Lição n. ° 5

PROPICIAÇÃO

Romanos 3:21; a 26; Êxodo 25:17 a 22

O sentido da palavra traduzida propiciação é “satisfação". A Justiça de Deus foi satisfeita pela expiação. A morte do Senhor Jesus na cruz oferece ao povo deste mundo benefícios notáveis que de outro modo não se pode obter. É um assunto muito rico que uma verdade só não pode descrever porque podemos contemplar a morte de Jesus Cristo sob vários aspectos. Entre estas verdades da cruz de Cristo estão a redenção, a reconciliação e a propiciação. A redenção é a obra do Senhor Jesus na cruz em relação ao pecado. A reconciliação pela mesma cruz foi efectuada em relação ao homem, enquanto a propiciação apresenta o aspecto da morte de Cristo em relação a Deus.

O falso conceito da propiciação.

No entendimento dos pagãos os seus deuses eram severos e indiferentes às necessidades do povo, e este somente podia aplacar a ira do deus, ou conseguir qualquer coisa dele por meio de sacrifícios. Desta maneira procuravam fazer sacrifícios a fim de mudar a atitude do seu deus para com eles. Os amonitas e alguns outros, queimavam seus filhos, obrigando-os a passar pelo fogo como sacrifícios ao deus Moloque (2 Reis 23:10). Outros povos da mesma maneira sacrificam os filhos a Baal (Jeremias 19:5). Os profetas de Baal aceitaram o desafio do profeta Elias sobre o monte Carmelo, para provar que o deus que responde as suas orações com fogo sobre o sacrifício é o Deus verdadeiro. Desde a manhã até o meio-dia os profetas de Baal invocaram o seu nome, porém não ouve voz, nem resposta, nem atenção alguma. E eles clamavam em altas vozes, e se retalhavam com facas e com lancetas SEGUNDO O SEU COSTUME até derramarem sangue” (1 Reis 18:28).

Naquele tempo eles se afligiam para procurar o favor dos deuses, mas mesmo hoje em dia no conceito de muitos Deus é severo e a única maneira para mudar a atitude dele é pelas orações e penitências. Devemos lembrar que Deus não muda, e além disto Ele não precisa mudar porque a sua atitude para com a humanidade é de amor, compaixão, longanimidade e misericórdia. Ele ouve e atende a voz dos que O procuram. Então o que precisa? Precisa de um meio justo pelo qual Deus pode exercer o seu amor para com o povo deste mundo. Este é o assunto da propiciação verdadeira.

Propiciação é a obra de Cristo na cruz que satisfez todas as exigências da justiça de Deus, e agora Ele está livre para agir em amor para com os pecadores, “Sendo justificados gratuitamente. por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus: a quem Deus propôs, no seu sangue COMO PROPICIAÇÃO, mediante a fé, para manifestar a sua justiça” (Romanos 3:25).

A maneira pela qual Deus ensinou esta verdade no Velho Testamento.

Depois de dar a lei no monte Sinai Deus mandou Moisés fazer o tabernáculo no qual, Deus havia de habitar. Por meio do tabernáculo e da adoração, Deus ensinou ao povo de Israel verdades a respeito do carácter dEle e do modo de como deviam se aproximar de Deus. Além disto, o tabernáculo e os sacrifícios, ensinam-nos a respeito do Senhor Jesus, a sua vinda ao mundo, do Seu carácter e da Sua morte Na entrada do pátio do tabernáculo o judeu deparava com o altar onde animais eram sacrificados. O tabernáculo era dividido em dois lugares; o lugar Santo onde os sacerdotes podiam entrar, e o lugar santíssimo, onde o Sumo-sacerdote podia entrar levando o sangue do sacrifício somente no Dia da Expiação.

É o lugar santíssimo que nos interessa agora porque havia nele a arca do testemunho a tampa da qual era o propiciatório. A arca era feita da madeira de acácia, coberta de ouro. É figura do Senhor Jesus, a madeira simbolizando a sua humanidade e o ouro a sua divindade. Em cada extremidade da mesa do propiciatório havia um querubim de ouro puro. Os dois querubins, face a face, com ai suas asas estendidas, olhavam para o propiciatório onde no Dia da Expiação o sangue foi espargido. Chama-se o lugar santíssimo porque era a habitação de Deus, e onde tudo revela a santidade e a justiça de Deus, A arca, que é a base do propiciatório continha a lei, desta forma, o propiciatório é baseado na justiça. Os querubins que simbolizam os guardas da justiça olhavam para o propiciatório espargido com Sangue. Quando Adão e Eva foram expulsos do jardim de Éden Deus colocou querubins com espadas flamejantes para guardar o caminho da árvore da vida (Génesis 3:24).

