja de Filipos havia apoiado o ministério de Paulo fielmente, e a sua disposição em sofrer com ele por Cristo era uma fonte de encorajamento para Paulo. Ainda que estivesse na cadeia, a carta de Paulo ressoa com o tema "alegria". Diferentes formas da palavra "alegria" ocorrem dezesseis vezes na carta. A alegria de Paulo está fundamentada na paz de Deus, o antídoto a toda a ansiedade (4.4-7). Valor Paulo usa a palavra "Deus" para se referir a manifestação de Pai (1.2; 2.11; 4.20). A designação favorita usada por Paulo para referir-se a Jesus, o próprio Deus encarnado, é "o Senhor" (ver 1.2; 2.11,19; 3.8,20; 4.23). De um lado, Paulo afirma nesta carta que o Pai e o Filho são idênticos em seu ser, são iguais, são uma mesma pessoa. Ambos são um só, logo, e só a um deve-se adorar (2.6-11). Ao chamar Jesus Cristo de "o Senhor," Paulo o identifica com Javé, o Deus de Israel. Contudo, ao chamar Deus de “Pai” e Jesus de "o Senhor", Paulo mostra que existe uma distinção de manifestações de um Deus Único. Finalmente, o Espírito Santo é Deus Pai (3.3) e é Jesus Cristo (1.19). A teologia de Paulo é triunitariana, revelando um Único Deus em três manifestações. O majestoso "hino a Cristo" (2.6-11) proporciona um modelo para os crentes. Antes de "se fez carne," Jo 1.14. Cristo Jesus é verdadeiramente Deus. Não obstante, se esvaziou e tomou a forma de servo, abandonando os seus privilégios divinos e assumindo a natureza humana. Ainda assim, abrindo mão dos seus privilégios, não deixou de ser Deus. Ao contrário, Cristo manifestou o seu carácter divino tornando-se um ser humano. Contra aqueles que apontam para a obediência à lei do Antigo Testamento como maneira de ganhar a salvação, Paulo ressalta a vontade de Deus de que o seu povo seja salvo pela aceitação da sua justiça como um dom e não tentando lutar para estabelecer a sua própria. Ainda que Paulo tenha sido escrupuloso na sua obediência à lei, ele se deu conta de que a sua confiança em tal obediência era um grande pecado, pois ela lhe impedia de confiar em Deus. Paulo vê as suas glórias passadas com repulsa (3.7-8) e agora deposita a sua confiança somente em Cristo (3.3,9). A carta está repleta de instruções sobre quanto, o cristianismo é prático. Da mesma forma que Cristo se tornou servo, os cristãos também devem ser servos de Cristo (1.1). Somente um servo de Cristo está livre para amar e servir aos outros (12.3-5). Paulo ressalta a importância da identificação com Cristo na sua morte e ressurreição. Assim como era para Cristo, o sofrimento para o crente é um prelúdio à ressurreição (3.10-11). Por quanto, é no meio de lutas contínuas que o cristão experimenta alegria e poder (3.10; 4.13). A importância do esforço que busca o desenvolvimento pleno da salvação é destacada. Certo do chamado de Deus, Paulo segue para o prémio celestial (3.13-14). À medida que os cristãos trabalham, se dão contas de que Deus está operando neles (2.12-13). O esforço humano é exactamente a área onde o poder de Deus é manifestado. III. COLOSSENSES Nos dias de Paulo, Colossos é uma cidade comercial de pouca importância, com certeza a cidade menos significativa de todas aquelas às quais foram endereçadas as cartas de Paulo ainda existentes. Histórico Antigamente, Colossos, uma cidade situada nas margens do rio Lico, no Sudeste da Ásia Menor, tinha sido uma cidade grande e próspera, desfrutando de uma florescente indústria de lã e de uma estratégica localização sobre uma importante rota nacional de comércio entre Éfeso, 160 km a oeste, e o Eufrates, cerca de 640 km a leste. Durante o período romano, contudo, Colossos declinara em face do crescimento de outras duas cidades do vale de Lico: Laodicéia, a capital distrital, 16 km a oeste, e Hierápolis, famosa por suas fontes terapêuticas, cerca de 20 km a noroeste. Autenticidade A Epístola aos Colossenses foi escrita por Paulo, o apóstolo (1.1:4.18). Embora muitos estudiosos modernos tenham dúvidas se a autoria desta carta deva ser mesmo atribuída a Paulo, faltam bases convincentes para questionar a sua autenticidade. A linguagem e o estilo estão bem dentro da gama das variações que Paulo mostra em outros escritos e, mesmo que certos aspectos do vocabulário de Colossenses sejam característicos (p. ex., "plenitude", "mistério", "rudimentos" e "humildade"), estes se devem em grande medida ao facto de Paulo usar a linguagem de seus oponentes para refutá-los. O facto de nenhuma ordem hierárquica da igreja estar em evidência e de não haver nenhuma referência a alguma autoridade formal na igreja aponta vigorosamente para o período em que Paulo e seus associados estavam, eles próprios, trabalhando nas igrejas que fundaram. Ocasião e Data Paulo nunca visitou Colossos (2.1). A igreja foi fundada ali por um colossense chamado Epafras, aparentemente seguindo o exemplo do ministério de Paulo em Éfeso (53-55 d.C.), de onde era possível que "todos os que moravam na Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeu como grego" (At 19.10). Cerca de cinco a sete anos mais tarde, o fundador da igreja colossense juntou-se a Paulo na prisão em Roma (At 28; Cl 4.12-13) para contar ao apóstolo sobre um estranho ensinamento que ameaçava a saúde de sua igreja local e para permanecer com Paulo a fim de orarem pelas igrejas do vale do Lico. A Construção da Epístola Os cristãos a quem Paulo se dirige nesta carta estavam lutando contra uma forma de filosofia judaica de influência grega que considerava os cristãos ainda vulneráveis às forças espirituais. Pensava-se que estas forças precisavam ser aplacadas através de veneração, através de algum tipo de ascetismo em relação à comida e bebida, e pela observação de certos dias prescritos na lei cerimonial do Antigo Testamento. A Epístola tem o propósito de ajudar os cristãos a entender que, para ganharem aceitação perante Deus, eles precisam somente de Cristo. Deus já os aceitou em virtude de sua união com Cristo na sua morte e ressurreição. Embora exista uma maturidade ou perfeição que ainda se apresenta perante eles como um alvo (1.22-23,28), em Cristo eles já estavam aperfeiçoados (2.10). Valor Dificuldades de Interpretação Paulo trata do falso ensinamento em Colossos. Frigia, a região do centro-sul da Ásia Menor onde Colossos estava localizada, é uma área com uma história religiosa peculiar. Em tempos antigos, nesta região originou-se a adoração da deusa Cibele, cujo culto (renovado durante a era romana) era caracterizado pelo ritual de purificação através do sangue de um touro, estados de êxtase, arrebatamento profético e dança inspirada. Na última metade do século II d.C., a Frigia tornou-se o centro de uma versão distorcida do cristianismo conhecida como Montanismo, um ensinamento que prezava a profecia extática e apocalíptica, liberdade das responsabilidades da vida diários e rigorosos jejuns e penitências para a pureza ritual. Poucos anos após a introdução do cristianismo entre esses frígios, Epafras e Paulo descobriram que havia emergido um desejo por algo mais do que o Cristo crucificado e ressurrecto. É notoriamente difícil reconstruir o falso ensinamento ao qual Paulo estava respondendo, porque a carta é antes uma declaração positiva da suficiência da pessoa e obra de Cristo e não uma crítica ao erro. Contudo, certas características do falso ensinamento vêm à tona. Pretendia ser uma "filosofia" (2.8), um termo que, frequentemente, na era helenista, referia-se não a uma investigação racional, mas a especulações ocultas e práticas baseadas num conjunto de tradições. O ensinamento parece ter sido principalmente judaico, como é evidenciado pelo valor atribuído às ordenanças legais, às regras de alimentação, à observância do sábado e da lua nova e a outras prescrições do calendário judaico (2.16). Embora a circuncisão seja mencionada, não era necessariamente considerada como um dos requerimentos legais (2.11). O papel dos espíritos angelicais era também um importante elemento neste ensinamento. Três factores principais apontam para isto. Há ênfase na superioridade e vitória de Cristo sobre "principados" e "potestades" (1.16; 2.10,15). A frase "rudimentos do mundo" (2.8,20; cf. Gl 4.3) também aponta para seres angelicais. Uma linha de interpretação antiga e popular entende que Paulo discute contra os "rudimentos" que sustentam que a vida com Deus vem através de obras de justiça. Contudo, a competição entre Cristo e seres espirituais, implícita na carta, sugere um contexto mais transcendente e sinistro. A palavra grega traduzida por "rudimentos" era usada neste período para referir-se a deuses de estrelas e planetas, e até mesmo, aos elementos físicos (terra, vento, fogo e água) que, pensava-se, controlavam o destino de homens e mulheres. A deusa frigia, Cibele e seu amante Átis, foram transformados, em algum momento, pela piedade popular pagã, em poderes astrais e cósmicos. Nessa linha de pensamento, até mesmo algum pensamento judeu unia os anjos a poderes astrais que protegiam os planetas. Mais ainda, a literatura judaica intertestamentária concebia Israel tomado entre dois reinos, um bom e um mau, e ambos reivindicavam fidelidade. A vitória do bem e a derrota do poder do mal eram entendidas como sendo prometidas se Israel se arrependesse, obedecesse plenamente e guardasse perfeitamente o sábado. Os colossenses parecem ter-se colocado debaixo da influência de uma combinação de piedade judaica e pagã, que se apresentava como um sistema filosófico que encorajava a submissão a estes ocultos poderes astrais ou cósmicos. O papel dos anjos nessa heresia dos colossenses é evidente na frase "culto dos anjos" (2.18). Os primeiros cristãos sabiam que havia anjos que tinham sido agentes na criação e na entrega da lei (At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). O falso ensinamento em Colossos tinha confundido o limitado e legítimo papel dos anjos como "espíritos ministradores" (Hb 1.14) com o papel mais amplo atribuído aos anjos em algumas partes do judaísmo, para não mencionar o poder astral dos gentios. Como um meio de vencer o medo destes poderes astrais ou cósmicos, e sob a máscara das revelações que os assim chamados "filósofos" recebiam em estados de êxtase, os colossenses estavam sendo pressionados a se tornarem ascéticos e a adorarem anjos.
