As tintas e a sua utilização

 

A pintura é, sem dúvida, a fase mais delicada da realização de um modelo. Uma boa montagem pode ser arruinada por uma pintura incorrecta ou mal feita; pelo contrário, pequenos erros de montagem podem passar despercebidos se o acabamento respeitar todas as normas. Em primeiro lugar, as tintas: devem ser especiais para "kits" de plástico e de boa qualidade. As tintas de esmalte envelhecem com certa rapidez e, portanto, convém serem substituídas ao fim de três anos. Quando envelhecem perdem elasticidade e demoram mais a secar. Antes de serem utilizadas, as tintas devem ser cuidadosamente agitadas, para misturar bem os seus componentes. Aconselha-se o uso de esferas de aço para obter uma mistura perfeitamente uniforme. Não devem ser postas mais do que quatro esferas em cada lata. Uma vez fechada, deve-se agitar até que se ouçam as esferas bater nas paredes e no fundo da lata. As esferas deixam-se na lata para se poder repetir a operação sempre que necessário. Se a tinta não for utilizada há muito tempo, deve-se mexer com um palito e depois agitar energeticamente. Se se formar uma película dura e elástica na camada superior da tinta, deve ser retirada com um palito ou uma espátula, antes de agitar. É conveniente marcar as latas com esferas, para evitar que umas tenham oito e outras nenhuma. As tintas comerciais são geralmente brilhantes (gloss) ou mates (matt). É frequente haver dúvidas acerca das que se devem usar: nem sempre é fácil saber se um avião era pintado com verniz brilhante ou mate. Geralmente, as cores brilhantes são usadas nos aviões da Primeira Guerra Mundial, no período de entre guerras ou para os aviões modernos. As cores mate usam-se para os da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, também os aparelhos modernos, quando estão camuflados, são frequentemente pintados com cores mate. Além disso, o verniz brilhante mantém o brilho durante pouco tempo, transformando-se rapidamente num semi-mate. Para se obter um efeito realista, não é aconselhavel misturar tintas mate e brilhantes, pois os resultados nunca são famosos: entre outras coisas, os tempos de secagem são diferentes para cada tipo de tinta. Se não encontra a cor desejada na qualidade semi-mate, convém acabar com uma de mão de verniz mate, que poderá ser aplicado uma ou duas vezes, até se atingir o resultado desejado. É obvio que pode ser o inverso, com um verniz brilhante sobre tintas mate. Em todo o caso, o verniz final deve ser muito bem misturado, pelo menos cinco minutos. Não nos devemos esquecer de fechar muito bem as latas, para melhorar a conservação das tintas.
 

Diversas tintas utilizadas em modelismo (esmaltes, acrílicas e óleos).
 

Existem regras básicas que devem ser respeitadas para obter bons resultados:

• Em primeiro lugar, é conveniente pintar sempre um modelo bem limpo e sem pó. Se o modelo foi lavado com água e sabão ou amónia, não se deve usar um trapo para o secar: assim ficará carregado de electricidade estática, com a consequente acumulação de pó e má aderência da tinta. Para evitar esse inconveniente, aconselha-se que seja feita a limpeza com uma flanela anti-estática e a não esfregar excessivamente as superfícies de plástico.

• Usar tintas indicadas e nas quantidades adequadas.

• Segurar o pincel sempre junto aos pêlos para melhor controlar os movimentos.

• Pintar sempre na mesma direcção e seguindo a forma do modelo (ao longo da fuselagem, seguindo a corda das empenagens, as asas, etc.).

• Diluir as tintas com algumas gotas de solvente, se estiverem demasiado espessas. Para esta operação deve-se utilizar um conta-gotas e misturar muito bem.

• Nunca misturar as cores directamente dentro das latas ou, pior ainda, na superfície a pintar. Para isso devem-se utilizar latas velhas ou outros pequenos frascos, que possam ser fechados e que conservem a tinta. É conveniente ser generoso na preparação de misturas de cores, para não se ficar sem tinta a meio do trabalho. É uma boa ideia apontar as "fórmulas", para as poder repetir de futuro.

• Uma vez secas, as tintas de boa qualidade não ficam com marcas do pincel. Se, entretanto, ficam velhas, o melhor é deitá-las fora, pois só se pioram as coisas se se aplica uma de mão demasiado espessa.