No Dia da Expiação o Sumo-sacerdote precisava oferecer o sacrifício de um novilho para fazer expiação por ele e pela sua família. Ninguém, podia ficar no tabernáculo quando o Sumo-sacerdote entrava no lugar santíssimo. Ele levava o incensário com as brasas do altar, e com dois punhados de incenso colocados sobre as brasas ele entrava para dentro do véu, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório’ (Levítico 16:13). Ele espargia o sangue do novilho sete vezes sobre o propiciatório e sete vezes diante dele. Com o sangue do sacrifício pelo pecado do povo ele fazia a mesma coisa.

O propiciatório no tabernáculo é figura da morte de Cristo na cruz, pela qual Deus pode agir com amor para com o homem.

“Mediante a redenção que há em Cristo Jesus; A QUEM DEUS PROPÕS NO SEU SANGUE, COMO PROPICIAÇÃO (Romanos 325). A palavra hebraica traduzida "expiação" em português encontra-se muitas vezes no Velho Testamento. O sentido da palavra hebraica é ‘cobrir”. O sinónimo da palavra hebraica traduzida expiação, na língua grega é ‘propiciação” em Romanos 3:25, 1 João 2:2 24:10 na versão de Almeida actualizada,

O lugar do encontro do homem com Deus.

Quando Deus desceu sobro o monte Sinai houve trovões e relâmpagos e uma, espessa nuvem o cobriu, e mui forte clamor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial estremeceu. Moisés levou o povo fora do arraial AO ENCONTRO DE DEUS. (Êxodo 19:16 e 17), Porém Deus mandou que ninguém subisse nem chegasse perto, senão seria morto (Êxodo 19:21). No monte Sinai Deus mostrou somente um aspecto do seu carácter; a sua justiça e o seu juízo, mas não mostrou o aspecto do seu amor, compaixão e misericórdia.

O encontro com Deus é por meio de um sacrifício.

Três vezes no Velho Testamento encontram-se as palavras: “Ali virei a ti” indicando o lugar de encontro com Deus. A primeira vez foi logo depois da descida do Senhor no monte Sinal. Deus mandou Moisés fazer um altar de terra para oferecer a Deus sacrifícios nele. Acrescentou o Senhor: “virei a ti, e te abençoarei” (Êxodo 20:24). Deus não ficou satisfeito em mostrar somente a sua justiça porque nEle há harmonia entre a sua justiça e o seu amor, e esta harmonia foi manifestada na pessoa de Jesus Crista. “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”, e nele há uma harmonia perfeita. Nos sacrifícios do tabernáculo Deus manifestou a sua justiça e a sua misericórdia.

Referente ao altar de bronze, o primeiro objecto no caminho para o propiciatório, onde era oferecido o sacrifício contínuo, Deus disse: “ali virei aos filhos de Israel” (Êxodo 29:43). Depois da construção do tabernáculo o altar de bronze era o único altar onde os sacrifícios podiam ser oferecidos, símbolo do único caminho para o encontro com Deus. Em Êxodo 25:22 Deus disse: ‘Virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos querubins, que estão sobre a arca do testemunho”.

A morte do senhor Jesus Cristo é a única propiciação pela qual o pecador pode ser justo e justificado perante Deus.

A verdade da propiciação pelo sangue, ensinada por figuras do Velho Testamento, tornou-se uma realidade pela morte de Jesus Crista. Ele mesmo ensinou esta verdade por meio de uma parábola, dirigida aos que “confiavam em si mesmos por se considerarem justos e desprezavam os outros” (Lucas 18:9). Esta gente religiosa não sentia o seu pecado, nem a necessidade da morte de Cristo para ser justificado perante Deus. O ensino de oração nesta parábola é importante, porém, a lição principal é a da justificação do pecador pelo sangue de Jesus Cristo. As orações dos dois homens do templo, o fariseu e o publicano. revelam em quem confiavam, o fariseu não contava com Deus, pois, orava de si para si mesmo, desta forma: ‘O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lucas 18:11 a 12). A sua justiça consistia em abnegação (jejum) e pagamento do dízimo.

Devemos lembrar onde os dois homens estavam no templo, onde os sacerdotes estariam fazendo o seu serviço, derramando o sangue do animal e fazendo o sacrifício sobre o altar. Isto não tinha significado nenhum para o fariseu, porém, o cobrador de impostos tomou uma atitude diferente. “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu mas batia no peito, dizendo:

“Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador” (Lucas 18:13). O Senhor Jesus declarou: “Digo-vos que este desceu JUSTIFICADO, para sua casa, e não aquele”. O publicano saiu do templo justificado enquanto o fariseu saiu condenado. O publicano colocou a sua fé no sangue do sacrifício e o fariseu confiava em si mesmo.

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