Capítulo XI I e II TESSALONICENSES, I e II TIMÓTEO, TITO I. I TESSALONICENSES Esta obra do Apóstolo Paulo ocupa um lugar de interesse especial na literatura do Novo Testamento. É a mais antiga das Epístolas de Paulo que chegaram a nós. Colecções de preceitos de Jesus e outros documentos foram preparados antes de I Tessalonicenses. Este documento de Paulo é um livro completo na sua forma original, e trata dos princípios da grande obra missionária cristã. A Data Foi escrita de Corinto (Actos 18:11), como se vê na referência a Acaia em I Tessalonicenses 1:7-8. Paulo foi levado perante o procônsul, Gálio (Actos 18:12), cujo mandato se estendia de 51 a 52d.C., ou possivelmente mais um ano. A Epístola foi escrita antes dessa experiência dos escritos, talvez no ano 50 ou 51d.C.. A Autenticidade A Epístola foi incluída no Cânon Muratoriano e também na colecção limitada de Marcião. Estavam em circulação nos princípios do segundo século. São escassas as alusões na literatura dos pais apostólicos, mas Hermes e Inácio aparentemente conheciam a obra. Mais tarde Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes fizeram copiosas citações da obra, na plena certeza de que foi escrita pelo Apóstolo Paulo. Ocasião Foi dirigida a uma igreja nova, organizada em circunstâncias difíceis. Depois da perseguição em Filipos, Paulo e seus companheiros passaram para Tessalônica, a cidade principal da Macedónia. Devido à sua posição geográfica Tessalônica foi sempre um centro comercial. A cidade moderna, chamada Salônica, é ainda de grande importância para toda a região. A conversão de muitos gregos devotos, associados com a sinagoga, despertou a inveja dos judeus. Estes, com o auxílio de alguns homens maus, dentre o vulgacho, amotinaram a cidade e expulsaram os missionários. Pela primeira vez na história do cristianismo foi levantado em Tessalônica o grito de deslealdade civil contra a nova religião: “Todos eles vão de encontro aos decretos de César, dizendo haver outro rei que é Jesus”. Por quase três séculos os cristãos sofreram perseguição por causa desta falsa acusação. Fl. 4:16. Expulso de Tessalônica Paulo foi para a Grécia, pregando o Evangelho em Beréia e Atenas. Na viagem para Corinto, permaneceu por quase dois anos. Foi obrigado a deixar os irmãos em Tessalônica precipitadamente. O missionário pastor sabia que eles ainda não se achavam bem estabelecidos na fé, e não podia deixar de preocupar-se com os novos convertidos. Podia manter-se a nova igreja diante da perseguição dos inimigos? Na sua solicitude o apóstolo desejava voltar à igreja, mas resolveu enviar a Timóteo no seu lugar, para ministrar aos irmãos, fortalecer a sua confiança na fé e a trazer-lhe notícias sobre as condições e o progresso da igreja. Quando Timóteo voltou e trouxe boas notícias sobre a fé, a gratidão e o amor dos tessalonicenses, e o progresso da evangelização da Macedónia, o apóstolo lhes escreveu a Epístola para confirmar os bons efeitos da visita de Timóteo e animá-los no seu testemunho poderoso ao Evangelho de Cristo. Características e Argumento Durante o breve ministério de Paulo, Silas e Timóteo em Tessalônica eles foram instrumentos de Deus para ganhar alguns judeus e muitos gentios, fundando uma igreja vigorosa e ativa naquela cidade estratégica da Macedónia. Devido a perseguição, Paulo deixou a igreja apressadamente e com muita relutância, sabendo que ela enfrentava, apesar da perseguição, grandes oportunidades, devido à sua localização estratégica, para divulgar a fé, o amor, a esperança no Senhor Jesus Cristo. O ardoroso missionário revela na Epístola a sua gratidão pelo grande poder do Evangelho no coração dos Tessalonicenses, lembrando-os das verdades evangélicas que lhes pregara no espírito de sinceridade e abnegação. O apóstolo refuta de maneira poderosa as acusações dos inimigos contra o seu carácter e o seu trabalho, chamando atenção às manifestações claras de seu terno amor, de seu comportamento irrepreensível e de seu trabalho árduo, em circunstâncias penosas, sem qualquer sustento material dos irmãos que receberam os benefícios espirituais do seu ministério. Aproveitou também o ensejo para ajudar os bons amigos na solução de seus problemas. Alguns andavam tristes e perturbados porque tinham receio que os amigos cristãos, mortos antes da segunda vinda de Cristo, não pudessem participar da grande alegria e glória de se encontrarem com Jesus na ocasião da sua iminente volta ao mundo. Outros se achavam perplexos sobre a demora da vinda de Jesus e precisavam da instrução para estar sempre preparados. Os filhos da luz deviam vigiar e não dormir. Esperança no regresso imediato de Cristo não justificava a ociosidade. A fé em Cristo exigia pureza e justiça de todos. Para todos os necessitados o amado pastor escreveu mensagens apropriadas de conforto, instrução, conselho e animação. Não obstante a grande preocupação com os trabalhos da igreja em Corinto, Paulo não se esqueceu dos bons amigos em Tessalônica, e esforçou-se grandemente para ministrar às suas necessidades. Fez tudo no espírito de sacrifício e amor, revelando como ele se entregou sem reserva ao ministério da Palavra de Deus. II. II TESSALONICENSES Pode-se imaginar a inspiração e o entusiasmo despertados nos Tessalonicenses pela primeira Epístola recebida do seu amado missionário. Certamente leram a mensagem sofregamente e guardaram o documento como tesouro precioso. Estudavam e discutiam os preceitos apresentados na carta para a solução dos seus problemas. Ocasião e Data Paulo achava-se ainda em Corinto com Silvano e Timóteo. Escreveu pouco tempo depois de despachar a primeira carta, havendo recebido notícias da interpretação errada do seu ensino sobre a volta de Cristo. Escreveu para repudiar essas ideias falsas e para acalmar e encorajar os Tessalonicenses no meio dos perigos da perseguição. A instrução é praticamente uma elaboração do seu ensino oral quando esteve ainda com eles 2:5 e 2:15. Nota-se, todavia, mais ênfase sobre a autoridade apostólica, na segunda carta. Os crentes de Tessalônica ainda enfrentavam com coragem e fé a perseguição dos inimigos e precisavam da orientação sábia do apóstolo. Novos na fé e pouco instruídos nos ensinos do Evangelho, alguns dos leitores não entenderam as instruções de Paulo sobre o segundo advento de Cristo. Confirmaram-se alguns na crença de que Jesus havia de voltar dentro em breve, e por isso tornaram-se indolentes e se intrometeram em negócios alheios. O apóstolo escreveu a segunda Epístola para lhes explicar mais precisamente a significação dos seus conselhos na sua primeira mensagem sobre as últimas coisas. Argumento Depois de louvar o amor, a fé e a paciência dos seus leitores, Paulo explica que as tribulações dos crentes são apenas uma prova do recto juízo de Deus, e que eles certamente serão plenamente vindicados no advento de Jesus. Devido ao distúrbio já causado pela meditação sobre esta doutrina entre alguns, o autor procede, em 2:1-12, a reiterar o seu ensino oral sobre este ponto. Declara então a sua confiança neles e os exorta à fidelidade aos seus ensinos, orando pelo conforto e perseverança de todos eles. Pede as orações dos Tessalonicenses em seu favor, e mais uma vez afirma a sua confiança neles. Apresenta na conclusão preceitos sobre a disciplina e a diligência. Autenticidade Reconhece-se o estilo de Paulo em toda parte da Epístola, menos no segundo capítulo, aceitam a sua autenticidade, mas negam a sua integridade, sustentando a teoria de que a discussão escatológica é interpolação. A refutação é a mesma para as duas teorias. Em primeiro lugar, não pode haver objecção razoável contra a escatologia, propriamente interpretada. Paulo era grande pensador e teólogo. Sabemos que, na sua interpretação do Evangelho, foram incluídas ideias bem claras sobre as últimas coisas, nos livros universalmente reconhecidos como obras dele. Ele pusera alguma ênfase nestas ideias nas suas pregações em Tessalônica e também na primeira Epístola (I Tes. 5:1 seg.). O apóstolo sabia a ordem mantida pelo governo romano, e a ideia de que o Império Romano servia de barreira contra a maré de anarquia é característica do seu modo de pensar. Não obstante as objecções contra a passagem, foi sempre aceita pelos cristãos, como parte integrante da nova revelação e, portanto, digna do Apóstolo Paulo. É o abuso da interpretação da literatura simbólica que é lamentável. “O mistério da iniquidade”, o espírito da anarquia, visado por Paulo está sempre operando na sociedade e pronto para destruir tudo que é puro e santo. A linguagem, o estilo, o vocabulário, são dele, e as ideias são as de I Tessalonicenses. Naturalmente ele repetia os seus pensamentos quando tratava dos mesmos problemas e dificuldades. III. I TIMÓTEO Quando Paulo voltou a Listra em sua segunda viagem missionária, alguns dos cristãos chamaram sua atenção para o jovem crente Timóteo, e Paulo decidiu levá-lo junto em sua viagem (At 16.2-3). Duas acções específicas parecem ter acontecido neste momento. Uma vez que Paulo iria evangelizar os judeus, circuncidou Timóteo de acordo com o costume judeu (At 16.3). Paulo e os anciãos da igreja impuseram as mãos sobre Timóteo para separá-lo e equipá-lo para o ministério (1.18; 4.14; 2 Tm 1.6;2.2). Histórico Timóteo era um nativo de Listra, uma colónia romana na província da Galácia. Filho de um casamento misto, seu pai era gentio e sua mãe, judia (At 16.1). Pouco é sabido sobre seu pai, que parece não se ter tornado cristão, mas sua mãe e avó parecem ter sido convertidas como resultado da visita de Paulo a Listra em sua primeira viagem missionária (2Tm 1.5). Desde sua infância, elas haviam instruído Timóteo nas Escrituras Judaicas (2Tm 3.14-15) e tiveram indubitável influência na própria conversão de Timóteo ao cristianismo.
Autenticidade De acordo com as saudações, o autor das três Cartas Pastorais (1 e 2Timóteo e Tito) foi o apóstolo Paulo. Na tradição da igreja primitiva há consenso. Não obstante, alguns estudiosos do Novo Testamento têm questionado a autoria paulina destas cartas, citando alegadas diferenças no vocabulário, estilo e teologia. Tais argumentos não convencem, e não há razão persuasiva para negar que Paulo escreveu estas cartas. Ocasião e Data As aparentes inconsistências entre as viagens de Paulo, como reflectidas nas cartas pastorais, e suas três viagens missionárias, como registradas em Actos, têm levado à sugestão de que as cartas pastorais foram escritas durante o que poderia ser chamada de a "quarta" viagem missionária de Paulo. Actos termina não com a morte de Paulo, mas com sua prisão domiciliar em Roma (At 28.16,30-31). Embora seja um escrito do fim do século l, Clemente sugere que Paulo foi martirizado em Roma. Isso não vincula necessariamente o seu martírio com o aprisionamento registrado em At 28. O historiador da igreja Eusébio, do século IV, preserva a tradição de que Paulo foi solto daquele aprisionamento, continuou seus trabalhos missionários e foi martirizado por Nero em sua segunda viagem a Roma. Esta tradição é sustentada não somente pelas cartas pastorais, mas também por Filipenses e Filemom, que, se foram escritas durante o aprisionamento romano registrado em At 28, provêem evidência de que Paulo esperava ser solto (Fp 1.25-26; Fm 22). Uma quarta viagem missionária e um segundo aprisionamento, depois do registrado em At 28, é o cenário mais provável para as pastorais. A Construção da Epístola Se houve dois aprisionamentos, Paulo foi solto de seu primeiro por volta de 62 d.C. De acordo com a tradição posterior, foi martirizado por Nero, que morreu em 68 d.C. Paulo escreveu 1Timóteo enquanto estava ainda no meio de sua quarta viagem missionária, provavelmente durante a primeira parte deste período, entre 62-64 d.C. Timóteo acompanhou Paulo ao longo da maior parte de suas segunda e terceira viagens missionárias (At 17.14-15; 18.5; 19.22; 20.4) e em parte da quarta. Parece ter-se tornado um apadrinhado de Paulo, que fala figurativamente de si próprio como "pai" de Timóteo (Fp 2.22) e de Timóteo como seu "filho" (1.2,18; 1 Co 4.17; 2Tm 1.2; 2.1). Como cooperador de Paulo, Timóteo serviu como representante de Paulo nas igrejas de Tessalônica (1Ts 3.2,6), Corinto (1Co 4,17; 16.10), Filipos (Fp 2.19,23) e Éfeso (1.3). Paulo parece caracterizar Timóteo como tendo um "espírito temeroso" (2Tm 1.7). Sentiu necessário pedir à igreja de Corinto para receber Timóteo de uma maneira que o fizesse sentir-se à vontade (1Co 16.10-11). Nas Pastorais, Paulo teve que exortar Timóteo a não deixar que ninguém o desprezasse por causa de sua juventude (4.12), a não negligenciar o dom espiritual que havia recebido (4.14) e a não se envergonhar de falar ousadamente a favor do Evangelho (2Tm 1.8). Além da declaração em Hb 13.23 de que Timóteo tinha sido "posto em liberdade" (presumivelmente da prisão), pouco é sabido a respeito do que aconteceu a Timóteo depois que Paulo escreveu 2Timóteo. Valor Paulo escreveu 1 Timóteo enquanto estava na Macedónia (1,3). Paulo havia estabelecido a igreja de Éfeso no começo de sua terceira viagem