• Se pintar com demasiada tinta ou se se enganar na cor, não tente corrigir o erro. É melhor retirar toda a tinta com um pano embebido em dissolvente e recomeçar.

• Se tiver de pintar grandes zonas com um acabamento brilhante, deve usar tinta mais diluída e dar mais uma de mão, tendo em atenção que as superfícies devem estar completamente secas entre uma de mão e a seguinte.

• Entre uma de mão e outra deve-se esperar, no mínimo, 12 horas, para que a tinta seque completamente. Se as tintas forem antigas, é melhor esperar um dia. Se o modelo for de plástico escuro e a pintura clara, é conveniente dar mais uma de mão.

• Deve-se fazer uma lista das cores e de tintas usadas na primeira de mão para se obterem bons resultados no acabamento final. O cinzento mate aplica-se por baixo das cores claras, do amarelo e do vermelho; o branco mate aplica-se como preparação (aparelho) sob o prateado ou metalizado; e o amarelo mate antes do bronze ou do dourado.

• O cinzento mate também é aconselhável para as zonas betumadas ou reconstruídas com betume ou balsa.

• Uma regra fundamental é a aplicação das cores claras antes das escuras. Só desta forma é possível obter os melhores resultados.

• É de importância fundamental programar o trabalho, seja para não ficar sem tinta a meio, seja porque muitas peças podem ficar inacessíveis após determinadas fases da montagem.

• Para as camuflagens, depois de pintadas as partes mais claras, devem-se marcar com um lápis branco os contornos das zonas mais escuras antes de as pintar. Antes de começar a pintar, é preciso proteger todas as partes que não devem ser pintadas ou sujas de tinta, com especial atenção para as partes transparentes. Estas devem ser protegidas com fita adesiva ou com Maskol ou, se possível, montadas após a pintura.
 

Utilização de vernizes de acabamento
 

Os vernizes servem para "selar" e dar o toque final e uniforme a um modelo. Existem sob três formas: os vernizes mates, os vernizes brilhantes e os vernizes semi-brilhantes (ou acetinados). Aconselham-se os produtos da firma Testor, em spray e da Humbrol em frasco: o Dullcoat da Testor é um verniz mate que serve para acabamentos de aviões e de todos os engenhos militares, o equivalente da Humbrol é o Matt Cote; o Gloss Cote é reservado às pinturas de aspecto brilhante, carroçarias de automóveis ou outras aplicações similares; também pode ser usado antes da aplicação das decalcomanias (tornando a superficie do modelo uniforme, melhoram a adesão); a Humbrol também possui na sua gama de vernizes o Satin Cote, cujo acabamento é semi-brilhante e pode ser usado em pinturas de aviões metalizadas. O emprego destes vernizes exige algumas precauções e a sua aplicação é diferente conforme se tratar de um verniz mate ou brilhante. Antes do mais, é indispensável trabalhar com tempo seco e com uma certa temperatura, num aposento bem arejado; a humidade não deve fazer embranquecer estes produtos, que ficariam baços e arruinariam o acabamento de um modelo. Antes da aplicação dos vernizes, tape completamente as partes transparentes (sobretudo se se tratar de um verniz mate) para as isolar bem (ou então, cole só as peças depois da aplicação da camada de verniz). Se as partes transparentes tiverem de ser coladas antes, isole-as com uma camada de Maskol. Os vernizes mates podem ser utilizados sobre um modelo completamente pronto; o único cuidado a tomar é o de não atingir as partes transparentes para não as embaciar. Os vernizes brilhantes são aplicados sobre elementos separados de um modelo, antes da montagem final do mesmo, para não se cobrirem os cromados ou partes mecânicas, que devem ficar a mate. As partes transparentes são colocadas após o acabamento. Uma única camada fina destes produtos basta; convém não insistir na vaporização, para evitar que o verniz escorra. Os vernizes acondicionados em pequenos boiões (género Humbrol, etc.) têm propriedades semelhantes aos de spray, devem ser aplicados com o aerógrafo e deverão ser diluídos numa relação de 2/1 (em cada duas medidas de verniz, uma medida de diluente sintético). Existem também no mercado, vernizes acrílicos da marca Microscale, que deverão ser diluídos com água destilada na mesma relação que os vernizes de base sintética.