missionária, passando cerca de três anos ali (At 19:20.31). No final dessa viagem, havia prevenido os anciãos efésios de que falsos mestres, alguns vindos da própria liderança, iriam infestar a igreja (At 20.29-30), e esta carta indica que essa profecia aparentemente se cumpriu (1.6,19; 4.1-2; 6.3-5,10,21). Há evidência de que alguns dos falsos mestres provinham de posições de liderança na igreja, ou que foram levados a elas (1.7,20; 2.12; 3.6; 5.19-20; 6.3-5,10), e os falsos mestres pareciam ter especialmente encontrado acolhida entre algumas das mulheres da igreja (2.9-15; 3.11; 541-15). A carta é digna de nota pelo seu interesse na organização da igreja. Provê a mais longa descrição sobre as qualificações dos "bispos" ou anciãos no Novo Testamento (3.2-7), juntamente com evidência para dois tipos de anciãos: os que governam e os que ensinam (5.17); comentários a respeito do sustento e da repreensão de anciãos (5.17-20); e a única descrição explícita no Novo Testamento das qualificações para diáconos (3.8-10,12-13). As directrizes específicas de Paulo a Timóteo também contêm muitos conselhos práticos sobre como um líder da igreja deve actuar. Esta carta é também digna de nota por sua ênfase na sã doutrina (1.10; 3.9; 4.6; 6.3) e contém duas meditações teológicas a respeito da salvação que Deus oferece em Jesus Cristo (1.13-16; 2.3-6). Estas incluem afirmações sobre a salvação pela Graça (1.13-16), Cristo como único mediador entre Deus e o homem (2.5) e a expiação vicária de Cristo (2.6). I Timóteo também inclui uma meditação poética sobre a obra de Cristo que afirma sua encarnação, ressurreição e ascensão (3.16); um prenúncio da segunda vinda de Cristo (6.14); uma maravilhosa doxologia (6.15-16); e testemunho da expansão do conceito de "Escritura" além do Antigo Testamento, para incluir elementos da revelação do Novo Testamento (5.18, onde são citadas as palavras de Cristo como registradas em Lc 10.7). Também notáveis em I Timóteo são seus comentários a respeito das mulheres (2.9-15), que incluem uma longa secção sobre o devido cuidado com as viúvas na igreja (5.3-16), e a informação contextual que o livro provê sobre Timóteo, incluindo prováveis referências tanto ao seu baptismo (6.12) quanto à sua ordenação (1.18; 4.14). Os detalhes da quarta viagem missionária de Paulo são incompletos, uma vez que a viagem tem de ser reconstruída, em grande parte, através de indicações nas cartas pastorais. Há alguma evidência de que Paulo cumpriu seu antigo desejo de ir à Espanha (Rm 15.24,28). Seja na sua volta da Espanha ou, se a desejada viagem à Espanha nunca se realizou, após sua partida de Roma, parece ter regressado ao Leste, provavelmente, primeiro velejando para Creta (Tt 1.5). Então viajou para Éfeso, ao norte (1.3), talvez fazendo uma excursão paralela para Colossos (cf. Fm 22), e então seguiu para a Macedónia (1.3; cf. Fp 1.25-26). A partir desse momento as coisas ficam menos claras. Paulo parece ter planejado (possivelmente em duas ocasiões diferentes) deixar a Macedónia para ir tanto a Éfeso (3.14-15; 4.13) como a Nicópolis (Tt 3.12). A última coisa que ouvimos é que ele está de volta a Roma esperando a execução (2Tm 1.8,12; 2.9; 4.6-7,16), tendo visitado Trôade (2Tm 4.13), Mileto e, talvez. Corinto (2Tm 4.20). IV. II TIMÓTEO A segunda carta a Timóteo trata do andar pessoal e do testemunho de um verdadeiro servo de Cristo em dias de apostasias e decadência (1.15). A segunda carta contrasta, em muitos sentidos, com a primeira. Na primeira, a casa de Deus está em ordem, com tudo que é necessário para conservar a piedade que convém a essa casa. Existe um fundamento que permanece firme, e aquilo que se tem tornado “uma grande casa”, com seus vasos, não somente para honra mais também para desonra. Não se fala mais dos anciões nem de diáconos. Cada um precisa, pelo visto, resolver por si mesmo, e agir por si mesmo, ainda que tudo esteja contra ele. Histórico Ambas as cartas de Paulo a Timóteo fornecem importantes informações contextuais sobre o jovem apadrinhado do apóstolo. Esta segunda carta cita sua mãe (Eunice) e sua avó (Lóide), identificando ambas como cristãs (1.5). Fala do treinamento de Timóteo, desde cedo, nas Escrituras (3.15) e inclui uma provável referência à sua ordenação (1.6 cf. 2.2). Ocasião e Data Embora não apareça em último lugar na secção das cartas de Paulo no Novo Testamento, 2 Timóteo é a última carta escrita pelo apóstolo. Preparou-a depois da sua quarta viagem missionária, provavelmente entre 64-68 d.C. Paulo escreveu 2 Timóteo durante seu segundo aprisionamento em Roma (1.8; 2.9). Não se sabe a razão nem o lugar onde foi preso. Paulo não tinha recebido qualquer apoio em sua audiência preliminar (4.16). Seu julgamento ainda o esperava, mas sabia que terminaria por ser executado (4.6). A maioria de seus amigos achou conveniente estar em outros lugares (4.10-11). Ele tinha sido atormentado pelas atitudes de Fígelo e Hermógenes (1.15-16) e de Alexandre, o latoeiro (4.14), muito embora um cristão chamado Onesíforo tivesse sido um encorajamento para ele (1.16-17). Timóteo ainda estava em Éfeso (4.19), onde Paulo o havia deixado previamente (1Tm 1.3) e onde o falso ensinamento, ao qual Paulo tinha se referido na primeira carta a Timóteo, continuava sendo um problema (2.17-18; 3.1-8). Lembrando-se de sua duradoura amizade, Paulo desejava ver Timóteo uma última vez antes de sua morte (1.4). A Construção da Epístola Como a carta anterior, 2 Timóteo mostra uma forte preocupação pela sã doutrina (1.13-14; 2.2; 4.3) e contém meditações maravilhosas sobre a Graça de Deus (1.9-11), a fidelidade de Cristo (2.11-13) e a natureza e função das Escrituras (3.15-17). Há afirmações sobre salvação pela Graça (1.9), eleição (1.9;2.10,19) e sobre a inspiração divina das Escrituras (3.16). 2 Timóteo também reafirma à ressurreição (2.8) e a segunda vinda (4.1,8) de Cristo. Como a última das cartas de Paulo, 2 Timóteo fornece um importante retrato sobre os últimos momentos do ministério do apóstolo. Sua situação era desoladora. Não podia mais ansiar por um ministério frutífero (cf. Fp 1.22-26) e a maioria de seus amigos o havia deixado (4.10-11). Ainda assim, Paulo permanecia confiante. Não estava envergonhado de sofrer pelo Evangelho (1.12) e estava disposto a suportar tudo por causa dos eleitos (2.10). Sabia que tinha sido fiel a Cristo (4.7) e que Cristo era fiel. (1.12; 2.13). Paulo tinha confiança que Aquele que no passado o havia resgatado da morte (3.11; 4.17) o resgataria através da morte para a vida eterna (4.8,18). Valor da Epístola Paulo parece ter escrito 2 Timóteo com dois propósitos em mente. Primeiro, solicita a presença de Timóteo em Roma (4.9,21), fornecendo instruções a respeito de quem e o que (4.11-13) trazer com ele. Segundo, quer entregar a Timóteo uma carta final de encorajamento pessoal em seu ministério, (1.5-14; 2.1-16,22-26; 3.10-4.5). Havia falsa doutrina em Éfeso, que Paulo descreveu como proveniente do seio da própria igreja (2 Tm 2.18; 4.4; 1 Tm 1.6,19; 4.1; 6.10,21). Se caracterizava por uma preocupação com fábulas ou mitos (4.4; 1Tm 1.4:4.7), genealogias (1Tm 1.4), contendas de palavras (2.14,23; 1 Tm 6.4), controvérsias (1 Tm 1.4; 6.4), conhecimento (1 Tm 6.20), loquacidade frívola (1 Tm 1.6) e carácter ímpio(2.16; 1 Tm 6.20l. As falsas doutrinas incluíam a proibição do casamento e de certos alimentos (1 Tm 4.3) e a crença que a ressurreição já acontecera (2.18). Aqueles que ensinavam estas falsas doutrinas também procuravam interpretar a lei judaica (1 Tm 1.7) e, por conseguinte, colocavam restrições na oração (1 Tm 2.1-7). Entre os líderes do movimento estavam Himeneu (2.17; 1 Tm 1.20), Alexandre (1 Tm 1.20) e Fileto (2.17). Alguns buscavam posições de liderança no movimento porque tinham interesses financeiros (1 Tm 6. 5,10). Falsos mestres criaram divisões (1 Tm 6.4-5) e parecem ter sido particularmente efectivos em enganar as mulheres da igreja (3.6-7; 1 Tm 2.14; 5.11-15), talvez oferecendo-lhes posições de liderança (1 Tm2.11-12). Algumas destas características — ensinos doutrinários específicos, o interesse em mitos e genealogias, e a preocupação por "conhecimento" — sugere que o falso ensino em Éfeso pode ter sido uma forma primitiva de gnosticismo, um movimento herético que se tornou um forte competidor do desenvolvimento da igreja nos séculos II e III. Contudo, alguns dos aspectos mais característicos do gnosticismo posterior estão faltando, e alguns afirmam que o movimento pode ser explicado a partir de influências judaicas e helenistas. Estas duas sugestões não precisam ser vistas como contraditórias, pois o próprio gnosticismo era um produto tanto das ideias judaicas quanto das helenistas. Mas continua sendo difícil de definir a natureza exacta do falso ensino em Éfeso. V. TITO Tito foi escrito por Paulo. A notável semelhança existente entre esta Epístola e a primeira a Timóteo faz-nos supor que foram escritas mais ou menos na mesma ocasião. Não obstante o seu tamanho, a Epístola tem a particularidade de encerrar uma grande soma de instruções, compreendendo a doutrina, a moral e a disciplina. A diferença é que em 1 Timóteo a ênfase está na sã doutrina, em Tito, na ordem divina nas igrejas locais. Histórico Paulo escreveu a Tito da Macedónia (3.12). Numa parte anterior de sua viagem, ele e Tito tinham estado envolvidos em actividade missionária na ilha de Creta. Quando Paulo partiu, deixou Tito para trás para que continuasse a obra (1.5). Nesta carta, Paulo escreveu a Tito para encorajá-lo a completar o seu ministério na ilha. Especificamente, Paulo queria que Tito completasse a organização das igrejas (1.5-9), tratasse com os falsos mestres que estavam presentes (1.10-14; 3.9-11), e desse instruções às igrejas a respeito da conduta adequada (2.1-3.8). Quando um substituto chegasse, Tito deveria encontrar Paulo em Nicópolis (3.12). Autenticidade Tito era um cristão gentio que foi, provavelmente, convertido por Paulo (1.4). O Novo Testamento provê pouca informação a respeito dele, e ele não é mencionado em Actos. Paulo levou-o a Jerusalém no princípio de sua obra missionária, onde não permitiu que fosse circuncidado (Gl 2.1-3). Tito aparentemente, acompanhou Paulo em sua segunda e terceira viagem missionária, e em parte da quarta. Era um companheiro confiável com quem Paulo podia contar em situações delicadas como aquela de Corinto (2 Co 2.13; 7.6,13-14; 8.6,16,23; 12.18). Tito, mais tarde, serviu como representante de Paulo na ilha de Creta (1.5) e na província de Dalmácia (2 Tm 4.10). Ocasião e Data A Epístola a Tito, como 1 Timóteo, foi escrita enquanto Paulo estava ainda em sua quarta viagem missionária e, provavelmente, sua data esteja entre 62-64 d.C. A Construção da Epístola Assim como 1 Timóteo, esta Epístola é digna de nota por sua informação a respeito da organização da igreja. Fornece uma longa lista de qualificações para o ofício de bispo e presbítero (1.6-9), bem como importante evidência de que os termos "bispo" e "presbítero" referem-se a um mesmo ofício, e não a dois distintos. . Como I Timóteo, Tito mostra uma grande preocupação pela sã doutrina (1.9,13; 2.1-2) e contém duas meditações teológicas maravilhosas sobre a Graça que Deus oferece através de Jesus Cristo (2.11-14; 3.4-7). Estas incluem afirmações sobre a segunda vinda de Cristo (2.13), sobre a expiação vicária de Cristo (2.14), sobre a regeneração pelo Espírito Santo (3.5) e sobre a justificação pela Graça (3.5,7). Tito também afirma a deidade de Cristo de uma maneira contundente — o título "Salvador" é aplicado livremente e nos mesmos contextos, tanto a Deus (1.3; 2.10; 3.4) quanto a Cristo (1.4; 2.13; 3.6); 2.13 fala de "nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus". Valor da Epístola A preocupação de Paulo nesta carta quanto à sã doutrina é contrabalançada por uma ênfase na conduta cristã adequada. Para Paulo, as duas claramente caminham de mãos dadas. Em particular, destaca a qualidade de sobriedade mental (1.8; 2.2,4-6,12) e a importância de fazer o que é bom (2.7,14; 3.1,8,14). Paulo descreve a falsa doutrina em Creta como algo que tinha vindo de dentro da igreja (1.10,16). Caracterizava-se por um interesse pelos mitos judaicos (1.14), genealogias e discussões sobre a lei (3.9) e mandamentos humanos (1.14). Os falsos mestres vieram de uma perspectiva estritamente judaico-cristã (1.10) e procuravam posições de liderança para ganho financeiro (1.11). Tinham sido eficientes em fazer o povo se desviar, e causavam divisões (1.10: 3.10). Virtualmente, tudo o que Paulo diz em Tito sobre a falsa doutrina em Creta tem paralelos com o que ele diz em 1 e 2 Timóteo sobre o mesmo problema em Éfeso. Não se sabe bem a razão disso. Não há razão para crer que houvesse algum tipo de ligação directa entre as duas falsas doutrinas, ou que tudo o que estava sendo ensinado em um lugar estivesse sendo ensinado no outro. Por outro lado, as falsas doutrinas nas duas áreas geográficas podem ter sido manifestações similares de um movimento sincretista mais geral no Império Romano neste período.
Capítulo XII FILEMOM, HEBREUS I. FILEMOM A carta a Filemom foi escrita pelo apóstolo Paulo. A sua autenticidade não tem sido seriamente desafiada. De toda correspondência particular do apóstolo Paulo, somente esta carta tem sido conservada; é uma jóia. Histórico Onésimo, escravo de um membro importante da igreja em Colossos, chamado Filemom, tinha fugido e chegado a Roma, aparentemente com dinheiro do seu senhor. Ali, sob a influência de Paulo, foi convertido, e ganhou a afeição do apóstolo pelo seu grato e dedicado serviço. Mas ele era, legalmente, o escravo de Filemom, e Paulo não quis segurá-lo no seu serviço, pois não lhe era lícito reter um escravo nem aceitar o seu serviço sem o consentimento do seu senhor. Ocasião e Data A carta foi escrita enquanto Paulo estava na prisão em Roma (c. 60 d.C.) e foi, provavelmente, enviada a Filemom junto com a carta aos colossenses A Construção da Epístola O propósito de Paulo em escrever foi de pedir a Filemom que recebesse Onésimo de volta, não como um escravo, mas como um irmão em Cristo. Para atingir este objectivo, Paulo não se intimida em solicitar o favor. Escreve o apelo da forma mais convincente possível. Valor da Epístola Filemom mostra-nos o apóstolo usando toda sua força pessoal para produzir uma solução cristã a um problema muito sério. O julgamento de Paulo parece ser que Filemom deveria libertar o escravo que cometeu o delito, motivado pelo amor cristão e em favor de um companheiro da mesma fé. A carta de Paulo é apaixonada, mas cuidadosamente composta para conseguir o fim desejado. O documento foi escrito por sua própria mão, e é muito mais que um exemplo de retórica. Traz-nos para perto do ministério de Paulo, de tal maneira que podemos praticamente sentir seu profundo desejo de fazer com que o amor cristão seja a primeira regra da acção humana. II. HEBREUS O autor de Hebreus era perito nos estilos literários grego e helenista, profundo conhecedor do Antigo Testamento (na tradução grega, a Septuaginta), sensível à história da redenção que culminou em Jesus, e pastoralmente interessado pelos leitores originais, que o conheciam pessoalmente (13.22-23) e cujos antecedentes ele conhecia (10.32-34). Como os seus leitores, chegou à fé não através de um contacto directo com Jesus, mas através da pregação dos apóstolos (2.3-4). Além disso, tinha familiaridade com Timóteo (13.23). Histórico Mas a Epístola não traz o seu nome, deixando um mistério atormentador. Na igreja oriental, na época de Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.) e de Orígenes (185-253 d.C.), a Epístola foi atribuída a Paulo, embora ambos os teólogos reconhecessem as diferenças estilísticas entre Hebreus e as cartas paulinas. No Ocidente, Tertuliano (c. 155-220 d.C.) propôs a Barnabé, um levita da dispersão judaica, que era notório por seu encorajamento a outros (At 4.36). Outras sugestões sobre o provável autor, nesse mesmo período histórico, eram Lucas e Clemente de Roma (c. 95 d.C.). Do século V ao XVI, a autoria de Paulo era aceita no Oriente e no Ocidente. Durante a Reforma, Lutero propôs Apolo, um judeu cristão de Alexandria que era eloquente na pregação e poderoso nas Escrituras (At 18.24). Sugestões do período moderno têm incluído Priscila (excepto cf. 11.32, onde o autor refere-se a si mesmo com um particípio do género masculino), Epafras (Cl 1.7) e Silas (At 15.22,32, 40; 1Pe 5.12). Ainda que seja difícil eliminar muitos destes candidatos, é igualmente difícil encontrar um argumento convincente em favor de qualquer um deles. Do ponto de vista da tradição primitiva, Paulo tem maiores oportunidades, mas, como Calvino observou, Hebreus difere de Paulo em estilo, método de ensino e na inclusão do autor entre os discípulos dos apóstolos (2.3) — uma declaração estranha à reivindicação característica de Paulo de haver recebido sua nomeação e revelação do Evangelho directamente de Cristo (Gl 1.1,11-12). No entanto, consideramos como sendo Paulo o autor da carta aos hebreus. Autenticidade Se o autor não foi Paulo (ou alguém como Lucas, cujos outros escritos nós temos), em todo caso, conhecer o nome do autor acrescentaria pouco à nossa compreensão da Epístola. A teologia da Epístola assemelha-se à teologia de Paulo. Por outro lado, detecta-se a sublime doutrina de João a respeito de Cristo como a divina "Palavra". Mas estas características combinadas, juntamente com o retrato do sofrimento de Jesus, como é descrito nos primeiros três Livros (sinópticos), são de se esperar, em vista da autoria unificada de toda a Escritura pelo Espírito Santo. Conquanto o autor humano deste livro permaneça desconhecido, o importante é que este texto, bem como o Antigo Testamento antes dele, é o que "diz o Espírito Santo" (3.7). Ocasião e Data Hebreus oferece uma boa quantidade de informações a respeito dos destinatários originais e sua situação, ao mesmo tempo em que deixa questões de data e destinatário sem respostas certas. Os leitores originais falavam grego e usavam a tradução grega do Antigo Testamento. Podiam seguir argumentos extraídos do Antigo Testamento e estavam interessados no santuário, no sistema sacrificial e no sacerdócio do Antigo Testamento. Não tinham ouvido o Evangelho directamente de Jesus, mas de apóstolos (2.3), tinham enfrentado perseguição anterior (10.32-34) e estavam enfrentando perseguição neste momento, o que incluía sua expulsão de instituições judaicas (13.12-13). Estavam em perigo de apostasia, talvez temendo a morte (2.14-18), embora sua fé ainda não os tivesse levado ao martírio (12.4). Além disso, podiam estar passando por uma transição na liderança da igreja (13.7,17) e estavam, portanto, preocupados com segurança e permanência (6.19; 11.10; 13.8,14). Finalmente, recebem saudações, através do autor, daqueles "da Itália" (13.24). A Construção da Epístola Reunindo estas características, concluímos que os destinatários eram cristãos judeus da Diáspora (a dispersão dos judeus fora da Palestina), provavelmente na Itália. Isto faria com que (13.24) fosse uma saudação enviada "para casa" pelos deportados. A mais antiga evidência de familiaridade com esta Epístola vem de Roma, em Clemente, uma obra datada de cerca de 96 d.C. Aparentemente, o templo ainda estava em pé e seus rituais sacrificiais estavam sendo realizados (10.2-3,11). Talvez a situação seja aquela da perseguição sob Nero (c. 64 d.C.). Nesse caso, o sofrimento mencionado em 10.32-34 poderia ter sido causado pelo édito de Cláudio, que expulsou os judeus de Roma em 49 d.C. (At 18.2). Sujeitos ao sofrimento e vergonha por sua confissão de Jesus, despojados das instituições familiares e visíveis da religião judaica organizada e confusa pelo carácter invisível da glória de Jesus (velada em sofrimento enquanto ele estava na terra e agora escondida no céu), os leitores são tentados a desviarem-se da fé (10.38-39), a caírem em incredulidade e assim desistirem de sua peregrinação em direcção ao descanso de Deus e à cidade de Deus (4.1-2,11; 11.10,14-16.13, 14). Valor O estilo literário elevado de Hebreus e o enfoque especial no sumo sacerdócio de Cristo colocam-no à parte de outros livros do Novo Testamento. Sua contribuição particular à revelação de Jesus Cristo que há no Novo Testamento é a exposição do cumprimento por Jesus Cristo do santuário, sacrifícios e sacerdócio estabelecidos na lei de Moisés. O autor refere-se à sua obra como uma "palavra de exortação" (13.22). Uma vez que a mesma expressão grega em At 13.15 refere-se a um discurso da sinagoga, o termo pode identificar esta "Epístola" como um sermão expositivo em forma escrita. A carta aos Hebreus é adequadamente descrita como uma "palavra de exortação", pois exortação ou encorajamento é o propósito central do livro (3.13; 6.18; 10.25; 12.5). O autor repetidamente chama seus leitores a uma ativa e corajosa resposta (4.11,14,16; 6.1; 10.19-25). A exortação a perseverar na peregrinação da fé é baseada na prova do autor de que o próprio Antigo Testamento testificava a respeito da imperfeição da aliança do Sinai e de seu sistema sacrificial, apontando, desse modo, para um novo sumo sacerdote — Jesus Cristo. Jesus é melhor que os mediadores, santuário e sacrifícios da velha ordem. Ele é digno de "maior glória" que Moisés (3.3). Os argumentos do menor ao maior (em 2.2-3; 9.13-14; 10.28-29; 12.25): "se não... quanto mais", marcam uma maior graça e glória e uma maior responsabilidade, que agora chegaram na Nova Aliança mediada por Jesus. Diferente dos aspectos terrenos e externos do santuário do Antigo Testamento, Jesus nos santifica pela verdadeira adoração a Deus, para que nos aproximemos do próprio céu com consciência limpa. Ele é a garantia deste melhor vínculo de aliança, porque nos liga inseparavelmente com Ele mesmo, o Deus da Graça. A Impecabilidade de Jesus. O Novo Testamento ensina que Jesus foi completamente livre de pecado (Jo 8.46; 2Co 5.21; Hb 4.15; 7.26; 1 Pd 2.22; 1 Jo 3.5). Essa afirmação significa não só que Ele, como homem, nunca desobedeceu a seu Pai, mas também que ele amava a lei de Deus e tinha sincera alegria de coração em observá-la. Nos seres humanos decaídos, há sempre alguma relutância em obedecer a Deus, e, às vezes, há ressentimentos que beiram o ódio contra as reivindicações que Deus nos faz (Rm 8.7). Porém a natureza moral de Jesus era íntegra como a de Adão antes de pecar, e em Jesus não havia qualquer inclinação para desviar-se de Deus, que Satanás pudesse explorar, como há em nós. Jesus, na manifestação de Filho, amou a seu Pai e a vontade dele com todo o seu coração, mente, alma e força. Hb 4.15 diz que Jesus "foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado". As tentações com que nos defrontamos, tentações para satisfazermos erradamente nossos desejos naturais, para fugirmos das questões espirituais e morais, evitando as questões morais e optando por caminhos mais fáceis, deixando de amar e de ter simpatia pelos outros, ficando egoístas e perdidos em autocomiseração, todas essas tentações se abateram sobre Jesus, mas ele não se rendeu a nenhuma delas. No Getsêmani e na cruz, ele lutou contra a tentação e resistiu ao pecado até à morte. Os cristãos devem aprender dEle e fazer como Ele fez (Lc 14.25-33; Hb 12.3-13). Para nossa salvação era necessário que Jesus fosse isento de pecado. Ele foi um "cordeiro sem defeito e sem mácula", capaz de oferecer seu "precioso sangue" por nós (1 Pd 1.19). Se ele tivesse sido pecador, ele também necessitaria de um salvador e sua morte não nos teria ajudado. Cristo obedeceu em nosso lugar os mandamentos morais aplicados a toda humanidade. Ele também cumpriu toda a vontade de Deus, aplicada a Ele em particular, como Aquele que foi chamado para ser o Messias. Sua perfeita obediência o qualifica para ser o nosso todo suficiente Salvador. Esperança. Os cristãos aguardam com esperança a alegria de estar com Cristo, na glória, para sempre. A fé é definida como "a certeza das coisas que se esperam" (Hb 11.1), porque as coisas invisíveis que se esperam, no futuro, são alcançadas pela fé. A esperança é certa; é uma "âncora da alma, segura e firme" (Hb 6.18-19). De acordo com a Bíblia, Cristo é "a nossa esperança" (1Tm 1.1), e o nosso Deus é chamado de "o Deus da esperança" (Rm 15.13). Uma ética de esperança permeia todo o Novo Testamento. E uma ética de peregrinação para estrangeiros que estão a caminho do lar (Hb 11.13; 1 Pé 2.11). É uma ética de pureza, já que quem espera ser como Jesus, quando ele aparecer, "a si mesmo se purifica... como ele é puro" (1 Jo 3.3). É uma ética de preparação, uma vez que devemos estar prontos para deixar este mundo a qualquer tempo (2 Co 5.6-8; Fp 1.21-24; cf. Lc 12.15-21). A esperança produz paciência (Rm 8.25; cf. 5.1-5). A esperança dá força e confiança para completar a carreira, para combater o bom combate e suportar as tribulações que continuam nesta vida (Jo 16.33; At 14.22; Rm 8.18; 2 Tm 4.7-8). Embora a vida cristã seja marcada mais por triunfo do que por sofrimento, nossa esperança é segura nos momentos cruciais (At 14.22; 1Co 4.8-13; 2Co 4.7-18), e nosso ânimo deve ser livre de desespero (1 Jo 4.18).
Capítulo XIII EPÍSTOLAS GERAIS: TIAGO, I e II PEDRO
I. TIAGO O autor desta carta identifica-se como Tiago. Embora diferentes pessoas chamadas "Tiago" sejam mencionadas na igreja do Novo Testamento, é quase certo que o autor deste livro é Tiago, o irmão de Jesus. O autor assume uma posição de autoridade na igreja, que certamente correspondia a Tiago, o irmão do Senhor. Histórico O Novo Testamento cita Tiago como um dos filhos de Maria, mãe de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3). Tiago, junto com seus irmãos, foi céltico a respeito de Jesus durante seu ministério terreno (Jo 7.5), mas foi convertido quando se tornou uma testemunha ocular da ressurreição (1 Co 15.7). O historiador da igreja primitiva Hegésipo identificou-o como "Tiago, o Justo", testificando de sua extraordinária piedade, seu zelo pela obediência à lei de Deus e sua singular devoção à oração. Foi dito que os joelhos de Tiago se tornaram tão calejados por causa da oração que pareciam joelhos de camelo. Josefo registra que Tiago foi martirizado em 62 d.C. Eusébio diz que lhe bateram até à morte com uma clava depois de ter sido atirado do parapeito do templo; Hegésipo também registra que ele foi lançado do pináculo do templo. Autenticidade O Tiago que era um líder na igreja de Jerusalém e que presidiu o Concílio de Jerusalém (At 15) é identificado em Gl 1.19 como "o irmão do Senhor". Foi considerado um dos pilares da igreja, juntamente com Pedro e João (Gl 2.9). Ocasião e Data A Epístola de Tiago foi escrita entre 44 d.C., o começo da perseguição que se difundiu na Diáspora (At 12) e 62 d.C., o ano da morte de Tiago. Desde que nenhuma menção é feita à controvérsia que leva ao concílio de Jerusalém (At 15), é provável que a carta tenha sido escrita antes de 49 d.C. Tiago é possivelmente o mais antigo texto do Novo Testamento. Valor da Epístola O escrito de Tiago tem sido diversamente considerado uma Epístola, um sermão (para ser lido em voz alta nas igrejas), uma forma de literatura de sabedoria, uma exortação moral. Estas categorias não são mutuamente exclusivas, e há elementos de todas estas formas em Tiago. A Epístola tem um marcante sabor judaico e refere-se ao Antigo Testamento com frequência. A estrutura literária de paralelismo é usada (1.9-10), juntamente com aforismos, figuras de linguagem concretas extraídas da natureza e agrupamentos de ditos que têm uma clara similaridade com o estilo de Jesus. A Epístola ensina uma cristologia elevada e destaca a importância de lidar com a aflição do ponto de vista da fé. O relacionamento crucial entre fé e obras activas de obediência recebe especial atenção (2.14-26). A Fé e as Obras A fé é o meio ou o instrumento pelo qual uma pessoa é salva. Os cristãos são justificados diante de Deus pela fé (Rm 3.26; 4.1-5; Gl 2.16) e, pela fé, eles vivem sua vida (2Co 5.7) e sustentam sua esperança (Hb 10.35-12.3). A fé não pode ser definida em termos subjectivos, como um sentimento ou uma determinação optimista. Nem é uma ortodoxia passiva. A fé é uma reacção, dirigida a um objecto e definida por aquilo que é crido. A fé cristã é confiança no Deus eterno e em suas promessas garantidas por Jesus Cristo. Ela é produzida pelo Evangelho, quando o Evangelho é entendido através da obra graciosa do Espírito Santo. A fé em Cristo é um ato pessoal, que envolve a mente, o coração e a vontade, uma vez que é dirigida ao Deus pessoal e não a um ídolo ou a uma ideia. É comum analisar-se a fé como envolvendo três passos: o conhecimento, o assentimento e a confiança. Primeiro, é o conhecimento ou a familiaridade com o conteúdo do Evangelho; segundo, é o consentimento ou o reconhecimento de que o Evangelho é verdadeiro; e, terceiro, é a confiança, o passo essencial para a entrega do eu a Deus. Esses passos andam juntos; no sentido de que só pode haver fé em Cristo quando o Evangelho é conhecido e sua verdade aceita (Rm 10.14). Calvino definiu a fé como "um firme e seguro conhecimento do favor divino para connosco, fundado sobre a verdade da livre promessa em Cristo e revelado à nossa mente e selado em nosso coração pelo Espírito Santo" (Calvino, Instituías, III.2.7). Através da fé, recebemos a Cristo, que satisfez a lei em nosso favor. Desse modo, somos justificados através da fé somente, sem as obras da lei. Porém, uma vez que a fé nos une a Cristo, ela não pode ser sem vida. Dirigida para Deus e firmada nele, ela é ativa e "actua pelo amor" (Gl 5.6), procurando fazer todas as "boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). A justificação é só pela fé, mas a fé justificadora nunca está só, se faz acompanhar, sempre, pela realização de obras dignas de nossa santa convocação. Quando Tiago diz que a fé sem as obras é morta, está descrevendo a fé que conhece o Evangelho e até mesmo concorda com ele, mas não tem chegado à confiança em Deus. A falta de crescimento, de desenvolvimento e a ausência de frutos de justiça mostra que o livre dom de Deus, em Cristo, nunca foi recebido. A resposta para aqueles que têm esse tipo de fé não é a de salvar-se a si mesmos, estabelecendo uma justiça própria, como se pudessem criar fé por seus próprios esforços, mas invocar o nome do Senhor (Rm 10.13). Só Deus pode salvar aqueles para quem a salvação é impossível de outro modo (Mc 10.27). Paulo mostra que as boas obras não podem desfazer essa impossibilidade. Tiago mostra que a fé exigida é a fé que descansa no Deus vivo. Mesmo depois de termos crido, as boas obras que fazemos nunca são perfeitas. Elas são aceitáveis a Deus só por causa da sua misericórdia (Rm 7.13-20; Gl 5.17). Expressamos nosso amor para com Deus, fazendo aquilo que agrada a ele, e ele, em sua bondade, promete recompensar-nos por aquilo que fazemos (Fp 3.12-14; 2Tm 4.7-8). Com isso, não tornamos Deus nosso devedor, nada mais do que quando primeiro cremos nele. Como Agostinho observou. Deus, quando nos recompensa, está coroando graciosamente seus próprios dons graciosos. II. I PEDRO Ainda que os argumentos a favor da autoria de Pedro sejam fortes, objecções linguísticas e históricas têm surgido nos últimos dois séculos. Diz-se que o grego de 1 Pedro é refinado demais e muito influenciado pela Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) para um pescador galileu sem instrução como Pedro (At 4.13). Alega-se que as perseguições citadas na Epístola (4.12-19; 5.6-9) reflectem uma situação posterior à vida de Pedro. Histórico As frequentes citações e referências ao Antigo Testamento na Epístola parecem indicar que os destinatários eram cristãos judeus (assim concorda Calvino), existem indicações mais fortes de que a maioria era de origem pagã. A referência em 1.18, por exemplo, ao "fútil procedimento que vossos pais vos legaram" dificilmente se encaixaria a judeus. Além disso, os pecados relacionados em 4.3 são tipicamente pagãos. Infere-se da carta que os leitores aparentemente estavam sofrendo perseguições por causa da sua fé (1.6-7; 3.13-17; 4.12-19; 5.8-9). Mas nada na carta indica perseguição oficial ou legislativa ou sequer uma data de composição posterior à década de 60. Os seus sofrimentos eram os processos de justiça comuns aos cristãos do século l e incluíam insultos (4.4,14) e acusações falsas de má conduta (2.12; 3.16). Espancamentos (2.20), ostracismo social, violência esporádica pela multidão e acções policiais locais podem também ter ocorrido. Autenticidade O autor se identifica como "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo" (1.1). Que ele é o bem conhecido apóstolo dos Livros e de Actos é confirmado tanto por evidências internas como externas. O autor descreve a si próprio como "testemunha dos sofrimentos de Cristo" (5.1), e existem vários ecos do ensinamento e dos feitos de Jesus na Epístola (p. ex., 5.2-3; Jo 21.15-17). Vários paralelos de pensamentos e frases entre 1 Pedro e os discursos de Pedro em Actos dão ainda apoio adicional à autoria de Pedro (p. ex., 2.7-8; At 4.10-11). O testemunho externo de 1 Pedro como sendo uma Epístola genuína de Pedro é amplo, antigo e claro; não existe evidência de que a autoria tenha sido atribuída a outra pessoa em tempo algum. Além do possível testemunho de 2Pe 3.1 (nota), Irineu (c. 185 d.C.; Contra Heresias 4.9.2), Tertuliano (c. 160-225 d.C.), Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.), e Orígenes (c. 185-253 d.C.), todos atribuíram a Epístola a Pedro. Até a época de Eusébio (c. 265-339. d.C.) não houve questionamento sobre a sua autenticidade (História Eclesiástica 3.3.1). Ocasião e Data Conforme 5.13, Pedro estava na "Babilónia" quando escreveu a Epístola. Várias identificações do local têm sido sugeridas, entre elas um posto militar no Egipto, a própria antiga cidade da Mesopotâmia, e Roma. Várias evidências apoiam esta última alternativa. Sabe-se que Marcos, que acompanhava Pedro quando ele escreveu esta carta (5.13), estava com Paulo em Roma (Cl 4.10; Fm 24). Roma é muitas vezes vista como sendo a "Babilónia" do Apocalipse (Ap 17.5,9). Esta interpretação tem sido geralmente aceita desde o século II. O testemunho uniforme da história da igreja primitiva é de que Pedro estava em Roma no final da sua vida. Se Roma for o lugar de origem; a Epístola deve ter sido escrita entre 60-68 d.C. O primeiro limite é estabelecido pela familiaridade de Pedro com os livros de Efésios e Colossenses (cf. 2.18 com Cl 3.22; 3.1-6 com Ef 5.22-24) e o segundo limite, pela tradição de que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo em Roma, no máximo até 68 d.C. A Construção da Epístola Nenhuma das objecções apresentadas é conclusiva contra a autoria de Pedro. Em resposta à objecção linguística, vários pontos podem ser destacados. A Galileia do século l era bilingue (aramaico e grego), e é provável que um pescador comercial tenha conhecido a linguagem do comércio. A descrição de Pedro e João como sendo "homens iletrados e incultos", em At 4.13, pode-se referir somente à sua falta de treinamento formal nas Escrituras. Os trinta anos que se passaram entre os dias de Pedro como pescador e o tempo em que a Epístola foi escrita representariam ampla oportunidade para que ele melhorasse a sua proficiência no grego. Finalmente, o possível papel de Silvano como seu auxiliar (5.12) poderia ser a razão do estilo mais refinado de 1 Pedro, quando comparada com 2 Pedro. Com respeito às objecções históricas, os sofrimentos de que Pedro fala poderiam ser explicados tanto por perseguição local e esporádica, que era a experiência rotineira dos cristãos primitivos desde os dias dos apóstolos, quanto pela perseguição nos dias de Domiciano (c. 95 d.C.) ou de Trajano (c. 111 d.C.). Valor da Epístola Pedro escreve para encorajar cristãos perseguidos e confusos para exortá-los a permanecer firmes na sua fé (5.12). Para este fim, repetidamente direcciona as suas reflexões às alegrias e glórias de sua herança eterna (1.3-13; 4.13; 5.1,4) e os instrui sobre o comportamento cristão coerente no meio de sofrimento injusto (4.1,19). Ainda que seja dirigida primariamente aos cristãos perseguidos, os princípios que Pedro ensina se aplicam a todo tipo de sofrimento, não importa a causa, desde que não seja ocasionado pelo próprio pecado. Baseado nesta Epístola, Pedro tem sido, com justiça, chamado de "o apóstolo da esperança" (cf. 1.3,13,21; 3.15). A exortação central da Epístola toda pode ser resumida na frase "crer e obedecer" (cf. 4.19). Pastores e Cuidado Pastoral Os apóstolos mandaram todos os cristãos velar uns pelos outros com amorosa solicitude de coração (Gl 6.1 -2; Hb 12.15-16; Jo 3.16-18; 5.16), mas também designaram para cada congregação tutores chamados de "presbíteros" ("anciãos") (At 14.23; Tt 1.5), que deviam cuidar do povo como os pastores cuidam das ovelhas (At 20.28-31; 1 Pd 5.1-4), conduzindo-os, mediante seu exemplo, (1 Pd 5.3) longe de tudo o que é nocivo para tudo o que é bom. Em virtude de seu papel, os presbíteros são também chamados de "pastores" (Ef 4.11) e "bispos" ("supervisores") (At 20.28; cf. v. 17; Tt 1.7; cf. v. 5; 1 Pé 5.1 -2) e são chamados por outros termos que expressam liderança (I Ts 5.12; Hb 13.7,17,24). A congregação, por seu lado, deve reconhecer a autoridade dada por Deus a seus líderes e seguir a orientação deles (Hb 13.17). Esse modelo já aparece no Antigo Testamento, onde Deus é o pastor de Israel (Sl 80.1), e onde reis, profetas, sacerdotes e anciãos (dirigentes locais) são chamados a agir como agentes de Deus no papel de pastores subordinados (Nm 11.24-30; Dt 27.1; Ed 5.5; 6.14; 10,8; SI 77.20; Jr 23.1-4; Ez 34; Zc 11.16-17). No Novo Testamento, Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.11 -30), é também o Supremo Pastor (1 Pd 5.4), e os presbíteros são seus subordinados. O apóstolo Pedro chama-se a si mesmo um "presbítero" sujeito a Cristo (1 Pd 5.1), lembrando talvez que o pastorear foi a tarefa específica que Jesus lhe deu, quando o restaurou ao ministério (Jo 21.15-17). Alguns presbíteros, mas não todos, ensinam (I Tm 5.17; Tt 1.9; Hb 13.7), e Efésios 4.11-16 diz que Cristo deu à Igreja "pastores e mestres" para equipar cada um para o serviço, por meio da descoberta e aperfeiçoamento dos dons espirituais de cada um (vs. 12-16). Na visão apostólica de liderança congregacional, pode ter havido mestres que não eram presbíteros, bem como presbíteros que não ensinavam, e, também, pode ter havido aqueles que tanto ensinavam quanto governavam. O papel pastoral dos presbíteros exige carácter cristão maduro e estável e uma bem ordenada vida pessoal (1 Tm 3.1-7; Tt 1.5-9). O presbítero que serve fielmente será recompensado (Hb 13.17; I Pd 5.4; cf. I Tm 4.7-8). III. II PEDRO Mesmo que existam possíveis alusões a 2 Pedro na literatura cristã do fim do século l e começo do segundo, ela não é uma carta com um número tão expressivo de testemunhos quanto 1 Pedro ou outros livros do Novo Testamento. Orígenes (c. 185-254) foi o primeiro a atribuir a Epístola explicitamente a Pedro, mas registrou que outros duvidavam dessa autoria. Eusébio (c. 265-339) listou-a entre os livros disputados, e Jerónimo (c. 342-420), mesmo percebendo alguma discordância sobre a sua autenticidade, sugeriu que as diferenças de estilo quando comparadas com 1 Pedro eram o resultado da utilização, da parte de Pedro, de auxiliares diferentes. A Epístola foi aceita como sendo autêntica e canónica por pais da igreja influentes do século IV, como Atanásio, Sirito de Jerusalém, Ambrósio e Agostinho, bem como pelos concílios eclesiásticos do fim do século IV em Hipos e Cartago. Assim, o seu lugar subsequente no cânon do Novo Testamento foi assegurado. Histórico Apesar das declarações da própria Epístola, apareceram algumas objecções à autoria de Pedro. Entre as mais comuns estão a falta de um testemunho mais antigo, o lento reconhecimento pela igreja, as diferenças de estilo em relação a 1 Pedro e o uso aparente de linguagem helenista religiosa e filosófica. A alternativa habitual à autoria de Pedro é a pseudonímia, isto é, que a carta de 2 Pedro foi escrita por um autor desconhecido que viveu posteriormente e que atribuiu a obra a um escritor muito bem conhecido como um estratagema literário para que se desse crédito à sua mensagem. Enquanto várias das objecções devam ser tomadas com seriedade (especialmente a questão da autenticidade e do estilo), a força de argumentação das mesmas não deve ser exagerada, e nenhuma delas é conclusiva contra a autoria de Pedro. Autenticidade Esta Epístola reivindica ter sido escrita por Simão Pedro (1.1), e vários factores internos da Epístola apoiam a reivindicação. O autor se refere à sua própria morte iminente em termos que relembram as palavras de Jesus a Pedro (1.14: cf. Jo 21.18-19); declara ter sido uma testemunha ocular da transfiguração (1.16-18.cf.Mt 17.1-8 e paralelos); e parece sugerir uma ligação entre esta Epístola e 1 Pedro (3.1). Ocasião e Data Partindo do pressuposto de que Pedro é o autor, a Epístola deve ter sido escrita antes da morte do apóstolo em 67-68 d.C. A referência à sua morte iminente, em 1.14, sugere um tempo perto do fim da sua vida. Se 3.1 se refere a 1 Pedro, a data da composição deve ter sido em algum momento depois de 63-64 d.C. Uma data entre 65-67 d.C. é, consequentemente, plausível. Não há certeza sobre o lugar de origem de 2 Pedro. Roma é uma sugestão razoável, visto que Pedro se encontrava lá quando escreveu I Pedro (1 Pd 5.13). Além disso, a tradição diz que ele foi martirizado nesta cidade sob o imperador Nero. Ao contrário de I Pedro, temos poucas informações nesta Epístola sobre aqueles que a receberam. Se 3.1 se refere a 1 Pedro, os leitores originais, cristãos da Ásia Menor, são os mesmos nas duas Epístolas. Se 3.1 não for uma referência a I Pedro, mas a uma Epístola perdida, então não temos dados seguros para determinar quem eram os destinatários. A Construção da Epístola Existe uma grande diferença de estilo entre 1 e 2 Pedro. Muitas das palavras e expressões favoritas de 1 Pedro, por exemplo, estão ausentes em 2 Pedro. No entanto, as diferenças não são absolutas, e várias semelhanças impressionantes de facto existem entre as duas Epístolas. Ocorrem também vários paralelos entre 2 Pedro e os discursos de Pedro em Actos (p. ex., o uso da palavra grega eusebeia, "piedade," em 1.3,6-7; 3.11 e At 3.12, uma palavra que só aparece em 2 Pedro e nas Epistolas pastorais, e em mais nenhum outro lugar do Novo Testamento). A alegação de que o escritor de 2 Pedro usou um pseudónimo é fraca. Na literatura cristã primitiva, os exemplos genuínos de pseudepigrafia (escritos de autores que se identificam como sendo outras pessoas de maior autoridade) são quase todos heréticos, uma indicação de que este estratagema era usado para obter crédito para obras cujo conteúdo era suspeito. Existem fortes evidências de que a igreja não tolerava esta prática, e que de facto rejeitava completamente a pseudepigrafia. Valor da Epístola A Segunda Epístola de Pedro foi escrita a cristãos que estavam sendo ameaçados pelo falso ensino interno (2.1). Como antídoto, Pedro enfatiza a verdade e as implicações éticas do Evangelho contra os falsos mestres. Ainda que seja difícil determinar com precisão qual era o falso ensino, parece tratar-se de uma forma primitiva de agnosticismo. Este termo designa qualquer um dos vários movimentos heréticos que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo (especialmente no século II), os quais combinavam ideias da filosofia grega, do misticismo oriental e do cristianismo, enfatizando a salvação pelo conhecimento intuitivo e esotérico (a palavra grega para "conhecimento" é gnosis), e não pela fé em Cristo. Visto que no sistema gnóstico o corpo físico era visto como sendo mau, os gnósticos do século II eram geralmente caracterizados ou pela imoralidade desenfreada ou pelo ascetismo rigoroso. Ascetismo não é tratado como um problema em 2 Pedro, mas a imoralidade sim (2.13-19). Parece que os falsos mestres estavam usando a liberdade cristã como uma licença para pecar, especialmente para cometer a imoralidade sexual (2.14). Além disso, eles são culpados de negar ao Senhor (2.1), desprezar a autoridade do Senhor e caluniar os seres celestiais (2.10) e, ainda, zombar da segunda vinda de Cristo (3.3-4).
Capítulo XIV I, II e III JOÃO, JUDAS, APOCALIPSE
I. I JOÃO Usando um estilo diferente daquele de Paulo, as ideias de João não são desenvolvidas numa sequência lógica, passo a passo. As declarações finais de que Deus é luz e de que Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado já foram ditas nos primeiros versículos. João trabalha estas declarações, no decorrer do livro, com uma abordagem espiritualizada. Histórico Várias considerações indicam que a Epístola de João foi escrita depois do Livro de João. Primeiro, ela se refere muito brevemente a ideias que o Livro explica mais clara e amplamente. Aparentemente presumia-se que os leitores tinham conhecimento do Livro. Em segundo lugar, o conflito com o docetismo está ausente no Livro e parece ter tido um desenvolvimento posterior. Em terceiro lugar, não há nenhuma indicação em João do conflito ideológico com "os judeus" que permeia a primeira metade do Livro. O Livro mostra a comunidade cristã dolorosamente se diferenciando do povo judeu, enquanto João reflecte uma ocasião posterior, onde a auto-identificação cristã estava bem estabelecida e podia ser pressuposta. Outro factor indicador da data de João vem da comparação com as cartas de Inácio (em torno de 110 d.C.) e de Policarpo. Estes escritos criticam ensinamentos falsos semelhantes, porém mais desenvolvidos do que aqueles tratados por João. Para compatibilizar João a este estágio de maior desenvolvimento, a carta deve ter sido escrita alguns anos antes de 110 d.C. Autenticidade Em estilo, vocabulário e conteúdo, João segue de perto o quarto Livro. É praticamente certo que ambos foram escritos pelo mesmo autor. Mesmo que os dois Livros sejam anónimos, a sua atribuição tradicional a João, filho de Zebedeu, não pode ser contestada. Ela se baseia em evidências mais firmes do que simples propostas especulativas, como a de que João, o Presbítero ou João Marcos teriam sido seus autores. A ênfase, que aparece no versículo de abertura, na proclamação com autoridade e no testemunho ocular é mais naturalmente aceita como sendo um reflexo do chamado apostólico de João (Jo 19.35; 20.3-8:21. 24). Ocasião e Data A primeira carta de João foi escrita para alertar e instruir os leitores sobre um tipo de falso ensinamento que negava que Jesus Cristo havia vindo em carne (4.2-3). O ensino era que Cristo só tinha a aparência de ser humano, e, sendo assim, a humanização de Jesus não aconteceu realmente e não houve um Salvador divino que pudesse morrer pelos pecadores. Cristo só havia aparentado morrer. Tal ensinamento é conhecido desde a história cristã primitiva, e é chamado de "docetismo" (do grego dokeo, "parecer"). Alguns estudiosos acham que o falso ensinamento era uma variação do gnosticismo, um movimento religioso que ligava a salvação a uma experiência de revelação individual e esotérica, (gnosis é a palavra grega que significa “conhecimento”). Um exemplo seria o ensinamento do mestre Cerinto, que viveu no final do século l. Escritores posteriores consideram Cerinto gnóstico e docético, mas existe pouca evidência em João para estabelecer alguma ligação do falso ensinamento, que ali é confrontado, com as ideias específicas atribuídas a Cerinto, ou até ao gnosticismo em geral. A Construção da Epístola O inimigo do Evangelho ataca em todas as frentes. Impugna a auto-revelação de Deus, tentando negar que Jesus foi feito homem. Com isso, ameaça subverter a confiança do crente em Deus. Além disso, o adversário tenta argumentar que alguém pode acreditar em Deus sem envolver-se com o amor e a bondade, que são partes da natureza de Deus. Isto faria da salvação também uma mera aparência. Para a luz e a verdade do Evangelho, o anticristo usa escuridão e mentiras, ou a regra do ódio e da confusão mental. Valor da Epístola Ainda que esse escrito tenha sido tradicionalmente tratado como sendo uma carta, não contém as características principais que identificam uma carta (saudação, cumprimentos introdutórios, saudação final). Por outro lado, João se dirige aos leitores como "meus filhinhos" (2.1). Parece estar escrevendo a um grupo específico de pessoas com o qual partilha de um relacionamento íntimo. Nos seus propósitos básicos de admoestação e instrução, João é semelhante à maioria das cartas do Novo Testamento. É notoriamente difícil fazer um esboço desta pequena carta. Os seus temas parecem mostrar pouca relação uns com os outros. A linguagem não é difícil ou técnica, mas as ideias são profundas. João diz que Deus foi revelado em Cristo para que pudesse comunicar a vida eterna àqueles que crêem. Deus é luz, verdade e amor — cada uma destas características é alvo de alguma meditação, mas sempre em conexão com o desenvolvimento de virtudes correspondentes nos próprios crentes. Os ideais de pureza e amor, que são mostrados ao leitor, são dons de Deus comunicados através da sua auto-revelação. Ao mesmo tempo, eles só são reais quando estão em acção. Esta realidade é possível através do novo nascimento e do perdão dos pecados. Antinomismo Antinomismo significa "oposição à lei". Conceitos antinomianos são os que negam que a lei de Deus, nas Escrituras, deve controlar directamente a vida dos cristãos. O antinomismo dualístico surgiu muito cedo nas heresias gnósticas, como aquelas repudiadas por Pedro e Judas (2Pe 2; Jd 4-19). Os gnósticos ensinavam que a salvação era só para a alma, tornando irrelevante o comportamento do corpo, tanto para o interesse de Deus quanto para a saúde da alma. A conclusão era que uma pessoa podia comportar-se desenfreadamente, sem que isso tivesse a menor importância. O antinomismo "espiritual" atribui uma confiança tal à actuação interior do Espírito Santo, que nega a necessidade da pessoa ser ensinada pela lei em seu modo de viver. A liberdade em relação à lei como meio de salvação traz consigo, segundo eles, a negação da necessidade da lei como guia para a conduta. Nos primeiros 150 anos da era da Reforma, essa espécie de antinomismo era comum. A igreja de Corinto pode ter estado preso nesse erro, uma vez que Paulo adverte os crentes de Corinto de que uma pessoa verdadeiramente espiritual reconhece a autoridade da Palavra de Deus (1 Co 14.37; cf. 7.40). Outra espécie de antinomismo tem seu ponto de partida na ideia de que Deus não vê o pecado nos crentes, porque os crentes estão em Cristo, que cumpriu a lei por eles. Disso tiram a falsa conclusão de que o comportamento dos crentes não faz diferença, desde que eles continuem crendo. Porém Jo 1.8-2.1 e 3.4-10 indicam uma conclusão diferente. Não é possível estar em Cristo e, ao mesmo tempo, adoptar o pecado como meio de vida. Alguns dispensacionalistas têm sustentado a ideia de que os cristãos, desde que vivem sob a dispensação da Graça e não da lei não têm a necessidade de observar a lei moral em nenhuma etapa da vida. Rm 3.31 e Jo 6.9-11 mostram claramente, contudo, que observar a lei é uma obrigação contínua dos cristãos, porém não mais como os judeus faziam no Velho Testamento. Agora, não seguimos os mandamentos por causa e efeito, mas porque amamos a Deus e possuímos responsabilidades com o seu reino. Seguir a lei não é submeter-se aos costumes e sacrifícios impostos àquela época, mas andar de maneira digna da nossa vocação, ou em rectidão e santidade. Ou seja, seguir o preceito da lei (Rm 8.4). Às vezes, se diz que o motivo e a intenção do "amor" são a única lei que Deus exige dos cristãos. Os mandamentos do Decálogo e outras partes éticas das Escrituras, ainda que sejam directamente atribuídas a Deus, são considerados não mais do que meras pautas que o amor pode, em qualquer tempo, deixar de levar em conta. Porém Rm 3.8-10 ensina que ordens específicas revelam o que o verdadeiro amor é profundamente ético e abrangente quanto o moral. A lei de Deus desmascara a falsidade do amor que não aceita suas responsabilidades para com Deus e o próximo. A lei moral revelada no Decálogo e exposta em outras partes das Escrituras é uma expressão da integridade de Deus, outorgada para ser o código de prática para o povo de Deus, em todas as eras. A lei não se opõe ao amor e à bondade de Deus, porém demonstra o que esse amor e bondade são na prática. O Espírito concede aos cristãos o poder para cumprir a lei, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, o cumpridor arquetípico da lei (Mt 5. 17). II. II JOÃO João apresenta o essencial para o andar pessoal do crente numa época em que muitos enganadores entraram no mundo. A chave da Epístola é a verdade, referindo-se ao conjunto de toda a verdade revelada: as Escrituras. Histórico O estilo, vocabulário e conteúdo de 2 João são características que indicam que a carta foi escrita pelo mesmo autor de João e do Livro de João. Este autor tem sido tradicionalmente identificado como sendo o apóstolo João, filho de Zebedeu, e nenhuma outra suposição mais plausível tem sido apresentada. Ocasião e Data A segunda Epístola de João foi escrita para alertar contra a mesma corrente de falsos ensinos combatida em João, chamada de "docetismo". Deve ter sido escrita em torno da mesma época, nas duas últimas décadas do século l. Ainda que repita ideias de João, não pressupõe o conhecimento daquela carta da parte do leitor. Valor da Epístola A Segunda Epístola de João é uma carta, com saudação inicial, cumprimentos introdutórios e saudação final. Foi escrita para uma senhora cristã e sua família, sendo esta ou a sua família natural ou a comunidade de crentes à qual estava associada. Assim como as primeiras, esta carta de João é de encorajamento e de advertência dirigida a uma comunidade específica, pela qual o autor tem responsabilidade pastoral. A Humanidade de Jesus Jesus foi um homem que convenceu aos que estavam mais próximos dele de que ele também era Deus. Sua humanidade não é posta em dúvida. Ao condenar aqueles que negavam que "Jesus Cristo veio em carne" (Jo 4.2-3; 2Jo 7), João tinha por objectivo os mestres que substituíam a encarnação pela ideia de que Jesus era um ser sobrenatural (não Deus) que apenas parecia humano, mas que realmente apenas era assim na aparência, um mensageiro que não podia morrer pelos pecados. Os Livros mostram Jesus experimentando limitações humanas: (fome, Mt 4.2; fadiga, Jo 4.6; desconhecimento de factos, Lc 8.45-47) e tristeza (Jo 11.35,38). A Carta aos Hebreus insiste em que, se Jesus não tivesse compartilhado de todas estas facetas da experiência humana, fraqueza, tentação, sofrimento, não estaria qualificado para ajudar-nos em tais provações (Hb 2.17-18; 4.15-16; 5.2,7-9). De qualquer maneira, sua plena experiência humana garante que a qualquer momento em nosso relacionamento com Deus podemos recorrer a ele, confiando no facto de que ele passou por isso antes de nós e é o ajudador de que necessitamos. Cristãos que se concentram na divindade de Jesus têm, às vezes, pensado que minimizar sua humanidade é motivo de honra para Jesus. Por exemplo, sugere-se, às vezes, que Jesus esteve sempre consciente de sua omnisciência e só fingia desconhecimento de factos. Ou podia-se pensar que ele só fingia estar faminto e cansado porque, como uma espécie de super-homem, ele estava acima das necessidades da existência diária. Porém, o ensinamento da Palavra mostra que Deus, na manifestação de Filho, possui, é uma só Pessoa, que existe em duas naturezas, e que nada falta à sua natureza humana, excepto o pecado. A ideia de que duas naturezas de Jesus eram semelhantes a circuitos eléctricos alternativos, de modo que, às vezes, ele agia em sua humanidade e, às vezes, em sua divindade, é também uma ideia errada. Jesus não podia pecar, mas podia ser tentado. Satanás tentou-o a desobedecer pela auto-satisfação, auto-exibição e auto-exaltação (Mt 4.1-11), e a tentação para fugir da cruz era constante (Lc 22.28; cf. Mt 16.23, e a oração de Jesus no Getsêmani). Como ser humano, Jesus não podia vencer a tentação sem lutar, porém, como ser divino, sua natureza era a de cumprir o plano de Deus (Jo 5.19,30), e, portanto, sua natureza era a de resistir e lutar contra a tentação até vencê-la. Desde que a sua natureza humana era conformada à sua natureza divina, era impossível que ele falhasse no decorrer da sua resistência. Era inevitável que ele suportasse as tentações até o fim, sentindo toda a sua força, e emergisse vitorioso para seu povo. Do que ocorreu no Getsêmani, ficamos sabendo quão agudas e agonizantes foram suas lutas. O resultado feliz para nós é que, "naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados" (Hb 2.18). III. III JOÃO Não existem traços em 3 João do conflito cristológico que transparece em 1 e 2 João. Pode ser até que esta terceira carta tenha sido escrita antes das outras duas, possivelmente nos anos 80 do século l. Autenticidade A terceira carta de João foi escrita pelo autor de 2 João, o que se infere a partir das semelhanças chaves como estilo e estrutura. Assim como o Livro de João e as Epístolas de 1 e 2 João, a atribuição tradicional da autoria ao apóstolo João não pode ser questionada e é mais provável do que qualquer outra alternativa. Ocasião e Data Enquanto 1 e 2 João celebram verdades que unem todos os cristãos, 3 João lamenta a rivalidade mesquinha que põe cristãos uns contra os outros. Em particular, a carta foi ocasionada por um conflito grave entre Diótrefes (aparentemente um presbítero da congregação sob os cuidados de João) e outros líderes da congregação sobre a hospitalidade que deveria ser demonstrada para com os missionários viajantes e era negada por aquele. E provável que o próprio Demétrio, que é recomendado a Gaio pela carta, fosse também um missionário viajante que necessitava de alojamento temporário. Valor da Epístola A Terceira Epístola de João é caracterizada, pela sua saudação, cumprimentos introdutórios e saudação final, como sendo, de facto, uma carta. Mais especificamente, é uma carta de recomendação introduzindo Demétrio ao destinatário, Gaio. IV. JUDAS O autor desta Epístola se identifica como sendo "Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago" (v. 1), O nome "Juda" (grego Judas) era comum entre judeus do século l, e pelo menos oito pessoas com este nome são mencionadas no Novo Testamento, incluindo dois dos discípulos de Jesus (Lc 6.16). O autor não pode, então, ser identificado com base exclusiva em seu nome. Histórico A melhor pista para sabermos a sua identidade é a descrição "irmão de Tiago" (v. 1). O único Tiago conhecido na igreja primitiva a ponto de poder ser mencionado desta maneira incondicional é Tiago, o destacado líder da igreja (At 12.17; 15.13), autor da Epístola que tem o seu nome e irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3; Gl 1.19). Se esta identificação de Tiago estiver correcta, o autor desta Epístola deve ser então Judas, o irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3), que, assim como os seus outros irmãos, não creu em Jesus senão após a sua ressurreição (Mc 3.21.31; Jo 7.5; At 1.14). Judas pode ter sido uma daquelas pessoas mencionados em outro lugar no Novo Testamento, na referência de Paulo ao ministério ambulante dos irmãos do Senhor e de suas esposas (1Co 9.5). Provavelmente seja a humildade de Judas que explica porque ele não mencionou que era parente de Jesus (ver atitude semelhante em Tg 1.1). Autenticidade Várias objecções à autenticidade de Judas têm sido levantadas, mas todas se baseiam em suposições ou exegeses questionáveis. A maioria está relacionada com a proposta de uma data que é muito posterior ao período de existência possível para Judas. Alguns argumentam que a qualidade do grego usado nesta Epístola é melhor do que a que seria de se esperar de um galileu. Entretanto a Galileia era bilingue (grego e aramaico) no século l, e sabe-se muito pouco sobre o grego de Judas para se concluir que ele não poderia ter escrito esta carta. Podemos aceitar que o autor é Judas, o irmão de Jesus. Ocasião e Data Praticamente a única evidência que temos para a data de Judas é o que pode ser inferido sobre a época de vida do seu autor e da heresia que combate. Se Judas era mais novo do que Jesus e Tiago, como sugere a sua posição na lista de irmãos em Mt 13.55 e Mc 6.3, ele poderia ter sobrevivido até o último quarto do século l. Pressupondo que Pedro tenha escrito 2 Pedro, e, em harmonia com a maioria dos estudiosos, que 2 Pedro tenha utilizado a carta de Judas, a carta de Judas teria sido escrita antes de 65-67 d.C., a data provável para 2 Pedro. Alguns apresentam argumentos para uma data no século II, baseando-se na alegação de que Judas está combatendo o gnosticismo. Ainda que os ensinamentos que Judas combate possam ter sido precursores do gnosticismo, não podem ser identificados com as heresias gnósticas plenamente desenvolvidas do século II. A Construção da Epístola Apesar de sua brevidade, esta Epístola foi amplamente usada na igreja primitiva por causa da sua óbvia ortodoxia e valor. Questionamentos sobre a sua posição canónica surgiram por causa do seu uso da literatura apócrifa (vs. 9,14-15). Além de possíveis menções nos escritos dos chamados "Pais Apostólicos" (p. ex., Clemente de Roma, o Pastor de Hermas, a Epístola de Barnabé, todos datados antes de 150 d.C.), Judas é relacionada no Cânon Muratoriano (c. 200) e foi aceita como sendo autêntica por Clemente de Alexandria (c. 150-c. 215),Tertuliano (c. 160-c. 225), Orígenes (c. 185-c. 253), e Atanásio (c. 296-373). Não existe indício, na carta, do seu local de escrita ou de seu destinatário. Alguns acreditam que o uso que Judas faz do Antigo Testamento e da literatura apócrifa judaica demonstra que a carta foi direccionada a uma audiência cristã judaica, mas as citações revelam mais sobre o histórico pessoal do autor do que sobre o dos leitores. É possível que Judas tenha escrito esta carta como uma carta circular para várias igrejas cujas condições ele conhecia por ter um ministério itinerante entre elas (cf. 1Co 9.5). Valor da Epístola Esta carta reflecte fortemente o meio social do cristianismo judaico do século l, como era de se esperar de um autor como Judas. Entre as evidências para a origem judaica do autor temos as suas muitas referências ao Antigo Testamento (mesmo que não o cite directamente), a sua familiaridade com a tradição apócrifa judaica, e a sua forte preocupação ética. Judas enfrenta uma ameaça semelhante à que é combatida em 2 Pedro: falsos mestres que estavam usando a liberdade cristã e a livre Graça de Deus como licença para a imoralidade (v. 4; cf. 2 Pd 2.1-3). A maior parte da Epístola (vs. 4-19) se dedica à severa denúncia dos falsos mestres com a finalidade de impressionar os leitores com a seriedade desta ameaça. Mas a estratégia de Judas é mais do que somente uma oposição negativa. Ele exorta aos seus leitores para que cresçam no conhecimento da verdade cristã (v. 20), para que tenham um testemunho firme pela verdade (v. 3) e para que procurem resgatar aqueles cuja fé estava hesitante (vs. 22-23). Esta receita para confrontar erros espirituais é tão eficaz hoje quanto o era quando foi escrita. V. APOCALIPSE O prólogo de Apocalipse explica o seu propósito básico. Apocalipse de 1.1 a 22.21 é uma carta com uma saudação (1.4-5), corpo (1.5-22.20) e despedida (22.21). Os elementos formais desta estrutura genérica também se encontram nas cartas de Paulo. A porção principal do livro consiste em sete ciclos de julgamento, cada um contendo, como desfecho, uma descrição da segunda vinda. Cada ciclo pode ser mais bem entendido como uma descrição da mesma batalha espiritual, mas de um ponto de vista diferente. Os ciclos que vêm posteriormente concentram-se cada vez mais nas fases mais intensas do conflito e na segunda vinda em si. O título grego do livro é Apokalypsis, que significa "revelação" ou "desvelamento". Sendo assim, o livro é uma revelação que diz respeito ao objectivo final da história. Apocalipse faz parte do que é conhecido como "literatura apocalíptica"; assim como porções de Ezequiel, Daniel e Zacarias, contêm visões com muitos elementos simbólicos. Usando imagens visuais, além de promessas e advertências verbais, entrelaçam em uma tapeçaria poética, temas de toda a Escritura, A sua profundidade é demonstrada em todas as suas múltiplas alusões. Ainda assim, como revelação ou desvelamento, ele se destina a nutrir a todos os que são servos de Cristo (1.1). Histórico O livro é dirigido a sete igrejas da Ásia Menor (1.4,11), uma área que, actualmente, é parte da Turquia ocidental. Cada igreja recebe repreensões e encorajamentos de acordo com a sua condição (2.1—3.22). Houve muita perseguição sobre alguns cristãos (1.9; 2.9,13) e haveria mais pela frente (2.10; 13.7-10). Oficiais romanos tentariam forçar os cristãos a adorar ao imperador. Ensinamentos heréticos e fervor decrescente tentariam os cristãos para que se envolvessem com a sociedade pagã (2.2,4 14-15,20-24; 3.1-2 15,17). O Livro assegura aos cristãos que Cristo conhece as suas condições e que ele os chama para permanecerem firmes contra todas as tentações. A vitória dos cristãos já foi assegurada pelo sangue do Cordeiro (5.9-10; 12.11). Cristo virá em breve para derrotar Satanás e todos os seus agentes (19.11-20.10), e o povo de Cristo desfrutará da paz eterna em sua presença (7.15-17: 21.3-4). Autenticidade O autor se identifica como João (1.1,4, 9; 22.8). Era bem conhecido entre as igrejas da Ásia Menor (1.9). Já no século II d.C., Justino Mártir, Irineu e outros identificaram o autor como sendo o apóstolo João. No entanto, no século III, Dionísio, bispo de Alexandria, comparou o estilo e os temas de Apocalipse com o Livro de João e concluiu que os dois devem ter tido autores diferentes. Apesar desta opinião, é provável que o apóstolo João seja o autor. Apocalipse enfatiza que a sua mensagem e conteúdo são derivados, em última análise, de Jesus Cristo e de Deus Pai (1.1,10-11; 22.16,20). O livro possui plena autoridade divina (22.18-19). Ocasião e Data Apocalipse foi escrito durante uma época de perseguição, provavelmente perto do final do reino do imperador romano Nero (54-68 d.C.) ou durante o reino de Domiciano (81 -96 d.C.). A maior parte dos estudiosos concorda com uma data em tomo de 95 d.C. A Construção do Livro Muitos aspectos temáticos unificam o livro. O uso repetido do número sete significa plenitude. O plano e o poder de Deus determinam os resultados. A adoração a Deus vem dos anjos e santos (1.6). As tribulações actuais da igreja (2.1-3.22) contrastam com o seu descanso final. A igreja deve manter o seu testemunho e a sua pureza. Tudo se move em direcção à vitória de Cristo, na sua vinda. Um dos aspectos mais proeminentes do livro é a apresentação das farsas satânicas que se opõem a Deus numa guerra espiritual de proporções cósmicas. A besta, introduzida em 13.1-10, é uma falsificação de Cristo. Observe os seguintes paralelos: (a) A besta é uma imagem de Satanás, que Satanás trouxe à luz (13.1), assim como Cristo é a imagem exacta de Deus, gerado pelo Pai (SI 2.7; Cl 1.15; Hb 1.3); (b) a besta tem dez coroas e nomes blasfemos ({13.1}, enquanto Cristo tem muitas coroas e nomes dignos (19.12); (c) o dragão deu à besta o seu poder, um trono e grande autoridade (13.2), assim como Cristo tem o poder (5.12-13), o trono (3.21), e a autoridade (12.10) porque é o próprio Deus (Jo 5-21-23); (d) a besta tem uma ferida aparentemente fatal da qual se recuperou (13.3), numa tentativa de imitar a ressurreição de Cristo, e a recuperação da besta é um dos factores principais que atraem os seguidores (13.4), assim como a ressurreição de Cristo é um dos pontos principais da proclamação evangelística; (e) a adoração é dirigida tanto ao dragão como à besta (13.4), assim como os cristãos adoram Jesus, sabendo que estão adorando a Deus (Jo 5.23); (f) a besta atrai a adoração do mundo inteiro (13.7).assim como Cristo será adorado universalmente; (g) a besta fala blasfémias (13.5), enquanto Cristo proclama seu louvor a Deus (Hb 2.12); (h) a besta guerreia contra os santos (13.7), enquanto Cristo faz guerra contra a besta (19.11 -21). A canção de adoração à besta, em 13.4. falsifica a canção a Deus de Êx 15.11. A surpreendente justaposição entre Cristo e a besta, em 19-11-21, mostra que estes são os dois guerreiros principais na batalha: Cristo é o guerreiro divino, preenchendo as imagens de Êx 15.3; Is 59.16-18: 63.1-6; He 3.3-15; Zc 9.13-15; 14.1 -5: e a besta é o guerreiro pagão, cheio de falsidade, preenchendo a imagem de Dn 7.1-8. O próprio Satanás tenta falsificar Deus. Envolve-se numa falsa criação, em que ele traz à tona a sua imagem, do caos das águas (13.1; paralelo a Gn 1.2). Semelhantemente, o falso profeta, ou a besta da terra (13.11-18), falsifica a obra do Espírito Santo. Deseja que o povo adore não a ele, mas à besta, da mesma maneira que o Espírito Santo glorifica a Cristo (Jo 16,14). Opera falsos sinais milagrosos (13-13-14), falsificando os milagres do Espírito Santo. Força a sua marca sobre os seus súbditos (13.16), da mesma forma que os cristãos são selados pelo Espírito Santo (Ef1.13). Juntos, Satanás, a besta e o falso profeta formam um trio de impiedade (16.13). Satanás, como enganador, está sempre tentando fazer os seus caminhos parecerem atraentes (2Co 11.14-15). Quando a revelação divina abre os nossos olhos, há um mundo de diferença entre os seus horrores e as maravilhas de Deus. Satanás é um imitador, e não um criador, e as suas produções são sempre bestiais e degeneradas, como ele próprio o é. As bestas devem se retirar diante da presença de Cristo, o Rei (19.11-21), Resta ainda uma farsante, que é a Babilónia, a prostituta, a falsificação da noiva de Cristo (17.1-19.10). A sua corrupção é contrastada com a pureza da noiva do Cordeiro (19.7-9). A Babilónia resume em si toda a adoração do mundo pagão. Em contraste, a noiva, a igreja, representa os adoradores do Deus verdadeiro. Satanás ataca os santos de duas maneiras principais: a besta ataca com poder e perseguição, procurando destruir o testemunho dos santos e forçando-os a adorar à besta. Babilónia ataca com sedução, buscando destruir a pureza dos santos. Valor do Livro Cristo aparece como o Rei e Juiz majestoso do universo e o Soberano das igrejas (1.12-201). Em 2.1 e 3.22, Cristo trata de necessidades específicas de cada igreja. As suas promessas poderosas também lembram às igrejas a extensão e profundidade de seu chamado (2.7,10-11,17,26-28; 3.5,12,21). A escolha de exactamente sete igrejas sugere a relevância maior da mensagem (1.4). Em 4.1 e 22.5, as repreensões e os encorajamentos de Cristo tomam uma nova forma. Através de Cristo e dos seus anjos (22.8-9,16), João recebe uma série de visões cuja intenção é abrir os olhos dos cristãos para a realeza e majestade de Deus, a natureza da batalha espiritual, os julgamentos de Deus sobre o mal e o resultado do conflito final. Deus e o seu exército devem ganhar a batalha (17.14; 19.1-2), mas as suas forças recebem oposição da parte de Satanás, o "grande dragão", (12.3), que conduz o mundo inteiro para a perdição (12.9). Satanás tem dois agentes, a "besta" e o "falso profeta”, que juntos com ele formam a falsidade (cap. 13; 16.13). Em oposição a estas ameaças, os santos devem manter um testemunho verdadeiro e fiel, até o martírio (12.11), e devem manter a pureza espiritual verdadeira (14.4; 19.8). No novo céu e na nova terra, o seu testemunho encontra o cumprimento na luz final da verdade de Deus (21.22-27), e a sua pureza se torna perfeita na noiva imaculada do Cordeiro (21.9). O tema principal de Apocalipse é o reinado de Deus sobre a história. Ele a trará a um clímax triunfante em Cristo. No centro estão as visões de Cristo (1.12-16) e de Deus (4.1—5.14). Deus demonstra a sua majestade, autoridade e justiça como o Soberano e Juiz do universo (1.12-20). Estas visões centrais já prevêem a consumação da história, quando a glória de Deus encherá todas as coisas (21.22-23; 22.5; 4.1-5.14). Elementos detalhados nas visões expandem estas verdades e devem ser vistas como parte de uma visão mais ampla. Apocalipse é, assim, um livro de imagens, uma apresentação dramática para equipar os cristãos para que tenham uma visão da história centralizada em Deus. Não é um Livro de quebra-cabeças para servir de fonte para cálculos misteriosos, mas é de profundas revelações que só podem ser decifradas com a visão da Graça de Deus. |
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